O Mistério do Astronauta Perdido
Descrição
Ao longo dos anos, diversas pessoas vieram a público relatar casos de pessoas perdidas no espaço - os astronautas perdidos. A maior parte desses casos refere-se a cosmonautas, os astronautas da então União Soviética, mas a questão que fica é: será que algum dia realmente perdemos alguém no espaço? AS MINHAS T-SHIRTS: https://bit.ly/CamisetasLoos Usa o cupom LOOS10 para ganhares 10% de desconto na tua primeira compra! Seja membro do nosso canal para ajudar a manter os vídeos no ar! http://youtube.com/cienciatododia/join E-mail comercial: pedro@play9.com.br As minhas redes sociais: http://instagram.com/pedroloos http://twitter.com/pedroloos https://www.tiktok.com/@opedroloos O nosso podcast: https://open.spotify.com/show/59fUC0CFgoMfiLDXCuhjUM Capítulos 0:00 - 1:59 Um Sinal Misterioso 1:59 - 5:14 Segredos da Guerra Fria 5:14 - 5:58 Loos 5:58 - 11:00 Os Cosmonautas Perdidos 11:00 - 13:33 Os Radioamadores Italianos 13:33 - 16:18 Investigações e Questionamentos Fontes e Leitura Adicional: https://en.wikipedia.org/wiki/Lost_Cosmonauts https://news.google.com/newspapers?id=2KIfAAAAIBAJ&sjid=49UEAAAAIBAJ&pg=6081,1801807 https://cdnc.ucr.edu/cgi-bin/cdnc?a=d&d=SCS19620223.1.20&e=-------en--20--1--txt-txIN-------- https://www.vice.com/en/article/qjd5dm/judica-cordiglia-brothers-were-eavesdropping-soviet-space-radio-transmissions-cries-for-help-mystery https://www.discovermagazine.com/the-sciences/the-enduring-myth-of-phantom-cosmonauts https://www.megacurioso.com.br/ciencia/117291-cosmonautas-perdidos-teoria-da-conspiracao-ou-nao.htm https://web.archive.org/web/20080609050446/http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2008/03/27/quarenta_anos_depois_morte_de_gagarin_permanece_um_misterio_1245925.html https://www.youtube.com/watch?v=nMtjDM7QpJk
Transcrição completa
28 de Novembro de 1960.
Dois italianos radioamadores vasculhavam na amplidão da noite
as frequências de rádio utilizadas pelos satélites da União Soviética.
Até que em determinado momento, o silêncio foi finalmente cortado por um ruído.
Uma espécie de código que se repetia várias e várias vezes.
O sinal tinha uma frequência cada vez menor e um comprimento de onda cada vez maior.
Com base no efeito Doppler, isso significava que o objeto, fosse ele qual fosse, estava a afastar-se da Terra.
Então, intrigados, os operadores analisaram o sinal e conseguiram decifrar o seu significado.
Era uma mensagem em código Morse que podia ser traduzida em apenas três letras:
S O S.
Esta é apenas uma das várias histórias que alimentam um mistério fascinante.
Um enigma que já foi tema de estudos, pesquisas e, claro, muitas teorias da conspiração.
Será que algum astronauta já se perdeu no espaço?
A famosa foto do astronauta americano Bruce McCandless deixa-nos maravilhados, mas também causa uma certa dose de pânico.
Imaginem estar completamente à deriva, envoltos pela escuridão, a ver a Terra a centenas de quilómetros distante dos vossos pés.
No caso dele, foi um movimento calculado, estava tudo sob controlo.
Ele voltou em segurança para a nave espacial e, pouco depois, para a Terra.
Mas será que algum ser humano já foi lançado em direção à vastidão do infinito e nunca mais voltou?
Existem muitas histórias sobre supostos astronautas perdidos, ou para ser mais preciso, cosmonautas perdidos.
A diferença, na verdade, é apenas o local na certidão de nascimento.
A palavra astronauta costuma ser utilizada para se referir a cidadãos dos Estados Unidos e da maioria dos outros países.
Já cosmonauta é quem nasceu na Rússia ou na antiga União Soviética.
E também há os taikonautas, que são os chineses que viajam ao espaço.
Mas seja qual for o nome, o facto é que existe uma série de relatos cercados de suspense sobre pessoas que teriam morrido de alguma forma no espaço,
e cujas histórias teriam sido encobertas pelas autoridades da Terra.
A maior parte destes casos teria acontecido durante a Guerra Fria.
Naquela época, o mundo estava em alerta máximo devido à tensão entre os Estados Unidos e a União Soviética.
Assim na Terra como no céu.
É que a corrida espacial começava a ganhar forma, e o universo tornava-se a nova trincheira na batalha entre as grandes potências globais.
Americanos e soviéticos disputavam quem conseguia os maiores avanços na exploração do universo.
E apesar de os Estados Unidos terem sido os primeiros a chegar à Lua em 1969, os soviéticos foram de certo modo os pioneiros em muitas outras conquistas antes disso.
Foram eles que enviaram o primeiro objeto a entrar em órbita, o Sputnik 1.
Foram eles que enviaram o primeiro homem ao espaço, Yuri Gagarin.
Foram eles que enviaram a primeira mulher ao espaço, Valentina Tereshkova.
E foram eles que enviaram o primeiro cão ao espaço, foi a cadela Laika.
Pobre Laika. Ela foi e nunca mais voltou.
Mas se por um lado os soviéticos foram pioneiros em várias coisas fixes no espaço, eles também foram os primeiros nas grandes tragédias.
A primeira morte numa missão espacial, por exemplo, foi a do cosmonauta Vladimir Komarov, na Soyuz 1, em 1967.
O paraquedas da cápsula dele não funcionou na reentrada na atmosfera e ela chocou com toda a velocidade contra o solo da Terra.
Alguns anos depois, em 1971, mais uma tragédia soviética.
E mais uma vez na hora de reentrar na atmosfera: a cápsula da Soyuz 11 sofreu uma despressurização e os três cosmonautas que estavam a bordo morreram no local.
E por causa desse risco de fracassos, era comum que os governantes da época não informassem com antecedência sobre as missões espaciais.
Muitas vezes elas só eram divulgadas depois de o foguete já ter inclusive deixado a atmosfera.
E aí se desse tudo certo, ótimo! Mas se algo desse errado, as autoridades disfarçavam e davam alguma outra designação para não ter de admitir que houve uma tragédia no programa espacial.
E isso porque um dos elementos mais importantes na Guerra Fria era a propaganda. Qualquer sinal de derrota poderia ser exposto pelo outro país e usado para desmoralizar o regime adversário.
E por isso houve uma série de casos suspeitos que as autoridades soviéticas tentaram varrer para debaixo do tapete.
E o mais grave de todos, certamente, foi o da catástrofe de Nedelin, em 1960.
Esta catástrofe foi uma grande explosão que aconteceu enquanto um míssil estava a ser preparado para o lançamento.
A União Soviética tentou abafar o caso e até hoje não se sabe exatamente quantas pessoas morreram, mas estima-se que tenha sido algo entre 60 e 150.
E existem também outros casos simbólicos. A morte do próprio Yuri Gagarin, a primeira pessoa a ir ao espaço, é até hoje cercada de mistérios.
Ele faleceu em 1968 num acidente de avião cujas causas nunca foram totalmente esclarecidas.
Outra morte enigmática entre soviéticos nos anos 60 foi a de Valentin Bondarenko, vítima de um incêndio numa câmara à prova de som durante testes de resistência para o espaço.
O governo proibiu qualquer notícia sobre o assunto na época, e os pormenores da tragédia só foram divulgados 25 anos depois.
Então todo este mistério envolvendo o programa espacial soviético impulsionou de certo modo o surgimento de teorias da conspiração.
Algumas delas, inclusive, sobre os supostos cosmonautas perdidos. E são essas histórias que vamos investigar a partir de agora.
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Agora de volta ao vídeo e às investigações, será que a história do astronauta perdido tem um fundo de verdade?
Um dos casos mais famosos foi o de Grigory Nelyubov. Ele foi selecionado para a primeira turma soviética de cosmonautas.
O grupo posou para uma série de fotos que foram divulgadas pelo governo.
Esta foi uma das fotos tiradas na época. Acontece que, tempos depois, esta outra foto também foi divulgada.
Reparem que é a mesma imagem, mas uma das pessoas foi simplesmente apagada da imagem original.
Esse homem era Grigory Nelyubov. A União Soviética disse que ele se tornou um militar indisciplinado e que gostava de uma bebedeira. Então ele seria um mau exemplo a seguir e, por isso,
os soviéticos optaram por excluir a sua imagem da história, como se nunca tivesse existido.
Alguém aí se lembra do vídeo sobre damnatio memoriae? Esta história para lá de estranha foi um prato cheio para os teóricos da conspiração
questionarem se Grigory não tinha sido, na verdade, um cosmonauta que morreu no espaço. A União Soviética garantiu que não,
e disse que ele foi transferido para uma base remota na Sibéria e morreu atropelado por um comboio.
Ah, pois! Super normal. Obrigado por esclarecerem. De qualquer forma, este foi apenas um dos vários casos suspeitos de cosmonautas perdidos.
Aliás, uma outra história famosa envolve não um, mas quatro cosmonautas.
A notícia saiu neste jornal americano de 1959, ou seja, antes da viagem inaugural de Yuri Gagarin.
E no jornal é relatado que "fontes de confiança" na então Checoslováquia
garantiam que os russos tinham feito quatro tentativas, em vão, de mandar uma pessoa para o espaço, e que uma dessas pessoas, inclusive, seria uma mulher.
Todos estes cosmonautas teriam morrido.
Mas um jornalista especializado em cobertura espacial descobriu que, na verdade, se tratava de um grupo de paraquedistas de grandes altitudes que nunca sequer tinham ido para o espaço.
Mais alguns anos, e mais um boato de cosmonauta desaparecido. Tudo começou quando faltavam poucos dias para o lançamento do foguete de Yuri Gagarin.
Na ocasião, a União Soviética divulgou que um outro militar de alta patente, Vladimir Ilyushin,
tinha-se envolvido num grave acidente de carro. Mas um tabloide britânico publicou que esta história seria falsa, e que na verdade Vladimir estaria numa viagem espacial que fracassou alguns dias antes.
O boato ganhou novas versões, inclusive de que a nave dele teria caído na China e que as autoridades locais teriam encoberto o acidente.
Mais uma vez, especialistas em exploração espacial reviraram toda a bibliografia disponível sobre o assunto,
e garantiram que tudo não passou de um boato plantado nos jornais da época. Pelo visto, aliás, as fake news já vêm de há muito tempo.
É que a guerra de narrativas entre os Estados Unidos e a União Soviética levava histórias sem qualquer comprovação às páginas dos jornais,
que muitas vezes compravam a versão do governo sem apurar devidamente as informações.
Querem mais um exemplo? Olhem para esta notícia de 1962: "Soviéticos podem ter cadáver em órbita".
No texto, o porta-voz da defesa aérea americana disse que os soviéticos colocaram o "primeiro caixão cósmico no cemitério celestial".
Falou muito bonito, mas também disse asneiras. De acordo com a biografia de Yuri Gagarin,
o mais provável é que o tal cosmonauta fosse, na verdade, um boneco: Ivan Ivanovich,
que era precisamente um manequim usado pelos soviéticos em testes espaciais.
Ele viajava acompanhado de uma gravação com voz humana para testar se o rádio estava a funcionar. E esta história inclusive lembra uma das partidas mais históricas já feitas pelos soviéticos.
Em 1968, quando ainda faltava um ano para um ser humano pisar a Lua, a União Soviética lançou a primeira nave espacial que deu uma volta completa à Lua.
Era a Zond 5, que era uma nave não tripulada — exceto por algumas plantas, uns ovinhos de mosca
e também por duas tartarugas. Mas enfim, não tinha seres humanos.
Mas os cosmonautas aqui na Terra, aparentemente com muito tempo livre, decidiram pregar uma partida aos americanos.
Eles sabiam que os Estados Unidos estavam sempre a intercetar sinais de rádio, então deixaram um áudio pré-gravado a tocar durante a missão.
"O voo está a decorrer de acordo com o normal. Estamos a aproximar-nos da superfície da Lua!"
A brincadeira deixou os americanos em pânico porque acharam que os soviéticos estavam a chegar à Lua antes deles.
A história chegou até ao presidente dos Estados Unidos. E sabem o que ele disse?
Para eu voltar ao tema do vídeo! Isso porque uma outra história de cosmonauta perdido também surgiu através de uma partida.
Foi uma lenda criada pelo artista concetual espanhol Joan Fontcuberta.
Este nome soa estranhamente estranho.
Ele fez uma exposição em vários países sobre um suposto astronauta perdido chamado Ivan Istochnikov.
E tudo era uma piada. Istochnikov significa precisamente Fontcuberta, como o apelido dele.
E as fotos do astronauta eram uma montagem com o rosto do próprio artista.
Mesmo assim, os seres humanos não desapontam. Alguns jornais não entenderam o objetivo da exposição —
eu também não entendi, vou ser sincero convosco. Mas o facto é que vários órgãos de comunicação social chegaram a noticiar o caso como se fosse verdadeiro, dando origem a mais um boato.
Mas de todas as histórias de cosmonautas perdidos, deixei a mais famosa para o final.
Se bem que abri o vídeo com ela.
Mas agora vou explicar melhor quem eram aqueles dois radioamadores italianos que intercetaram o sinal misterioso vindo do espaço.
Eles eram os irmãos Giovanni e Achille Judica-Cordiglia.
Eles eram jovens fascinados pela tecnologia do rádio. Construíram no próprio terraço um equipamento para captar ondas de rádio.
A história deles é contada no documentário chamado "Space Hackers". O filme está disponível gratuitamente no YouTube, mas com narração em inglês, entrevistas em italiano e as legendas são em holandês.
Mas que há no YouTube, há! No filme eles contam que tudo começou como uma grande brincadeira até ao dia que mudou para sempre a vida dos dois:
o lançamento do Sputnik 1. Os irmãos encontraram a frequência correta e gravaram este áudio.
Daí em diante, passaram a monitorizar a atividade espacial soviética de dentro da própria casa.
Na vez do Sputnik 2, gravaram o que, segundo eles, seriam os batimentos cardíacos da cadela Laika.
Mas foi alguns anos depois, em 1960, que receberam o primeiro sinal supostamente de um cosmonauta perdido.
Foi o pedido de socorro em código Morse que mostrei no início do vídeo. Este aqui.
Arrepiante. E depois disso, os irmãos dizem que gravaram ainda outras possíveis evidências de cosmonautas secretos.
Em 1961, por exemplo, os radioamadores capturaram o que seria um batimento cardíaco acelerado, desta vez de um ser humano,
acompanhado de uma respiração ofegante de uma pessoa no espaço.
Coincidência ou não, dois dias depois dessa transmissão, as autoridades soviéticas admitiram que tinham colocado em órbita uma nave espacial
de 12 metros e 7 toneladas, supostamente não tripulada, mas que acabou por se incendiar.
Hum... Suspeito, União Soviética.
Os irmãos então decidiram melhorar os equipamentos para conseguir gravações de maior qualidade. Eles passaram a operar em Torre Bert,
um bunker desativado da Segunda Guerra Mundial. E então capturaram a gravação mais chocante de todas:
uma voz feminina que seria de uma cosmonauta a gritar desesperadamente por socorro.
E precisamente por ser a gravação mais chocante, foi também a que mais levantou suspeitas.
Os irmãos italianos foram acusados de ter forjado o áudio. Nunca houve uma investigação formal do caso,
mas alguns pontos provocaram dúvidas sobre a gravação. O primeiro é o facto de nenhuma outra autoridade
de nenhum outro país ter sido capaz de intercetar essa transmissão. Será que com todo o aparato do serviço de informações dos Estados Unidos em plena Guerra Fria,
somente dois jovens radioamadores italianos é que iam fazer essa descoberta?
Além disso, a comunicação feita pela suposta cosmonauta não seguiu nenhum protocolo oficial: ela não se identifica no início da transmissão
e também não usa uma linguagem técnica. Tudo bem que se eu estivesse numa nave espacial em chamas, a despenhar-me em direção à Terra,
eu talvez não me preocupasse muito com isso também. Mas ainda existem outras evidências de fraude.
Naves espaciais não conseguem comunicar durante a reentrada na Terra.
A compressão da cápsula contra a atmosfera gera uma camada de ar ionizado. E isso interfere nos sinais de rádio
e provoca um apagão na comunicação. E por isso o regresso de astronautas para a Terra é sempre cercado de minutos de silêncio e tensão.
Os irmãos até podem alegar que a gravação teria sido feita um pouco antes dessa fase, mas ainda assim existem outros questionamentos.
Um deles é sobre a cápsula: onde teria ela caído? E o outro é sobre a voz da cosmonauta.
O russo que ela fala tem um sotaque que não é de quem nasceu na Rússia. Acho que é por isso que não entendi nada do que ela fala.
E isso deixa tudo ainda mais suspeito porque — atenção ao plot twist — os irmãos radioamadores têm uma irmã
que fala russo! Ela alega que aprendeu o idioma precisamente para ajudar os irmãos nas traduções,
mas no meio de tantas suspeitas... É, é muito suspeito.
Por isso há quem acredite que ela própria poderia ter interpretado o papel da cosmonauta em apuros.
Ou seja, tudo seria uma grande encenação.
O grande problema é que todas estas dúvidas acabam por colocar em causa a veracidade não apenas deste caso da cosmonauta perdida,
mas de todo o material produzido pelos radioamadores italianos. Embora o que eles tenham seja um arquivo muito interessante
para análise e debate, nós não temos como comprovar, no final de contas, a veracidade dessas gravações.
A conclusão a que podemos chegar é que, a menos que tenha havido algum caso tão bem ocultado e que, portanto, nunca tenha sido descoberto,
o mais provável é que todas as histórias de cosmonautas perdidos que já ouvimos sejam falsas.
Muito provavelmente todas elas são teorias da conspiração fruto de um mal-entendido ou da imaginação muito criativa de alguém.
E espero ter elucidado a dúvida do astronauta perdido para vocês.
Muito obrigado e até à próxima!