Caos organizado: elétrico, cerebral e focado na clareza mental inesperada.

Quando a Ansiedade se transforma em transtorno | ANA BEATRIZ

Descrição

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Transcrição completa

Quando é que percebemos que estamos com uma inflamação ou a adoecer mentalmente? Porque muitas vezes, acredito que quando a pessoa se apercebe, o problema já está bem avançado, não é? Já não é, já não é aquele, aquele...

O início, não é? É o início, não é? Como é que percebemos isso?

Está a mudar, não é, Dani? Está a mudar porque as pessoas estão a ler mais, estão a estudar mais, as pessoas estão a aperceber-se que não adoecemos de um dia para o outro, é um processo.

Por exemplo, a doença mais comum são os transtornos de ansiedade.

A ansiedade é boa e é natural, a ansiedade protege-me, está bem?

Agora, se ela me começa a limitar, se por ansiedade deixo de fazer coisas, se por ansiedade eu, eu me encolho, por exemplo, a timidez é um tipo de ansiedade.

Mas se eu deixo de fazer as coisas por timidez, eu deixo de ter uma timidez normal para uma patológica, que é a fobia social, aquelas pessoas que vão dar uma palestra, elas sentem-se mal, suam, têm taquicardia, e isso tem tratamento.

Existem também os transtornos de ansiedade que são, disparadamente, os mais comuns.

Tem um número, Bia, para ter uma noção de quantas pessoas são afetadas?

Olha, em 2016, tínhamos mais ou menos, no Brasil, cerca de 18 milhões de pessoas com transtorno de ansiedade.

Nos transtornos de ansiedade, temos pânico, ansiedade generalizada, stresse pós-traumático, o próprio TOC também é um transtorno de ansiedade, um pouco mais complexo, mas é um transtorno de ansiedade.

São manifestações diferentes para o mesmo problema, digamos assim.

Para o mesmo setor, eh, esse circuito do medo é como se ele entrasse numa erupção e começa a descarregar, eh, adrenalina e noradrenalina, numa quantidade que estamos sempre em estado de alerta, de alarme.

Então, por exemplo, eh, é normal ter medo se estou à noite num lugar escuro? É normal. Agora, se nesse lugar escuro, qualquer sombra, eu já paraliso e desmaio ou entro em pânico, isso é um transtorno de ansiedade.

Percebi, é, é o volume muito alto aqui na cidade.

É interessante que temos uma coisa que é importante. Qualquer adoecimento mental ou do comportamento não é qualitativo, é quantitativo.

O que é que isso significa? Significa que quando dizemos, fulano está com uma doença mental, todos nós podemos ter traços disso, mas aquela pessoa está numa quantidade daquilo que passa a ser patológico.

Então, quando dizemos, ah, não percebo que uma pessoa tenha taquicardia. Claro que percebe, se entrar numa passadeira e acelerar, vai ter taquicardia. Aí diz, ah, mas aí é normal. Sim, aí é normal.

O anormal é quando a taquicardia vem e eu não estou a fazer nada, percebeu? Mas dá para nos colocarmos na posição do outro.

Então, o transtorno de ansiedade, mais ou menos, mas isso depois da pandemia, teve um aumento médio de 25%.

A mais.

Foi um catalisador, não é?

Foi um catalisador. A depressão também é a segunda, não é? A depressão em 2016, 2017, tínhamos aqui no Brasil algo em torno de 11 milhões de pessoas.

E também teve esse aumento entre 20 e 25%. Agora, temos que entender que isso é o que foi catalogado, o que foi diagnosticado.

A grande maioria não é. É porque ainda é um tabu, não é? Há muita gente que tem medo de, é frescura.

Há muita gente que tem medo, há muita gente que não tem acesso.

Dizemos que o SUS funciona, funciona, temos CAPS, funciona, que o CAPS é específico para os transtornos mentais. Mas se for ver, eh, há poucas cidades que têm CAPS.

Quando vai, eh, para o interior mesmo, já não tem mais CAPS. E além disso, as pessoas também não têm acesso à mente, como tratar sem medicamento, não é?

Não, até tem, mas, mas é preciso informar muito mais. Acho que estamos a viver um momento, eh, em que até as pessoas estão, agrada-me muito, apesar das pessoas estarem a falar negativamente.

Mas acho que essa explosão de informação, do seu podcast, do nosso, de tantos outros, trazendo especialistas, estamos a conseguir, eh, passar para as pessoas que está toda a gente no mesmo barco.

Só vai, só vai sair através do autoconhecimento e do conhecimento. Então, eu acredito, eh, que começamos a ter uma população mais ativa na procura.

E também acredito que a mesma população que começa a exigir direitos, eh, a política só se movimenta quando o povo se levanta. Então, na hora que começar, bom, mas na minha cidade não tem CAPS.

Não, mas ali eu não tenho como. E não é só dar o remédio.

É ensinar as pessoas a, a entender o seu padrão.

E prevenir também, não é?

Prevenir. Porque pode, de repente, prevenir, na minha cabeça aqui, não é, fomentando praças onde as pessoas sejam mais ativas, que tenham mais contacto com a natureza, e pode também fomentar o tratamento, não é? Para a pessoa que, para a pessoa que não teve, digamos assim, uma forma de desabafar isso, uma válvula de escape, não é? Óbvio que estamos a falar também de questões que vão muito além do que a gente, do que a gente pode, eh, controlar, que é a insegurança, que é, calma, que é o desemprego, que é, não é, falta de acesso, enfim, tipo, e agora? Não tenho, não estudei, não, como é que eu vou, não tenho a concorrência, enfim.

O digital hoje, acho que temos, temos algumas críticas a ele, mas ele, ele ajudou-nos a proporcionar muitas coisas, não é? Hoje, a gente conversando, vindo para cá consigo, você disse, ah, no raio X, uma moça parou-me e, e veio agradecer pela, pelas informações que você passa.

Então, imagine hoje a proporção de, eh, que um podcast pode ajudar uma pessoa, a gente levando uma forma de conhecimento, você também sendo da saúde, levando uma forma e um padrão melhor de qualidade na alimentação, na qualidade, vendo muita natureza, que é uma coisa que você faz muito também. Qualidade física. Então, isso a gente também, não é, Bia? A gente está num aeroporto, a gente está a andar na rua, as pessoas dizem, vocês estão a ajudar no meu tratamento, para a minha cura. E aí, e no início a gente ficava assim, mas como se a gente, não é? Mas porquê? Porque a gente está a levar uma forma de conhecimento e de uma, e dando a essa pessoa uma possibilidade, aquilo que ela não está a conseguir de uma forma, eu estou a conseguir de formas mais naturais, uma respiração, é uma alimentação que você está sempre a falar.