A história de Cristiano Ronaldo
Transcrição completa
Hoje, o mundo vê os títulos, os recordes e o nome Cristiano Ronaldo.
Ah, mas antes de tudo isso, ah, eu era apenas um miúdo pobre da Ilha da Madeira, ah, a viver com maiores dificuldades.
Ah, o futebol não era apenas um sonho para mim. Era a única saída e foi justamente da dor, das críticas e das perdas que nasceu a força que mudou a minha vida para sempre.
Eu nasci a 5 de fevereiro de 1985, na Ilha da Madeira, em Portugal. A minha família era muito pobre.
O meu pai trabalhava como roupeiro de um clube local e a minha mãe fazia tudo para pôr comida dentro de casa.
Ah, nós vivíamos num, num apartamento pequeno, apertado, a dividir o espaço com os meus irmãos e muitas vezes sem ter o suficiente para, para comer.
A verdade é que eu cresci no meio das dificuldades. O meu pai lutava contra o alcoolismo e eu via de perto o peso que a vida colocava sobre ele.
Anos depois, ah, descobri que a minha mãe chegou a pensar em me abortar por medo de não conseguir criar mais um filho.
Mas Deus tinha outros planos para mim.
Ah, desde pequeno encontrei no futebol a minha fuga.
Ah, assim que aprendi a andar, comecei a correr atrás de uma bola. Ah, passava horas nas ruas, a jogar, a treinar, a sonhar.
Ah, eu não tinha brinquedos caros, não tinha luxo. Ah, mas tinha um sonho gigante dentro de mim.
Ah, tudo começou a mudar quando, quando apareceu a oportunidade de, de fazer um teste no Sporting em Lisboa.
Antes da partida decisiva, disseram que o escolhido seria quem mais, quem mais se destacasse.
Ah, durante o jogo, um miúdo chamado Albert teve a oportunidade de marcar, mas preferiu tocar para eu fazer o golo.
Aquele passe mudou a minha vida. Até hoje sou grato por isso.
Ah, às vezes, um, um único gesto muda o destino de alguém.
Entrei para o Sporting e, e nunca mais olhei para trás.
Ah, comecei a, a crescer rápido, a chamar a atenção, a marcar golos.
Ah, até que aconteceu o amigável, ah, contra o Manchester United.
Ah, naquela noite, eu joguei como se a minha vida dependesse daquilo.
Driblei, corri, ataquei sem medo.
Depois do jogo, Sir Alex Ferguson decidiu-me contratar.
Quando cheguei ao United, ele deu-me a camisola 7, uma camisola histórica.
Foi ali que nasceu o CR7.
Mas o começo não foi fácil.
Muitos diziam que eu só sabia driblar, que não era objetivo.
Eu escutava tudo e usava cada crítica como combustível.
Porque, pela primeira vez, eu podia ajudar a minha família.
Eu podia dar uma vida melhor à minha mãe e aos meus irmãos.
Só que, quando as coisas começaram a melhorar, veio uma das maiores dores da minha vida.
Ah, o meu pai ficou gravemente doente.
A nossa relação era complicada, mas eu sempre quis ser mais próximo dele.
Infelizmente, o álcool destruiu a sua saúde.
Quando cheguei ao hospital, prometi que faria tudo para o salvar, mas não deu tempo.
Ah, a morte do meu pai destruiu-me.
Ah, naquele momento, ah, eu, eu entendi que precisava ser forte.
Eu tornei-me o homem da casa.
Fiz uma promessa a mim mesmo: eu seria o melhor jogador do mundo.
E eu trabalhei como ninguém para cumprir essa promessa.
Ah, na temporada 2007-08, tudo mudou.
Ganhei a Liga dos Campeões, fui artilheiro, bati recordes e conquistei a minha primeira Bola de Ouro.
Ah, depois disso, fui nomeado capitão da, da seleção portuguesa.
Mas eu queria mais.
Em 2009, ah, tomei uma das maiores decisões da, da minha carreira.
Ah, ir para o Real Madrid.
Ah, eu sabia do tamanho da, da responsabilidade.
Ah, o clube sonhava em voltar a conquistar a Liga dos Campeões e eu queria fazer história ali.
Ah, foram anos de pressão, exigência e trabalho extremo.
Até que, em 2014...
conseguimos. Ganhei a Liga dos Campeões com o Real Madrid e bati o recorde de golos numa única edição do torneio.
A partir dali, vieram mais títulos, mais Bolas de Ouro e mais capítulos da minha rivalidade com o Messi.
Mas havia algo que ainda faltava: conquistar um grande título com Portugal.
Depois de muitas eliminações dolorosas, chegou o Campeonato Europeu de 2016.
Ninguém acreditava na nossa seleção, mas nós acreditávamos.
Na final, contra a França, sofri uma lesão e tive que sair do campo a chorar. Foi uma das maiores dores da minha carreira.
Só que os meus companheiros lutaram até ao fim e quando o Éder marcou aquele golo, Portugal conquistou o primeiro grande título da sua história.
Ali, o menino pobre da Madeira tinha realizado mais um sonho impossível.
Depois vieram novos desafios: Juventus, o retorno ao Manchester United.
Momentos bons e maus, e também dores que o mundo não imagina. Em 2022, perdi um filho.
Não existe dor maior para um pai, mesmo recebendo carinho do mundo inteiro, foi um momento muito difícil para mim e para a minha família.
Mas se há uma coisa que aprendi na vida é nunca desistir.
Porque a minha história nunca foi sobre facilidade.
Foi sobre superação. Eu saí de um quarto apertado na Madeira para os maiores estádios do mundo.
Passei pela pobreza, pela dor, pelas críticas e pelas perdas, e mesmo assim continuei a lutar.
Porque sonhos não funcionam sem sacrifício.
E eu decidi sacrificar tudo para me tornar Cristiano Ronaldo.