NZINGA MBANDI : A RAINHA DE ANGOLA? PARTE 1
Descrição
A vida tem um começo, um meio e um fim. Esta história começa em 1583, nas margens do rio Kwanza, bem lá, no fundo do berço do antigo reino do Ndongo. 🔔 Não é clica isso shorturl.at/cLQS7 🔍 Fontes- https://pt.wikipedia.org/wiki/Reino_do_Dongo https://pt.wikipedia.org/wiki/Reino_de_Cassange 🖼️ Imagens - http://clipart-library.com/search2/?q=eyes#gsc.tab=1&gsc.q=eyes&gsc.page=3 Google imagens Argumento / Apresentação Filmagem Direção e Edição Por Percy Tussamba
Transcrição completa
A vida tem um começo, um meio e um fim.
Essa história começa em 1583, nos resíduos do Rio Cuanza.
Bem lá no fundo do berço do antigo Reino do Ndongo.
Aqui vamos nós. No princípio era Nzinga, e ela estava com o Ndongo, mas ela não é o Ndongo.
Porque o Ndongo já flexionava o verbo existir desde 1300. Isso mesmo, muito antes do nascimento de Nzinga Mbande.
Apesar de ser um reino pequeno, atrocidades nunca pareceram ser minúsculas, porque por quase 4 séculos, o reino sofreu 3 vicissitudes.
Ou melhor, 3 mudanças inesperadas. A primeira foi quando ainda continuava a ser um estado vassalo do Reino do Kongo, como era o caso de vários outros reinos ao redor.
A segunda foi o êxito da independência, um acontecimento fraudulento, irrelevante, previsto e bem planeado.
Foi fruto de uma vitória obtida quase sem nenhum esforço. Não houve batalha, não derrotaram ninguém e por consequência continuaram sob o controlo do Kongo.
Sim, o Reino do Kongo não quis ver o Ndongo independente ou livre dos impostos. Contudo, os papéis históricos narram que essa independência aconteceu em 1556.
A terceira atrocidade foi quando Ndongo caiu sob o domínio de Portugal em 1575. E só com o auxílio de um Messias para os tirar dessa malamba.
Mas muita calma nessa hora, porque há muito mais para se contar.
Olá pessoal, sou o Percy Tussamba. Bem-vindo ao meu canal e obrigado por visitar Nsangu ya Malongi.
Rainha Nzinga Mbande, também conhecida como Dona Ana de Sousa, nome aportuguesado que ganhou após o seu batismo.
Ups! Acho que não deveria ter dito isto agora. Mas enfim...
Filha de Ngola Kiluanji, o fundador e o primeiro rei do Ndongo, e de Kengela ka Nkombe, uma concubina, porém a mais dotada entre várias outras.
É importante acentuar aqui que "Ngola" era o substantivo atribuído ao rei. A expressão vem do Kimbundu e está na raiz etimológica do nome Angola, o atual país.
Ngola Kiluanji Kia Samba, o nome do senhor, era um cidadão do Reino do Kongo que emigrou para a foz do Rio Cuanza, onde formou o Reino do Ndongo. Como consequência disso, teve que passar a pagar imposto para o Reino do Kongo.
Enfim, consoante a história, Nzinga teve um nascimento atípico, o que influenciou na escolha do seu nome.
O nome vem do verbo em Kimbundu "Kujinga", o que quer dizer "torcer" ou "arrolar", porque ela nasceu com o cordão umbilical enrolado à volta do seu pescoço.
Para a sua família, especialmente o seu pai Ngola Kiluanji, enquanto segurava Nzinga pela primeira vez...
...talvez teve um breve vislumbre do futuro, como a filha iria de torcer, enganar os seus inimigos, os portugueses, ganhar o trono e que iria finalmente lutar pela liberdade do seu reino. E para o povo Ndongo, isso era o indicador crucial de que Nzinga iria ser uma mulher poderosa.
Na época do seu nascimento, o Reino do Ndongo era um estado africano localizado na África Central e estava rodeado pelo Reino do Kongo ao norte, pela Matamba ao leste e sudeste pela Jaga.
Como podemos ver nessa imagem, Angola, o atual país, não fazia parte deste retrato. E isso destrói imperativamente a ideia de uma Nzinga angolana, pois Angola ainda não existia.
Paulo Dias de Novais, explorador português, chegou à boca do Rio Cuanza, na linha costeira do Ndongo, em 1560.
Ngola Kiluanji não se deixou enganar pelos presentes ofertados pela corte portuguesa, contudo recebeu-os cordialmente, visto que inicial e alegadamente os portugueses vieram com o intuito de criar relações comerciais e em troca usar o cristianismo como fonte da salvação do povo Mbundu.
Tem em mente que 78 anos antes desse acontecimento os portugueses já tinham entrado em contacto com o Kongo, o reino localizado ao norte do Ndongo. E penso eu que Ngola Kiluanji não havia aprendido com os erros dos seus compatriotas. Mas...
Na verdade, até essa altura, nada mesmo aconteceu. Pelo menos até aos anos 1622, quando o Kongo foi invadido pelas tropas portuguesas.
Enfim, Ngola Kiluanji decidiu abrigar os portugueses por 5 anos, e nesse tempo eles aprenderam e testemunharam o quão organizada a sociedade do Ndongo era, como os habitantes tinham habilidade e conhecimento no comércio, pecuária, agricultura e metalurgia.
Numa forma de mostrar poder aos demais reinos, especialmente aos seus rivais como a Matamba, Ngola Kiluanji solicitou ajuda a Paulo Dias de Novais, que este fosse a Portugal, mas no seu regresso trouxesse tropa portuguesa para o ajudar a lutar contra os reinos vizinhos.
Avançando a fita, 10 anos depois, em 1575, lá estava Paulo Dias de Novais de regresso ao Ndongo.
Com as suas caravelas cheias de tropa, mas não com o intuito de ajudar o Ndongo. Pelo contrário: destruir, desfazer, destroçar e abater com o reino, tudo isso em nome do rei de Portugal.
O Ndongo foi apanhado de surpresa e derrotado. Paulo Dias de Novais tomou controlo da área e chegou à cidade de Luanda onde criou o Porto de São Paulo de Assunção de Luanda.
Esta invasão rasgou a confidência do Ndongo onde apenas imigrantes portugueses, nomeadamente missionários, mercadores e agricultores, circulavam tranquilamente.
Feliz ou infelizmente os portugueses não encontraram minas de ouro, muito menos de prata, então decidiram vender o bem mais inimaginável de todos: pessoas humanas. E escravos!
O objetivo era o de tornar Luanda no maior porto de tráfico de escravos e usar o Reino do Ndongo como fonte de pessoas e bens.
Este era o quotidiano da adolescência de Nzinga Mbande, observando o seu povo a ser destruído e o seu pai Ngola Kiluanji resistindo às forças portuguesas.
Desde cedo Nzinga foi instruída em táticas militares, destemida, temperamento ardente e inteligência orgulhosa, que são atributos e marcas de uma heroína.
Mesmo ainda adolescente, Nzinga lutou ao lado do seu pai na batalha contra os portugueses. Para muitos, ela era a predileta entre os seus irmãos, o que instigou mais tarde na batalha de um sucessor ao trono.
Em 1617 morre Ngola Kiluanji Kia Samba. Entre os descendentes diretos estavam Nzinga, Ngola Mbande, Kifunji e Mukumbu.
Ngola Mbande foi nomeado como rei pelos macotas após ter-los pressionado, mesmo sabendo que Ngola Kiluanji preferiria Nzinga Mbande como sucessora. Mas isso não seria possível porque o Ndongo era um reino patriarcal onde somente homens reinavam. E fez todo o sentido para os macotas nomear Ngola Mbande como rei porque ele era o primogénito.
Após ser nomeado rei, Ngola Mbande por medo de perder a sua posição no trono, decidiu eliminar todos e qualquer um que seria um empecilho para o seu sucesso, até mesmo o seu próprio sobrinho recém-nascido, primeiro e único filho de Nzinga Mbande. Nzinga e suas irmãs foram esterilizadas à força usando ervas e óleo quente, garantindo que elas nunca iriam ter filhos novamente nas suas vidas.
Após ter consolidado o seu poder como rei, Ngola Mbande fracassou redondamente por 4 anos consecutivos na luta contra os portugueses. Isso não era um espanto, tanto que Ngola Mbande não possuía o carisma do seu pai Ngola Kiluanji ou muito menos a astúcia da sua irmã Nzinga Mbande. Ficou cada vez mais claro que a sua inabilidade e incapacidade de combater com armas e palavras fez dele um rei inútil.
Todavia ganhou coragem e suplicou a ajuda da sua irmã Nzinga Mbande. Mas será que ela irá aceitar? Se quiser saber do desenrolar desta história, não perca o próximo episódio! Já agora, muito obrigado por assistir até ao final. Salute!
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