Noir conspirativo moderno com tensão jornalística digital

Alsina fala no seu monólogo sobre teorias da conspiração: "Viúva na capela

Descrição

O diretor do "Más de uno" analisou as várias teorias da conspiração a que uns e outros se agarram, desde o panorama político americano até ao espanhol, incluindo o debate sobre o apagão ou a corrupção ministerial. #psoe #espanha https://www.ondacero.es/programas/mas-de-uno/audios-podcast/monologo-de-alsina/conclusion-alsina-declaraciones-uco-caso-mascarillas-aldama-llamaba-jefe-pero-jefe-verdad-era-aldama_2026042869f059fc7b1d574ac65d0712.html Deixem-me que lhes conte uma história, que é muito curta, já vão ver. Era uma vez um comediante muito famoso que tinha um programa de televisão em horário nobre. Fazia piadas sobre tudo o que acontecia no seu país, especialmente sobre política e contra o presidente e a sua esposa. Era cáustico em quase todos os seus comentários sobre o casal. Dois dias antes de um jantar concorrido em que o matrimónio iria marcar presença, o comediante fez uma paródia cruel, e brilhante, sobre a reação alérgica que em ambos desperta a mais suave das críticas — que pele tão fina — e o nulo sentido de humor com que encaram a sátira. Não, o comediante — esclareço — não era espanhol nem criticava impiedosamente Pedro e Begoña. Era americano — é americano — e quem criticava todas as noites era — ou é — Donald Trump e Melania. Na sua paródia de dois dias antes do jantar, misturou a ironia com o sarcasmo para imaginar como seria esse evento se o presidente permitisse que este fosse conduzido por um humorista em vez de ser ele próprio a fazer todas as graças. E imaginando, imaginando, deu como certo que Trump passaria a noite com cara de poucos amigos e que Melania se mostraria ausente, com aquele aspeto de quem nunca deixa de se arrepender de ter casado com Donald e vendo os dias passar na esperança de que tudo acabe depressa. Foi aí que o comediante, dois dias antes, pronunciou esta frase dirigida à primeira-dama: "A senhora tem o brilho de uma viúva à espera". Dois dias depois, no jantar de correspondentes, Melania Trump foi a primeira a reagir ao som dos disparos com que o serviço secreto neutralizou o homem que tentou assaltar o salão, com caçadeira e pistola, para a deixar viúva. Desta vez não foi Trump, mas sim a sua esposa quem exigiu à televisão ABC a cabeça de Jimmy Kimmel, o comediante, por alimentar, segundo ela, o discurso de ódio contra o presidente e a sua família. Desta vez, não de teóricos da conspiração que veem uma constelação de mãos negras por trás do assassino frustrado, mas ao contrário: teóricos da conspiração que veem como Trump nos impingiu um exercício de ilusionismo ao nível da falsa chegada do homem à Lua. A teoria da conspiração defende que tudo foi uma encenação, um engano, uma farsa. Sem risco para ninguém e destinada a despertar o afeto dos americanos pelo seu presidente três vezes atacado. Atentados a mais dos quais sai vivo para se poder acreditar, apregoaram utilizadores do Twitter desorientados e propagandistas encapotados. Ver para crer. E ler para crer até que ponto se presume refutar a versão oficial sem mais indício nem mais prova do que a convicção de que o governo mente sempre. As teorias conspirativas são uma tentação para os governos sempre que acontece algo adverso. Bem o sabemos em Espanha, onde ao roubo de cabos numa linha do AVE o ministro Puente reagiu sugerindo que era uma sabotagem anti-sanchista. Bem o sabemos porque cada vez que um ministro pronuncia a frase cliché "isto que aconteceu é muito estranho", deixa que o público interprete que pode ter havido mão negra. Hoje sabemos que o apagão foi consequência de uma sucessão e acumulação de negligências do operador da rede, a Red Eléctrica, e de várias companhias energéticas. Culpados todos, veio a ser o resultado da autópsia feita pelo governo. E em Espanha culpar todos é interpretado como não culpar ninguém. Um ano depois, a investigação continua aberta com processos à Red Eléctrica, Iberdrola, Endesa e Naturgy. Sem que ninguém tenha dado um passo atrás ou tenha pago com a sua renúncia a

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