6 principais causas de CANSAÇO no TDAH
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O PHDA cansa e cansa muito.
E este cansaço, além de ser muito intenso, é muito comum em quem tem a perturbação.
Se também sente isso, fique comigo até ao final porque vamos esmiuçar as principais causas e depois vou falar algumas estratégias que pode usar para melhorar isso.
Mas antes, gostaria de me apresentar. O meu nome é Bruno Terra Júnior, sou médico psiquiatra e trabalho com adultos com PHDA.
No meu consultório, observo que a fadiga é uma queixa extremamente comum.
Isso está muito bem alinhado com os estudos que demonstram que 62% das pessoas com PHDA queixam-se de ter níveis de fadiga bem elevados.
E geralmente, este fenómeno é bem complexo com a ocorrência de vários fatores que vão estar a interferir combinadamente para o desenvolvimento deste quadro.
E as consequências, você sabe bem, prejuízo no trabalho e na qualidade de vida.
Então, vamos lá, vamos analisar quais são as principais causas e o que a ciência diz a respeito.
E a primeira causa, teremos os baixos níveis de dopamina e noradrenalina.
Uma das principais causas de cansaço em quem tem PHDA são os baixos níveis desses neurotransmissores em várias áreas do cérebro, mas principalmente numa região chamada córtex pré-frontal.
Esta região está relacionada com a execução de diversas funções muito importantes no nosso cérebro, como a manutenção da atenção, o planeamento e o controlo dos impulsos.
E estes dois neurotransmissores também são responsáveis pelo controlo dos níveis de energia e também do estado de alerta. Assim, baixos níveis deles, como acontece em pessoas com PHDA,
farão com que se sintam mais cansadas, sonolentas e com baixa disposição.
E como segunda causa, temos o sono de baixa qualidade.
Sabe aquela sensação de cansaço extremo depois de uma noite de sono mal dormida? Imagine viver com isso regularmente. No PHDA, isso é a realidade para muitas pessoas.
E o impacto da perturbação na qualidade do sono é uma das causas mais frequentes de cansaço. Isso não é apenas sobre dormir pouco, mas também sobre a qualidade do sono em si.
Teremos, assim, com frequência, dificuldade para iniciar o sono, sono entrecortado, despertares precoces, queixas muito comuns em quem tem PHDA.
E isso acaba por prejudicar não só o estado físico, mas também o estado emocional e mental.
Um estudo publicado na Sleep Medicine Review em 2021, mostrou que até 50% das pessoas com PHDA terão alguma perturbação do sono.
Imagine, além de ter que enfrentar os desafios do PHDA, essas pessoas também terão que lidar com as consequências de ter uma noite de péssima qualidade.
Isso causará cansaço adicional, dificuldade em controlar a concentração e também em digerir as próprias emoções.
E o sono é tão importante para quem tem PHDA que jamais pode ser negligenciado, tanto em termos de qualidade, quanto em termos de duração.
E a terceira causa é a sobrecarga cognitiva.
Quero que imagine carregar uma mochila cheia de pedras o dia inteiro. E essa é uma sensação constante de quem tem PHDA quando vai concentrar-se ou quando precisa organizar-se para alguma tarefa mais complexa.
Essa sobrecarga cognitiva é um fator muito importante para o cansaço mental de quem tem PHDA e é muito importante entender para saber como lidar com isso.
E uma coisa que vejo os meus pacientes relatarem com muita frequência é que o cérebro de quem tem PHDA nunca para completamente. Mesmo em momentos de pausa, a mente fica ativa, cheia de ideias, preocupações, de tarefas inacabadas, é uma mente muito barulhenta e que nunca descansa.
E este fluxo constante de pensamentos vai criar uma sensação de grande cansaço mental contínuo.
É como se o cérebro da pessoa com PHDA permanecesse sempre ligado, sem um momento de desconexão e de alívio.
E além disso, manter o foco numa tarefa simples pode ser muito exaustivo, como se fosse correr uma maratona. Concentrar exigirá um esforço desproporcional e, como resultado, a energia mental irá esgotar-se cada vez mais.
O combustível vai acabar antes do esperado. Aí vem a frustração e o esgotamento.
E para complicar, o caos organizado típico de quem tem PHDA também contribui para este cenário. Viver entre lembranças esquecidas, compromissos atrasados, pilhas de tarefas, criará uma sensação de pressão constante.
E quando consegue vencer a procrastinação, tem de correr para terminar tudo a tempo, o que cria um ciclo de stress. Essa montanha-russa emocional vai drenar a energia e perpetuar a exaustão da pessoa.
Outra causa muito importante é a desregulação emocional. Quem tem o quadro sabe como é desafiador lidar com as emoções intensas.
E dependendo, até desproporcionais em relação ao contexto. Isso pode vir acompanhado de muita irritação, euforia, oscilações de humor, e este ciclo fará com que a pessoa entre num verdadeiro estado de exaustão emocional.
Esta instabilidade emocional não afetará apenas a pessoa com PHDA. Acabará também por atrapalhar os relacionamentos desse indivíduo e criar uma sensação de isolamento e, dependendo, até de incompreensão.
E isso por si só também gera uma carga emocional. Estes sentimentos intensos e frequentes acabarão por drenar os recursos mentais da pessoa, fazendo com que ela fique com uma sensação de completo esgotamento.
A quinta causa são as comorbilidades psiquiátricas e clínicas.
Outro fator muito significativo para o cansaço é a forma como a presença de comorbilidades, muito comuns em quem tem PHDA, pode contribuir para essa sensação. E teremos comorbilidades tanto no eixo psiquiátrico, quanto neste eixo clínico.
No campo psiquiátrico, as comorbilidades, principalmente ansiedade e depressão, são questões muito comuns em quem tem o quadro.
Para ter uma ideia, a ansiedade pode deixar a mente em constante estado de alerta, dificultando o relaxamento, inclusive atrapalhando o sono da pessoa.
E é muito comum que nos quadros de depressão, eles venham acompanhados de uma sensação de grande cansaço e de falta de energia.
Também não podemos esquecer das comorbilidades físicas. Algumas condições como apneia do sono, enxaqueca e distúrbios metabólicos, como obesidade e diabetes, são muito mais comuns em quem tem PHDA, também contribuem significativamente para essa sensação de cansaço.
Por exemplo, a apneia do sono vai gerar diversos despertares e microdespertares na noite de um indivíduo, fazendo com que o sono fique bem fragmentado, mais superficial e de péssima qualidade.
E por último, os hábitos e o estilo de vida da pessoa, eles vão estar diretamente relacionados com a sensação de energia e disposição.
Assim, uma alimentação irregular, a falta de atividade física e os níveis elevados de stress, aumentarão o cansaço para todos.
Mas especificamente para quem tem PHDA, terão um efeito muito maior.
Manter uma alimentação equilibrada é um verdadeiro desafio para quem tem PHDA. A impossibilidade, a falta de planeamento farão com que haja escolhas alimentares ruins e que o indivíduo acabe por saltar refeições.
E a ausência de alguns nutrientes essenciais irá interferir diretamente na sensação de energia e nessa perceção de fadiga.
O sedentarismo também é uma causa muito importante de cansaço e a atividade física é fundamental para quem tem PHDA.
O exercício físico, além de ajudar na melhoria do condicionamento físico, também atuará melhorando a qualidade do sono, a regulação do humor.
Se se identificou com algum destes fatores que mencionámos aqui, saiba que não precisa enfrentar tudo isso sozinho.
O auxílio profissional é essencial para melhorar a vida e a qualidade de quem tem PHDA.
E o tratamento do PHDA é essencial na melhoria dos sintomas do quadro e nas consequências que ele trará, como a desorganização, a procrastinação.
E o tratamento não envolverá apenas medicamentos. Nem todos os pacientes precisarão de medicamentos.
Dependendo do caso, o tratamento envolverá a utilização de medicamentos que procurarão normalizar os níveis de dopamina e noradrenalina no cérebro do indivíduo. Isso ajudará na melhoria da concentração, do foco, no controlo das emoções e na melhoria do planeamento.
A psicoterapia irá proporcionar que o indivíduo desenvolva ferramentas para lidar com as dificuldades que encontra no dia a dia.
E também é fundamental a identificação das comorbilidades físicas e psiquiátricas que contribuem muito para essa sensação de cansaço.
Em alguns casos, serão necessários exames para investigar algumas causas de fadiga. A título de exemplo, determinadas deficiências de enzimas, anemia, deficiência de vitaminas, um funcionamento inadequado da tiroide, como no hipotiroidismo, são causas comuns que exigirão acompanhamento e abordagens muito específicas.
Outro ponto crucial é a construção e o desenvolvimento de hábitos de vida saudáveis. E o profissional de saúde que o acompanha deve ajudar a estabelecer essas rotinas de forma a propiciar uma alimentação equilibrada.
A prática regular de atividade física, a melhoria na qualidade do sono e também técnicas para lidar com o stress.
E esses hábitos estarão aliados com a medicação, quando esta for necessária. E a psicoterapia terá um impacto muito significativo na melhoria, na qualidade de vida e na redução dessa sensação de cansaço.
E gostaria que se lembrasse, procurar ajuda é um ato de cuidado consigo mesmo.
Não é sobre ser perfeito, mas para criar condições para que possa viver da melhor maneira possível, com mais equilíbrio e bem-estar. Merece sentir-se bem e ter mais energia para aproveitar a vida ao máximo.
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