Elon Musk, colonização de Marte e uma sociedade de leis privadas
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Transcrição completa
A liberdade está nas estrelas.
Esta é a Visão Libertária, a sua fonte de informações descentralizadas e distribuídas.
Certamente já ouviu falar no Elon Musk, pois já foram feitos vários vídeos sobre ele aqui no canal.
No entanto, o que provavelmente não sabe é que o grande objetivo dele é colonizar o planeta Marte.
Isso mesmo, não ouviu mal.
Elon Musk pretende usar a sua vasta fortuna pessoal e a sua famosa empresa, a SpaceX, para colonizar o planeta vermelho, estabelecendo a meta de 1 milhão de colonos por lá até 2050.
E a ideia vai muito além, pois Elon Musk afirmou que o dinheiro que será usado na colónia marciana será uma criptomoeda, tal como o Bitcoin.
E que teria um regime jurídico próprio, fazendo assim com que a colónia marciana da SpaceX tenha as suas próprias leis e um governo independente das leis e governos da Terra, sendo totalmente independente uma da outra.
Isso foi descoberto nos termos de serviço da Starlink.
Um outro projeto da SpaceX, ainda em fase beta.
Este projeto visa levar satélites para a órbita terrestre com o intuito de fornecer serviços de internet de alta velocidade a baixo custo para o mundo inteiro.
Para fazer uso do serviço, os beta testers tinham que reconhecer Marte como um planeta livre e que nenhum governo baseado na Terra teria autoridade ou soberania sobre as atividades marcianas.
E o documento continua, entre aspas, consequentemente, as disputas serão resolvidas por princípios autónomos estabelecidos de boa fé no momento de acordo marciano.
Interessante, não é?
Sobre este grande plano, Musk afirmou em entrevista o seguinte, abre aspas:
Acho que é muito importante para a humanidade se tornar uma espécie multiplanetária. Serão precisos muitos recursos para construir uma cidade no planeta. Quero contribuir o máximo possível.
Fecha aspas. Musk também já disse que não pretende acumular riqueza e quer investir tudo o que puder para montar uma colónia em Marte.
Como parte deste grandioso projeto, em maio de 2020, Musk anunciou que venderia grande parte dos seus bens e que, inclusive, não teria casa própria e começou a vender as suas propriedades.
O portefólio de propriedades de Elon Musk é avaliado em 100 milhões de dólares.
A iniciativa da colonização de Marte esbarra em muitos obstáculos, entre eles, claro, as leis estatais.
No ano de 1967, foi assinado o Tratado do Espaço Sideral, um acordo que prevê várias condições para a exploração do cosmos e que foi assinado por vários países, como os Estados Unidos, a União Soviética, o Brasil e outros.
Este tratado, no seu artigo segundo, diz o seguinte: abre aspas: O espaço cósmico, inclusive a Lua e demais corpos celestes, não poderá ser objeto de apropriação nacional por proclamação de soberania, por uso de ocupação, nem por qualquer outro meio.
Fecha aspas.
Enquanto que um trecho do artigo sexto diz o seguinte: abre aspas: Os estados parte do tratado têm a responsabilidade internacional das atividades nacionais realizadas no espaço cósmico, inclusive na Lua e demais corpos celestes, quer sejam elas exercidas por organismos governamentais ou por entidades não governamentais.
Fecha aspas.
Ou seja, uma colónia da SpaceX em Marte traria várias responsabilidades para o governo americano, que, segundo o tratado, seria responsável pelas ações da SpaceX e poderia tomar várias medidas contra a empresa, já que se trata de uma empresa americana.
O mesmo aconteceria com empresas espaciais privadas de outros países membros do tratado.
Aqui, podemos ver como leis que foram criadas há mais de 50 anos, num contexto completamente diferente dos dias de hoje, podem atrapalhar um dos maiores, senão o maior feito dos nossos tempos, que é a chegada do homem noutro planeta.
Na época, a exploração espacial ainda estava nos seus primórdios e o mundo vivia um intenso momento de Guerra Fria entre os Estados Unidos e a União Soviética.
Além das leis estatais e...
Um outro desafio é que a viagem para o planeta vermelho leva vários meses.
Como exemplo, é possível citar o rover Curiosity da NASA, que chegou a Marte em 2012 e levou 9 meses para fazer o trajeto Terra-Marte.
A sonda InSight, também da NASA, levou 7 meses para chegar ao planeta vermelho.
E, mais recentemente, um outro rover da NASA, chamado de Perseverance, partiu do Cabo Canaveral, na Flórida, em julho de 2020.
Chegando a Marte em fevereiro de 2021, completando 7 meses de viagem.
No caso de uma missão tripulada, esse tempo de viagem torna-se um problema.
Visto que a ausência de gravidade e a microgravidade causam vários efeitos negativos no corpo humano.
Como perda de massa óssea, de massa muscular, problemas na flora intestinal e na visão, atrofia dos músculos, líquidos retidos na cabeça e problemas psicológicos.
Por ficar tanto tempo num ambiente fechado e em microgravidade.
Esses efeitos foram mais bem detalhados e aprofundados no Estudo de Gémeos.
Um estudo da agência espacial americana envolvendo os astronautas e irmãos gémeos Scott Kelly e Mark Kelly.
Realizado em 2015 e 2016, que analisou de forma mais aprofundada os efeitos do espaço no corpo humano.
O estudo funcionou da seguinte forma:
Scott passou 340 dias na Estação Espacial Internacional, enquanto o seu irmão Mark ficou na Terra.
Após o regresso de Scott, as amostras recolhidas antes da partida foram comparadas com os efeitos do espaço no corpo de Scott.
E também com o seu irmão Mark.
Os efeitos em Scott foram muitos, como alterações nos telómeros.
Que são estruturas das células que ficam localizadas nas extremidades dos cromossomas e que estão ligadas ao envelhecimento.
Além de mudanças físicas e mentais.
Scott afirmou que as suas pernas inchavam como uma melancia sempre que se levantava.
Além de mudanças em micróbios do seu intestino e na sua expressão génica, redução da capacidade cognitiva, danos ao ADN, alterações cardiovasculares e circulatórias.
Mas, ao voltar para a Terra, o corpo de Scott foi gradualmente voltando ao normal.
Com exceção de algumas alterações, como o facto de 7% das mudanças da expressão genética serem vistas mesmo 6 meses após o seu regresso.
E também o declínio de atividades cognitivas que também foram percebidas após os 6 meses.
Posto isto, este estudo servirá de base para muitos outros.
Visto que as consequências destas alterações ainda deverão ser estudadas pelos cientistas e que ainda há um longo caminho pela frente.
Além disso, há também um preço.
E nem mesmo Elon Musk arriscou dizer o total desta empreitada.
Apesar de termos a certeza de que não será nem um pouco barato.
Elon Musk não se deixa abater e segue à risca a sua ideia.
A SpaceX está atualmente a testar protótipos do Big Falcon Starship.
O foguetão que terá a capacidade de transportar até 100 pessoas para Marte ou até mesmo 100 toneladas de carga.
No início de fevereiro deste ano, foi testado o protótipo SN9.
Ao chegar ao pico do seu voo, a nave espacial de testes planou momentaneamente no ar, desligou os seus motores e executou uma manobra planeada.
Virando de barriga para baixo para descer de ponta em relação ao solo.
Os problemas começaram quando o Starship, ao começar a sua sequência final de aterragem, tentou reacender os seus propulsores e um deles não funcionou.
e é quase impossível a vida naquele planeta.
Para que compreendam a importância de um campo magnético,
Fazendo o foguetão cair no chão e explodir, tendo o mesmo destino do protótipo anterior, o SN8.
de acordo com um estudo publicado na Astrophysical Journal Letters, foi simulado o que aconteceria com a Terra na ausência de um campo magnético.
Entretanto, os desafios não param por aí.
A radiação solar teria varrido a atmosfera da Terra, que se tornaria um planeta inóspito, com um deserto frio e gelado, tal como Marte é atualmente.
Pois Marte é um planeta extremamente hostil à vida.
Tendo 95% da sua atmosfera de dióxido de carbono, um gás extremamente tóxico.
Inclusive, cabe aqui uma curiosidade científica interessante.
Estima-se que há milhares de anos, Marte possuía rios, lagos, mares, oceanos, clima quente e húmido, e tudo isso acabou devido ao fim do campo magnético marciano.
Fazendo com que a radiação e os ventos solares arrasassem com a atmosfera de Marte, transformando um planeta próspero de clima ameno num deserto inóspito, frio, gelado e sem vida.
Ok, tudo isso é muito visionário e interessante.
Não há dúvidas de que tal feito entrará para a história.
Mas afinal, fica aqui a pergunta: Quando é que a colonização de Marte irá de facto ocorrer?
Bom, nesse sentido, Elon Musk afirmou que será ainda nesta década.
Seria enviada ainda em 2022 uma nave com o objetivo de construir as primeiras estruturas e preparar o terreno para a chegada dos primeiros colonizadores.
Que seria no máximo em 2026.
Mas vejam bem, há certos problemas com esses prazos.
Pois ainda é muito cedo para uma missão tripulada até Marte, visto que ainda faltam muitos estudos aprofundados sobre os possíveis efeitos da atmosfera marciana no corpo humano.
Há também o facto de ainda estarem a ser testados os protótipos da Starship.
Também é necessária a necessidade de investimentos ainda maiores por parte da SpaceX, além dos inúmeros atrasos, acidentes e outros imprevistos que possam vir a ocorrer em iniciativas desse tipo.
Portanto, a fala de Musk soa como um fortalecimento da imagem da companhia e que acaba por influenciar as expectativas dos investidores e entusiastas.
E bom, a visão libertária por trás disso é óbvia.
A possibilidade da existência de uma sociedade de leis privadas noutro planeta, tendo um regime jurídico próprio, leis próprias, até possivelmente uma moeda própria, sem nenhuma intervenção estatal no seu funcionamento e independência dos mesmos.
De certa forma, isso lembra a história dos peregrinos do Mayflower, que eram ingleses a fugir da perseguição religiosa na sua terra natal.
E que partiram para os Estados Unidos com a intenção de o povoar e fazerem as suas vidas por lá, livres da opressão estatal inglesa.
É óbvio que, como citado anteriormente, as leis positivadas que regem a exploração espacial são um entrave na criação de uma comunidade libertária em Marte.
Não é difícil imaginar o Estado a intrometer-se para decidir o que os colonos espaciais devem ou não fazer.
Ou, na pior das hipóteses, usar todo o seu poder de coerção para cobrar pesadas taxas contra a população.
Se o futuro é incerto, cabe apenas esperar para ver o resultado das explorações espaciais.
Por mais que o Estado esteja sempre disponível para atrapalhar qualquer tentativa de organização social espontânea, expandir para fora da Terra traz grandes possibilidades para o aumento da liberdade individual.
Quem sabe um dia, num futuro distante, as pessoas possam até mesmo escolher viver em planetas privados.
Obrigado pela sua audiência.
Este artigo foi sugerido e escrito por Sam Porter Bridges.
Revisado por Paulo Almeida.
E narrado por Babyoda.
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Até à próxima.