EXISTE TDAH EM ADULTOS?
Descrição
Será que uma criança com PHDA pode manter essa condição na fase adulta? Se sim, quão comum é que tal aconteça e quais são as consequências para um adulto? Falaremos sobre isto e muito mais no vídeo de hoje. COMPRE O MEU LIVRO QUE ACABOU DE SER LANÇADO! Se comprar através do link seguinte, estará também a dar uma ajuda para o canal crescer e a incentivar-me ainda mais como autor: https://amzn.to/3F7oQXs Agradecimento especial aos nossos apoiantes no YouTube, no Patreon e no APOIA.SE: https://docs.google.com/document/d/1aVC9dSu9hT75C9oJYebF0Dwqrp7ST5a09Ny_XQi_xuU/edit?usp=sharing AJUDE O MINUTOS PSIQUÍCOS A CHEGAR A MAIS PESSOAS :) Torne-se nosso apoiante no YouTube, Apoia.se ou Patreon: ● https://www.youtube.com/channel/UCFiEI1kDHlO9UQtxx0wj-XA/join ● https://apoia.se/minutospsiquicos ● http://www.patreon.com/minutospsiquicos SIGA-NOS NAS REDES SOCIAIS! ● Facebook: https://www.facebook.com/minutospsiquicos/ ● Twitter: https://twitter.com/minutopsiquicos ● Instagram: https://www.instagram.com/minutospsiquicos/ CRÉDITOS ● Pesquisa e guião: Tiago Oliveira (@oliveiratiago.psi) e André Rabelo ● Apresentação, narração e edição: André Rabelo (@oandrerabelo) ● Ilustração e edição: Pedro Tavares (Xicão) (@pedroxicao) ● Música: Digital Ghosts - Unicorn Heads REFERÊNCIAS E INDICAÇÕES https://loja.grupoa.com.br/bibliotecauniversitaria/dsm-5-ebook-p987749 https://www.dilivros.com.br/livro-psicopatologia--perspectivas-clinicas-dos-transtornos-psicologicos-9788580554861,wh1915.html https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/27021056/ https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2881837/ https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0006322304012260 https://www.nature.com/subjects/cognitive-control https://psycnet.apa.org/doiLanding?doi=10.1037%2Fneu0000571 https://journals.sagepub.com/doi/abs/10.1177/1087054711413074 https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S000579161200016X https://journals.sagepub.com/doi/abs/10.1177/1087054709360494 https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/20555036/ https://jamanetwork.com/journals/jama/article-abstract/199180 https://ajp.psychiatryonline.org/doi/full/10.1176/ajp.2006.163.4.716 https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0165032709003176 https://journals.sagepub.com/doi/abs/10.1177/1087054710374596 https://onlinelibrary.wiley.com/doi/abs/10.1002/jclp.20121 https://www.psychiatrist.com/wp-content/uploads/2021/02/13791_guide-treatment-adults-adhd.pdf https://twitter.com/lazyfish11/status/1450157385742495750?s=24 https://www.psychiatrist.com/wp-content/uploads/2021/02/13791_guide-treatment-adults-adhd.pdf https://twitter.com/lazyfish11/status/1450157385742495750?s=24 #tdah #phda #atenção
Transcrição completa
Já deve ter ouvido falar que muitas crianças têm TDAH, especialmente aquelas que não param quietas nunca e dão muito trabalho aos pais. Mas será que estas crianças podem levar o transtorno para a fase adulta?
Eu sou o André, tenho um doutoramento em psicologia, e sim, existem adultos com TDAH. Hoje, com a ajuda do amigo e psicólogo Tiago Oliveira, quero explicar quais são as diferenças entre o TDAH em crianças e adultos, quais são algumas das principais causas, consequências e tratamentos desta condição.
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O TDAH é caracterizado por um padrão persistente de pelo menos uma de duas coisas: a desatenção ou a hiperatividade/impulsividade.
O termo impulsividade aparece junto de hiperatividade deste jeito, porque é bem comum que elas andem juntas, mas hoje vou falar só na hiperatividade para ser mais conciso.
Existem três subtipos de TDAH.
No de apresentação combinada, a pessoa vive grandes prejuízos, tanto por conta da desatenção, quanto da hiperatividade.
Nesses casos, não significa que as pessoas nunca apresentem um ou outro sintoma do outro tipo.
Um adulto com TDAH de apresentação predominantemente desatenta, pode ter alguns sintomas hiperativos, mas não suficientes para preencher os critérios diagnósticos.
A desatenção inclui coisas como frequentemente não prestar atenção em detalhes, ter dificuldades em manter o foco em tarefas ou trabalhos até finalizá-los, procrastinar, parecer que não estava ouvindo o que alguém acabou de lhe dizer e perder objetos, como chaves ou telemóveis.
Já quanto à hiperatividade, é bem comum que a pessoa fale bastante, interrompa a fala dos outros sem perceber, tenha dificuldades de ficar parada, em silêncio ou sentada, mesmo que por pouco tempo.
Adultos com níveis elevados de hiperatividade, podem experimentar uma grande inquietação, um desconforto ao ficarem parados, muita dificuldade em realizar atividades de lazer com calma e de esperar a própria vez em filas, por exemplo.
O DSM lista nove sintomas para desatenção e outros nove para hiperatividade. Um adulto com TDAH apresentará no mínimo cinco desses sintomas em uma das duas categorias, enquanto uma criança apresentará pelo menos seis.
Entre adultos com TDAH, muitos dos sintomas estão presentes desde antes dos 12 anos de idade.
O TDAH é comum e costuma iniciar-se na infância.
Alguns dados sugerem que cerca de uma em cada 20 crianças possui o transtorno, enquanto que para adultos, essa proporção muda para um em cada 40 adultos.
Ou seja, em torno de metade das crianças com TDAH costumam levar o transtorno para a fase adulta.
A hiperatividade, muitas vezes diminui da infância para a fase adulta, mas também é possível que os sintomas simplesmente se modifiquem.
Por exemplo, é comum que crianças hiperativas saiam correndo para todo o lado, mas adultos não.
Isso não quer dizer que a hiperatividade não esteja lá, mas sim que ela pode-se apresentar de formas menos gritantes.
Adultos com TDAH tendem a sofrer mais com a desatenção do que com a hiperatividade.
Levando esses sintomas para os novos contextos da fase adulta, dificuldades nas tarefas escolares se transformam em dificuldades na faculdade, no trabalho e nos relacionamentos, por exemplo.
O TDAH está entre os transtornos com o maior grau de influência da hereditariedade.
Isso significa que se existe um histórico de TDAH na sua família, as chances são maiores de que você o desenvolva também.
Inclusive, é comum que um pai ou uma mãe descubra que tem TDAH depois que o filho recebe o diagnóstico. É nessa hora que muitos pais conhecem melhor o transtorno e buscam um profissional para serem avaliados.
Ainda não se sabe totalmente o porquê o TDAH de algumas pessoas que o exibem na infância perdura até a fase adulta.
Mas uma meta-análise sugere que existem pelo menos dois fatores bem decisivos.
O primeiro deles é a gravidade dos sintomas na infância, sendo que quem exibe sintomas mais severos, tem maiores chances de ainda demonstrá-los na fase adulta.
O segundo é apresentar outros transtornos, como os depressivos ou da conduta.
Muitos acham que pessoas com TDAH são desatentas, hiperativas ou impulsivas o tempo todo ou em qualquer situação, só que isso não é verdade.
Todo mundo apresenta alguma dificuldade para realizar atividades repetitivas ou desinteressantes. A diferença é que para pessoas com o transtorno, essas atividades são muito mais difíceis ou quase impossíveis em alguns casos.
Muitos adultos com TDAH apresentam níveis de escolaridade mais baixos do que a maioria das pessoas, têm maiores dificuldades de se manterem empregados e de tomarem boas decisões financeiras.
Eles também podem sentir maiores dificuldades em perceber e reconhecer as emoções dos outros, o que pode atrapalhar nos relacionamentos com amigos, colegas de trabalho ou parceiros românticos.
Sabemos que alguém com esse transtorno possui uma chance maior de exibir outros transtornos também, como os depressivos, de ansiedade e relacionados ao uso de substâncias.
Em geral, mulheres adultas com TDAH tendem a apresentar menos comportamentos de risco do que homens adultos com TDAH.
Elas costumam ter mais dificuldades ligadas à falta de organização, à impulsividade e à desatenção, o que acaba afastando-as um pouco do estereótipo de alguém com TDAH.
E isso, por sua vez, diminui as chances de que elas recebam esse diagnóstico.
O resultado é que muitas mulheres adultas com TDAH não recebem um tratamento adequado.
O ideal para homens e mulheres com suspeita de TDAH é procurar pela indicação de um bom profissional que possa avaliá-los.
Para muitos casos, o uso de medicamentos pode contribuir bastante para a qualidade de vida da pessoa, sendo que a escolha dos medicamentos mais recomendáveis depende de cada caso.
A psicoterapia também é uma forma de tratamento frequentemente recomendada.
Geralmente, o ponto de partida é a psicoeducação sobre o TDAH, e ela envolve ensinar a pessoa sobre o transtorno em si, como ele interfere com o quotidiano dela e como pode ser tratado.
Uma ferramenta muito usada na psicoterapia voltada para o TDAH é o treinamento comportamental.
Nele, a pessoa pode desenvolver habilidades que trarão mais estrutura e rotina ao seu quotidiano.
Aprender estratégias simples, como montar listas de afazeres, usar agendas e colocar lembretes no telemóvel pode ajudar muito.
Também é comum que, durante a psicoterapia, outros fatores, como crenças ou comportamentos disfuncionais e desenvolvidos a partir do TDAH sejam modificados para ajudar a pessoa a lidar melhor com os sintomas.
Essas crenças e padrões de comportamento podem ter surgido como uma tentativa de se adaptar a situações frustrantes que decorreram do transtorno.
Como broncas frequentes de pais, fracassos constantes em alcançar alguns dos seus objetivos e relacionamentos frustrados.
É sempre muito recomendável que as pessoas procurem ajuda profissional, mas aqui vão algumas dicas que podem ajudar quem vive problemas ligados ao TDAH de forma direta ou indireta, por conviver com alguém que possui o transtorno.
Dica número um: entenda e explique o TDAH para os outros.
Entendê-lo é fundamental não só para a própria pessoa que o enfrenta, mas também para quem convive com essa pessoa.
Esses indivíduos precisarão lidar com algumas consequências do transtorno, eles podem tornar tudo mais fácil ou difícil para quem tem o TDAH.
Dica número dois: descubra em que tipo de ambiente você trabalha melhor.
Pessoas com TDAH tendem a se distrair muito facilmente, ainda mais quando a tarefa não é tão interessante assim para elas.
Em geral, elas trabalham melhor em ambientes silenciosos e com menos distrações ou interrupções.
Smartphones podem tornar ainda mais difícil se concentrar no que você precisa fazer, então garanta que ele não possa atrapalhar quando estiver trabalhando ou estudando.
Dica número três: planeje horários específicos para se distrair.
Não é razoável esperar que você conseguirá trabalhar por várias horas seguidas sem nenhuma interrupção.
Isso é difícil até para alguém que não possui TDAH.
A cada período de trabalho concluído, você pode se recompensar com um intervalo de distração.
Nesse momento, você pode fazer o que preferir, como apenas relaxar um pouco no sofá, fazer um alongamento ou assistir a algum vídeo do Minutos Psíquicos.
O TDAH é um transtorno comum e que atrapalha a vida pessoal e profissional de várias pessoas ao redor do mundo.
Muitos acham que ele só ocorre em meninos, mas a verdade é que ele ocorre em adultos e em mulheres também.
Tornando a vida dessas pessoas muito mais difícil.
Sem o tratamento adequado, o TDAH pode gerar vários prejuízos na vida de alguém e por um bom tempo.
Muitos adultos que sofriam com esse transtorno, têm conseguido viver vidas mais satisfatórias com a ajuda de profissionais.
Se você já é adulto e se identificou muito com as coisas que descrevemos aqui, recomendamos que procure esse tipo de ajuda.
Se quiser entender mais sobre a atenção e outros processos cognitivos que nos permitem captar a realidade, não deixe de ler o meu livro que acabou de ser lançado: Ser Humano, Manual do Utilizador, As Origens, Os Desejos e o Sentido da Existência Humana.
Um capítulo do livro é dedicado a falar sobre as principais limitações e potencialidades da mente humana, e nesse quesito é difícil não mencionar a atenção, já que ela faz toda a diferença no dia a dia.
Se os assuntos que abordamos aqui no canal te interessam, mas você ainda não tem tanta familiaridade com a psicologia, esse livro pode ser um ótimo ponto de partida.
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Hoje falamos sobre o TDAH em adultos.
Descrevemos os diferentes tipos de TDAH, qual a proporção de adultos que costumam apresentá-lo e quais sintomas são os mais persistentes na fase adulta.
No final, falamos sobre o tratamento e demos algumas dicas de como reduzir o impacto dos sintomas no seu dia a dia.
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Se quiser assistir a outro vídeo agora, recomendo o que a gente fez sobre o TDAH em crianças.