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nebulosa psicodélica, melancólica e distorcida como a estética de Euphoria

Rue: bipolaridade (TAB) e vício Análise Psicológica | Psicologia em Euphoria #2

Descrição

Uma breve contextualização de por que razão a Rue não aparenta ter transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), diagnóstico que tinha sido afirmado no início da série. Verificação dos sintomas da perturbação afetiva bipolar (PAB) no comportamento da Rue, e como esta e outras perturbações que ela possui afetam o vício que desenvolveu em substâncias químicas. 00:00 Introdução 00:35 Por que a Rue não tem TOC 01:55 Perturbação Afetiva Bipolar (PAB) 02:12 Mania e Hipomania 04:17 Variação depressiva da Bipolaridade 06:02 Como tudo isto afeta a Rue? 08:16 Possíveis intervenções Playlist Euphoria https://www.youtube.com/watch?v=_8hzN_zwCN4&list=PLRczKAnVodO8eapQlRQzBUaPMwmo-RdE0 Rue Parte 1: https://youtu.be/_8hzN_zwCN4 Jules: https://youtu.be/yqfRXpd03ew Nate: https://youtu.be/hXcx98KxOh0 Monica de Friends e o TOC: https://www.youtube.com/watch?v=gl-eRk50WQY&t=139s Link de compra do DSM V na Amazon: https://amzn.to/3pApzrU Se apresenta alguns sintomas de alguma perturbação, isso não quer dizer necessariamente que a tenha. Nos casos de perturbações de ansiedade, personalidade ou qualquer outro tipo, os sintomas caracterizam um indicativo importante, sobretudo quando vários deles são apresentados conjuntamente. Porém, APENAS a apresentação de sintomas, independentemente da quantidade com que se expressam, nunca deve ser considerada suficiente para se chegar a uma conclusão direta sobre um problema. Questões como o contexto social e a história de vida do indivíduo precisam de ser investigadas antes de qualquer diagnóstico; além disso, instrumentos de avaliação dos aspetos investigados (como testes psicológicos) devem ser utilizados apenas por profissionais devidamente certificados. Siga o canal também nas redes sociais Facebook: https://www.facebook.com/Analisando-Personagens-110358314662828 Instagram: https://www.instagram.com/analisandopersonagens/

Transcrição completa

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Olá, seja bem-vindo ao Analisando Personagens.

Eu sou o Alan e estou a fazer a segunda parte da análise da Rue da série Euphoria.

Então, se não viste a parte 1, ela vai estar a aparecer aqui no ecrã e o link também vai estar na descrição.

E para continuar esta análise, vamos continuar a utilizar o DSM, que é o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, que descreve detalhadamente não só estes transtornos da Rue, mas absolutamente todas as psicopatologias existentes e eu já vou deixar o link de compra do livro aqui em baixo, caso vocês tenham interesse, se comprarem pelo link, vão estar a ajudar o canal, então sem mais, bora para o vídeo.

E a gente vai começar a fazer uma breve citação sobre o TOC,

que é o Transtorno Obsessivo Compulsivo, porque a terapeuta da Rue, que a atendeu quando criança, disse que ela tinha o TOC.

Porém, na série, até então, eu não vi os sintomas do TOC a aparecerem, que são aí principalmente a presença de pensamentos obsessivos que fazem com que a pessoa diversas vezes acredite em coisas muito absurdas.

Esses pensamentos obsessivos geram uma angústia, uma ansiedade para a pessoa que possui o TOC,

de, por exemplo, acreditar que você tem que rezar cinco vezes por dia, ou que você tem que ligar e desligar a luz da sua casa 15 vezes quando você acorda,

senão uma coisa muito ruim vai acontecer, alguém vai ficar muito doente ou até morrer.

Então, essas obsessões fazem com que a pessoa que tem o TOC, vá lá e cumpra esses rituais para não permitir que uma coisa ruim aconteça.

E se você já teve isso, não fique preocupado, porque em uma certa medida, isso pode acontecer sem que seja realmente o TOC.

Para o diagnóstico de TOC, você precisa de uma série de critérios e todos eu expliquei mais detalhadamente no vídeo sobre a Monica de Friends.

Então, se você ficou curioso, dá uma olhada no vídeo da Monica depois,

mas o que a gente precisa saber da Rue, nesse momento, é que ela não tem uma sintomatologia obsessivo-compulsiva consistente para a gente dizer que ela tem o TOC.

Pelo menos até agora, no momento em que eu estou a gravar este vídeo, em que ainda não saiu a segunda temporada.

E por fim, a psicóloga cita o transtorno afetivo bipolar, o TAB,

que é aqueles que possuem esse tipo de transtorno, variam muito o seu comportamento de uma hora para outra.

Muitas vezes parecem até mesmo pessoas completamente diferentes, dependendo do momento em que você fala com elas.

O TAB é uma variação repentina ou gradual entre a mania ou hipomania e o comportamento depressivo.

A mania é um momento em que a pessoa se encontra em euforia e cheia de energia.

Começa a ter um pensamento mais acelerado, tem uma autoestima elevada.

Chega em alguns casos até a mania de grandeza, uma maior disposição e, no geral, a pessoa sente muito mais produtiva.

E você questiona, mas a mania parece ser muito boa, eu vou ficar mais produtivo, vou ficar mais feliz, mais disposto, só vejo vantagens.

Mas não é bem assim, a mania também traz com ela uma irritabilidade e pouca cautela.

Então, essas pessoas muitas vezes tomam decisões arriscadas e precipitadas e podem ocorrer até mesmo delírios ou alucinações na pessoa que está a ter a mania.

Ou seja, ela pode perder o senso da realidade e até mesmo achar que ela é alguém que ela não é nos casos mais graves.

A mania gera um grande prejuízo na vida da pessoa que possui ela por todos esses sintomas que ela desencadeia.

A hipomania é uma forma mais leve da mania, é o que nós vemos quando a Rue se fantasia de policial e age como se estivesse a solucionar um crime.

Ela passa por todas essas fases características da mania que a gente falou,

mas ela não perde o senso da realidade e nem fica muito agressiva ou toma uma decisão muito precipitada.

Ela também não tem um grande prejuízo na vida social, nem ameaça a própria segurança ou a segurança de outras pessoas,

caracterizando um episódio de hipomania, já que para ser um episódio de mania, ela precisaria também ter essas características citadas.

Como vocês podem ver na imagem, ela tem toda essa sintomatologia da hipomania.

Ela só não parece ter a distração, que inclusive eu falei no vídeo anterior sobre o TDAH,

que ela não tem esses sintomas de distração característicos do TDAH.

Nesse momento de hipomania, a gente não vê ela a tomar uma decisão precipitada.

Porém, a gente vê a Rue a tomar essas decisões em outros diversos momentos durante a série.

E sobre a duração da hipomania, a gente não tem muito como ter certeza se ela passou quatro dias ou mais com esses sintomas,

porque isso não fica claro na série, mas por esse esforço que a série traz para mostrar todos esses sintomas,

fica clara a situação de hipomania da Rue.

E por ser um humor que oscila muito, nós vemos que nela, logo esse comportamento é substituído por aquele comportamento mais depressivo,

que é o que a gente vê na Rue a maior parte do tempo, essa variação depressiva que a gente chama de episódio depressivo maior,

que é caracterizado por um comportamento mais pessimista, com sentimentos de tristeza,

a falta de energia, a falta de esperança e a sensação de vazio muito presentes.

A gente viu isso bem depois da fase de hipomania que ela teve,

e que também apresenta sintomas como diminuição do interesse por atividades no geral,

muitas delas que antes geravam prazer na pessoa em fazer elas, e aí é bem difícil apontar se ela tem ou não esse sintoma,

porque a gente não tem muitas coisas que a Rue gosta de fazer.

A gente sabe que ela gosta da Jules, que ela gosta de usar substâncias, e a gente não sabe mais nada do que ela gosta de fazer.

Muitas vezes perde-se ou ganha peso de forma acentuada, perdendo ou ganhando mais de 5% de massa corporal em um mês.

É outra questão que a gente não tem certeza se acontece, insónia, que é a dificuldade de dormir,

ou a hipersónia, que são aquelas pessoas que dormem exageradamente, também se fazem presentes na Rue.

Retardo psicomotor, que é aquilo que a gente fala popularmente que uma pessoa está lenta,

a gente vê isso algumas vezes, mas naquelas, né, porque a gente não sabe se pode ser consequência ou não do uso das substâncias.

Mas vamos considerar essa questão por ser algo que a gente viu na série.

A gente também tem a fadiga ou ausência de disposição, os sentimentos de inutilidade ou culpa pelas situações,

dificuldade de concentração e ideação suicida, que a gente vê na conversa dela com a Ali,

em que ela diz que as drogas são o único motivo dela não ter-se matado,

além do prejuízo no funcionamento social do indivíduo e esses sintomas não são presentes somente pelo uso de uma substância.

A partir de tudo isso que foi debatido, a gente pode traçar um perfil comportamental da Rue,

para entender melhor algumas ações dela, que é o seguinte: a Rue é uma pessoa extremamente ansiosa,

muito por conta do transtorno de ansiedade generalizada.

Ela não conseguiu desenvolver um controlo na terapia para tentar combater essa ansiedade,

com técnicas que buscassem o relaxamento ou mesmo o uso de medicação indicada por um psiquiatra.

Ao invés disso, quando a ansiedade começa a disparar, ela busca as drogas.

A gente tem isso quando ela está nas piores fases da vida dela.

Quando ela beijou a Jules e a Jules não correspondeu, ela foi atrás das drogas.

Quando ela se sentiu traída pela Jules, ela foi atrás das drogas.

Esse comportamento de buscar essas substâncias acaba sendo também um pouco incentivado pelo TDAH que ela tem,

que acaba aumentando muito a chance de uma pessoa se envolver com drogas, por conta desse comportamento que é mais impulsivo,

que é característico do TDAH.

E ela tem fases de bipolaridade que sempre tendem para uma bipolaridade mais depressiva.

Então, além da ansiedade, ela se sente muito mal a maior parte do tempo por conta dessas crises depressivas.

E ela, infelizmente, foi achar nas drogas a fuga para todos esses males que ela já tinha,

somados à perda do pai, e aí a situação desandou de vez na vida dela.

Nesse episódio especial da Rue, que a gente viu, a gente ainda ouviu algo terrível dela,

em que ela diz que as drogas são a única razão dela não ter-se matado.

Isso é muito chocante de ouvir porque a gente pensa: nossa, mas como a situação de alguém pode estar ruim ao ponto em que ela busca algo terrível,

que vai prejudicar muito a vida dela, como uma forma de evitar tudo isso que já está tão ruim?

Além de ficar claro que o suicídio é algo que passa pela cabeça dela.

A gente que não tem todos esses problemas, só consegue imaginar o quão ruim é para alguém que tem,

mas só quem tem de facto, sabe como isso é destrutivo na prática.

Apesar de toda essa situação, uma melhora é possível, tanto para a Rue, quanto para alguém da vida real que esteja nessa mesma situação.

No TDAH, muitas vezes o uso adequado de remédios indicados por um psiquiatra,

que possa equilibrar esse fluxo bioquímico do cérebro que está desbalanceado nesse transtorno,

ajudam em uma situação como a da Rue.

No transtorno de ansiedade generalizada, temos a terapia e as técnicas de relaxamento como uma forte aliada para ajudar nesses casos.

E na bipolaridade, a identificação precoce da entrada em uma crise de bipolaridade,

é algo que também pode ser desenvolvido na terapia.

O paciente ter esse autoconhecimento de quando ele está a entrar em uma fase de mania ou numa fase mais depressiva,

é algo que auxilia demais a pessoa que tem esse transtorno a conviver com essa bipolaridade.

E por fim, a gente tem o vício que ela tem, de facto, como a Ali fala na conversa com ela, é uma doença,

mais uma na vida da Rue.

Muitas vezes viciados são vistos como pessoas mau-caráter, mas o vício é uma doença e tem que ser tratado como tal para que seja superado.

A Rue sempre teve muitos problemas desde que ela nasceu, e quando ela usou as substâncias, então,

aquilo bateu na cabeça dela mais forte do que bateria na cabeça de alguém que não tivesse todos esses transtornos.

Mas ainda assim, uma mudança é possível com a intervenção correta.

Essa junção da psicoterapia com os remédios certos indicados por um psiquiatra e com o acompanhamento tanto do psiquiatra quanto de um terapeuta,

são a melhor solução nesses casos.

Muitas vezes isso ainda consegue ser melhorado se forem conjuntamente utilizadas técnicas como meditação, yoga, hipnose e, claro,

tentar sempre, na medida do possível, incluir coisas na rotina da Rue que faça bem para ela.

Isso vai desde desporto, música, viagens, metas, enfim, é muito diverso o que faz bem para cada um.

A gente tem que lembrar que, por mais triste que seja, a droga para a Rue é vista como a solução para os problemas que ela já tem.

Então, você tem que dar uma alternativa para ela, tirar as drogas e colocar algo que faça bem para ela no lugar.

Galera, por hoje é isso, e se você gostou do vídeo, não deixe de deixar seu like e de se inscrever no canal,

que toda semana tem um personagem novo sendo analisado psicologicamente.

Vou deixar o link do livro DSM aqui, caso alguém tenha interesse em comprar o livro, que contém todas essas psicopatologias que eu falei e muitas outras.

E é isso, galera, um grande abraço e até a próxima.

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