Psicopatas no Relacionamento: Como Identificar Manipulação Afetiva? - MENTES EM PAUTA | ANA BEATRIZ
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Transcrição completa
Mentes em pauta.
Psicopatas e relacionamentos afetivos.
Tudo bem, Bia?
Dando continuidade ao nosso tema da última pauta,
do psicopata,
terminámos a falar sobre o psicopata na vertente afetiva, não é?
E como seria isso? Um psicopata a envolver-se com uma pessoa, quando falamos de afeto, falamos de sentimento, de relacionamento...
Como é que é isso?
Não é, pois não?
Não é.
É interessante, porque o psicopata, dentro da relação afetiva, é um grande ator, não é? No sentido de fingir um afeto que não existe.
Vimos muito claramente que o psicopata tem aquela forma de funcionar, aquela forma de ser, onde existe todo o lado racional e existe um lado afetivo praticamente gelado, frio, não é?
Então, como é que podemos falar de relacionamento afetivo em pessoas que não têm afeto, que não se afetam, que não se importam, que não têm remorsos, que não têm culpa?
Ou seja, a relação afetiva com o psicopata é uma relação ingrata, no sentido de que essa pessoa será sempre usada, é um objeto.
E muitas vezes o psicopata constitui uma família e tem até relações ditas afetivas para dar uma satisfação à sociedade.
chegou ao ponto que eu realmente queria entender, não é?
Se ele não tem sentimentos, se ele não tem, porque é que ele se está a envolver com alguém?
Ele tem um ganho, ele tem um ganho, aquilo que eu disse.
Para o psicopata, ele tem sempre o objetivo de usar alguém para atingir estatuto, poder e diversão.
Então, se alguma pessoa lhe pode proporcionar algum tipo de estatuto, algum tipo de diversão ou poder,
ele vai ficar com aquela pessoa, mas não porque sinta alguma coisa.
Porque ele vai abastecer-se de algo que aquela pessoa pode dar.
Por exemplo, ele pode estar com uma pessoa que é muito bonita, que é muito envolvente, para que ele possa dizer como ele é muito bom
por ter aquela pessoa tão bonita, tão envolvente, tão talentosa.
Mas isso não quer dizer que ele goste daquela pessoa, absolutamente.
Se ele tiver de, é, humilhar, se ele tiver.
Ele tem um interesse.
Ele tem o interesse, tem o poder de exercer o poder, tem o prazer de exercer o poder sobre a outra pessoa,
e ele não poupa, eh, esforços no sentido de seduzir inicialmente, tornando-se a melhor pessoa do mundo,
sendo sedutor, maravilhoso,
eh, tendo o melhor sexo que se possa imaginar, porque assim,
o sexo para o psicopata não é sexo para nós,
o sexo para o psicopata é um instrumento de envolvimento e de sedução.
Porque veja bem, ele pratica o sexo que se quer receber.
Seja como for,
porque ele tem a frieza, um psicopata não falha na cama, por exemplo.
A não ser que finja.
Só para causar um impacto, despertar pena,
ou dizer que tem um trauma.
Isso também é uma coisa muito típica, não é?
Costumo dizer que quando duas coisas vêm juntas, temos de estar muito alertas para identificar um psicopata.
Primeiro, atitudes maldosas de forma repetitiva,
é um comentário, é um sarcasmo,
é um, é fazer o outro sentir-se inferior,
é fazer o outro sentir-se culpado,
é, ou outras pessoas,
e junto com essa questão das atitudes maldosas,
uma encenação de vítima, de se fazer de vítima,
porque o psicopata está sempre a contar uma história triste
para que possamos ter complacência com ele.
Então, por exemplo, ele faz uma coisa muito má,
e ele imediatamente finge o arrependimento, vitimiza-se e diz que não o fará mais.
Porquê? Porque a pena é um dos
sentimentos que mais nos fragilizam.
Quando temos pena de alguém, é como se assinássemos um cheque em branco na mão dessa pessoa.
E o psicopata sabe muito bem que, ao despertar pena em alguém,
essa pessoa é facilmente manipulável.
Consegue identificar as presas fáceis dele?
São pessoas com autoestima baixa, inseguras.
São pessoas de coração extremamente generoso, são pessoas com uma autoestima mais baixa.
São pessoas extremamente, ao mesmo tempo, pessoas que têm um brilho muito próprio, que têm uma coisa muito bonita,
porque eles não chegam perto, é como insetos à volta da lâmpada.
Um psicopata não se aproxima de uma lâmpada apagada.
Então, ele anda à volta dessa pessoa para sugar o que ela tem de melhor.
E é incrível, porque uma pessoa que se relaciona com um psicopata, literalmente se relaciona com um vampiro.
Eles são vampirizadores, vão tirando aquela energia,
vamos vendo essa pessoa perder o brilho, perder a alegria, porque a dominação deles é exatamente essa.
Então, entra na vida de um homem ou de uma mulher, sempre muito entusiasmado,
quase a pensar que é o homem ou a mulher da sua vida,
não é? Porque eles representam muito bem esse papel.
Ele é ótimo, é educado, é gentil, ele manda flores, ele faz tudo.
Passado esse momento de sedução, quando ele vê que caíste nessa coisa e que o território está bem montado,
inclusive com amigos, com parentes, que ele fez toda aquela coisa à volta,
aí ele começa a mostrar-se na intimidade.
Ele continua a manter aquela coisa, aquela pose para o exterior,
mas aí ele começa, dentro do relacionamento, a fazer uma coisa extremamente tóxica, não é?
Que é culpar a pessoa por tudo o que corre mal,
tudo o que ele faz, ele arranja sempre uma forma de a outra pessoa se sentir culpada,
ou então, se ele não consegue culpar, ele faz a vitimização para que a outra pessoa tenha pena.
Porque ao sentir pena, a outra pessoa dá mais uma chance, dá uma segunda, dá uma terceira,
e jura que não vai fazer.
Psicopata não tem tratamento, não é, Vivi?
É, não tem tratamento pelo seguinte, porque o psicopata não é uma doença.
Ele sabe que é assim, ele sabe que se utiliza das pessoas.
O grande prazer dele numa relação não é a troca afetiva, é o controlo.
É o jogo do controlo, é o jogo da submissão do outro, é ter a vida do outro sob o controlo dele.
Esse é o grande barato, esse é o grande prazer,
não é? Seja numa relação saudável, seja numa relação onde rola até um sexo mais agressivo,
a questão é subjugar.
Não existe esse prazer saudável de dar prazer ao outro e sentir prazer.
Não é uma brincadeira, porque sexo bom é uma brincadeira.
Que tema pesado, não é, gente?
Foste tu que tocaste no assunto.
Fui eu que comecei com isto, agora vou ter de brincar.
É fogo no parquinho, não é?
Fogo no parquinho.
E o que é que me podes dar assim de dica para os nossos amigos?
Há alguma coisa que possa alertar, ajudar, porque às vezes ouvimos dizer, não consigo sair desta relação e sentimo-nos até culpados.
Eu acho que antes de entrar na relação, temos de ter o cuidado de sair,
temos de ter o cuidado de não entrar.
É, nunca podemos deixar entrar na nossa vida uma pessoa da qual não sabemos a história, que eu chamo HPP.
História Patológica Pregressa.
Ah, agora entendi.
Porque deixamos entrar e aí, por exemplo, começas a ter um relacionamento com um homem divorciado.
Ele tem três ex-mulheres.
Ele chega sempre à vida a dizer assim: "Não, porque a minha mulher roubou-me, eu dei o apartamento, fiquei sem nada."
Fiquei sem saber o que fazer, não sei o que é, não sei o que é. Larguei tudo.
É tudo muito bonito,
não é? Aquilo é bonito, morre de raiva das ex-mulheres, e tal.
Mas eu sempre digo, não dês essa oportunidade, mulher.
Porque, uma pessoa que saiu de três relacionamentos, pode até ser que seja uma boa pessoa, mas será que não repetiu a mesma coisa?
Porque o psicopata, por não ter emoção, repete os mesmos erros.
Porque a nossa memória é uma memória marcada pela emoção.
Eu não repito um erro que me fez sofrer.
Se ele não sofre, repete os mesmos erros.
Então, damos-nos ao trabalho de saber realmente se as histórias que alguém nos conta são verdade ou não?
E uma coisa que eu, que eu deixo aqui para pensarmos um pouco, vai gostar muito, porque adora esta temática também, acho que tem muito a ver.
São os relacionamentos hoje que são os relacionamentos por, por redes sociais e por aplicações,
porque as pessoas que já têm uma autoestima baixa, são inseguras, têm dificuldade em relacionar-se.
É uma ótima forma de se relacionar por ali. Parece que está a ir ao centro comercial.
E, por incrível que pareça, algumas pessoas que conheci que passaram por estes problemas, foram relacionamentos encontrados em aplicações.
Não, não, eu não seria preconceituosa nesse ponto.
Eu acho, não, eu acho que o mesmo critério que usamos na vida real, temos de usar na virtual.
Tem de ir vendo quem é aquela pessoa.
Por exemplo, uma pessoa que está o tempo inteiro nas redes sociais, há algo de errado.
Aquela pessoa está ali o tempo todo, essa pessoa não trabalha, essa pessoa não tem uma hora em que não pode estar, não é?
Por exemplo, uma pessoa que quer que atenda o telefone o tempo inteiro, como se não tivesse vida,
essa pessoa não o respeita.
Ah, desculpa, mas então não posso relacionar-me com essa, porque não tenho como atender o telefone no meu trabalho.
Não, mas é aí que está, é aí que está, alguém que estará consigo terá de respeitar isso.
E não sabe respeitar.
Não é? Porque a pessoa pode dizer: "Olha, não, eu não, eu liguei, não me atendeu e fazer uma confusão, tipo assim, isso é absurdo, é falta de respeito, não me ama." Invertendo as coisas.
Quando na realidade é falta de respeito de quem está a querer que pare o seu trabalho para dar uma atenção imediata.
São os relacionamentos abusivos.
Relacionamento com psicopata é sempre um relacionamento abusivo.
Voltando ao tema dos relacionamentos.
Exatamente. É sempre o relacionamento abusivo.
Porque tem uma pessoa que está ali aberta para amar com uma pessoa que nunca amará.
Então perguntou, não tem cura?
Não tem cura, porque na realidade é uma maneira de ser. Não é uma doença.
Ele sabe que é assim, gosta de ser assim,
e faz tudo para que o outro esteja subjugado.
E no momento em que o outro está subjugado, ele mantém aquilo ali como se fosse um, um território, como se fosse um quartel-general de apoio.
O que ele começa a fazer é a sedução em volta das outras pessoas.
Ali em cima do que gosto, sabe?
Só um instante.
É muito comum um psicopata, depois de ter o seu, o seu, o seu relacionamento dominado e bem estruturado, começar a seduzir literalmente toda a gente que está à volta.
Então, para manter a pessoa isolada.
Entendi.
Porque, a pessoa que está a relacionar-se com um psicopata, ela, ela sofre muito porque gosta dessa pessoa,
a pessoa a gostar dessa pessoa e ela faz com que essa pessoa
e e e o psicopata faz com que essa pessoa tenha esse sentimento de culpa também?
O tempo todo.
Por exemplo, um psicopata nunca erra.
O erro, seja qual for, vai para o outro.
Então ele vai fragilizando o outro, porque o outro vai-se sentindo um incapaz, uma pessoa que não tem nada de bom, porque no fundo, no auge.
da relação com o psicopata, a pessoa primeiro pensa que encontrou o melhor homem da sua vida, ou a melhor mulher da sua vida.
Fica grato por ter aquela coisa tão maravilhosa ao seu lado, não é?
E ele faz com que penses assim. Em compensação,
é, ainda não daquilo. Aquilo é uma personagem criada,
e eu acho que quem se apaixona por um psicopata, na realidade, apaixona-se por uma questão,
por aquela coisa que ele se apresentou, mas não é ele.
Na realidade, a grande, a grande dificuldade das pessoas que se apaixonam por um psicopata,
é, primeiro é admitir que aquilo que eles pensavam que era amor nem sequer existiu.
Porque é assim, não existe, não existe amor com quem não sente, ainda mais quem não sente amor, não é?
Para irmos terminando, vou trazer-lhe uma dúvida que ouvimos muito.
Às vezes as pessoas discutem na rua com alguém e dizem: 'É um psicopata!', não é?
E está muito na moda o termo psicopata social. Ele existe, esse psicopata social.
Está a trazer-me hoje, falámos um pouco sobre o psicopata afetivo.
Mas existe aquele psicopata que entra no meio das redes, do social, do convívio.
Mas aí ele, ele está, novamente, a fazer a mesma coisa, não é?
É um, é um ser que está a lançar as suas teias para, é, conectar pessoas para atingir os seus objetivos.
Então, nesse caso, o psicopata social, nada mais é do que o mesmo psicopata afetivo,
mas com um plano de expansão muito mais ousado,
porque é como se ele quisesse entrar numa rede de contactos de pessoas para alcançar situações,
não é? Conhecemos casos de psicopatas sociais que se fizeram passar por pessoas, filho de alguém muito famoso,
ou filho de gente muito rica e não eram nada disso.
E foram-se relacionando com as pessoas, e ninguém foi verificar se aquela pessoa era filho daquele, daquele que ele dizia ser filho,
e a coisa foi tomando um vulto no sentido até de a pessoa começar a entrar em festas e a identificar-se como filho de alguém e ninguém nunca foi verificar.
Então assim, vivemos numa sociedade de tanta superficialidade que as pessoas acreditam.
Acreditam nas mentiras. Um psicopata é uma pessoa que é um mentiroso, é ainda mais, é um mentiroso ainda mais.
Voltando um pouco a essa, a essa coisa do relacionamento afetivo,
às vezes vejo pessoas a dizer: 'Ah, mas estou a relacionar-me, ele está a estudar medicina,
de uma família maravilhosa.'
E depois de algum tempo, dizem: 'Não fazia nada. Nem passava à porta da faculdade.'
Mas porquê? Porque vivemos numa sociedade em que o que vale é o que a pessoa aparenta ser.
Não, é o que a pessoa diz que é e aparenta ser. E a questão é, nós confiamos,
será que também não estamos, é, é, a querer, é, acreditar?
Mas assim, não é questão de fazer ou não fazer medicina, não fazer direito ou não fazer direito.
Mas assim, é, para um psicopata mentir é uma coisa divertida, é um jogo.
É um jogo onde o outro cai e ele reafirma a sua inteligência, entre aspas.
Agora, para nós que ouvimos uma coisa, como é que uma pessoa que estuda medicina está sempre disponível?
Como é que uma pessoa que é um, é, é, trabalha no tribunal, tem sempre tanto tempo para estar em todas as rodas, para estar em todos os eventos sociais,
participar de tudo. Eu acho que também temos de desfazer esse princípio que está, o pensamento
Eu ainda não gravei, agora é aqui, não é?
É, a história pregressa, como é que se chama?
HPP, HPP, história patológica pregressa.
Eu preciso dizer.
História patológica pregressa. Meu povo, vamos procurar a história patológica pregressa dessas pessoas.
pessoas. Simples, não é?
Venha cá, quando vê um livro, lê o primeiro capítulo, lê o segundo, lê o terceiro.
Se não está a agradar, não vai para o quarto.
Exato.
As pessoas que entram na nossa vida são livros.
O primeiro capítulo agradou, o segundo, mas há ali algo que está errado.
Que não está a ir de encontro àquele livro.
Outra coisa. Sigam a intuição.
A nossa intuição não falha.
Porque muitas vezes se relaciona com um psicopata e há um dia em que se apanha uma mentira,
aquilo não ficou muito esclarecido, depois ele mudou de assunto e deixou passar.
Sabe aquela coisa?
Mas no fundo, a intuição está sempre a sinalizar, há uma coisinha errada, há uma coisinha.
E as pessoas não querem ver.
Porque querer ver é querer desfazer sonhos.
Mas aí não podemos construir.
É a necessidade de querer ter o outro, não é?
Eu acho que é ter para ter uma história.
Mas a questão é que essa história é um castelo de areia. Uma hora vai vir uma, vai derrubar.
Há uma coisa que acho tão bonita, que é assim, a paixão nasce do desconhecido, não é?
Mas o amor nasce, precisa de ter conhecimento para se amar.
Não posso amar uma pessoa que desconheço.
O passado, desconheço a essência.
Uma dica que deixo aqui: a fome.
Quando estamos com fome, compramos porcaria.
Cuidado.
Cuidado.