O TEMPO & A VIDA - #cortella
Descrição
O TEMPO E A VIDA - CORTELLA Há pessoas que esquecem algo decisivo! A vida é muito curta para ser pequena, dura em média 75 anos, 75! É pouco, é pouco e ainda como encrenca dividido em três grandes ciclos do 0 aos 25 já está montando sua estrutura física, psíquica e relacional, cognitiva reprodutiva, hormonal, a ............. https://www.youtube.com/channel/UCx25wyyJ-UJgMMmNd1DpxHA ✔️ Inscreva-se; ✔️ Ativa o sininho (para receber as notificações dos vídeos); ✔️ Deixa o seu like (👍); ✔️ Compartilhe. Créditos: @CanaldoCortella #mariosergiocortella
Transcrição completa
Há pessoas que se esquecem de algo decisivo.
Depois vai-se embora.
Se for descuidado, desperdiçou.
Já imaginou? Então vou largar tudo e vou viver na ilha do Mel, em Jericoacoara.
Não é? Vou ficar lá no Bonete, na Ilhabela, nunca mais ninguém me vai tirar.
Não é disso que estou a falar.
Estou a falar de ser importante onde está.
Na sua família, na sua escola, no seu trabalho, na empresa.
Na sua comunidade.
Não é largar, não estou a falar de desistência.
Estou a falar de persistência.
Que é outra coisa.
É claro.
Dos zero aos 25, monta.
Dos 50 aos 75, sabe, estou nesta fase.
Cada dia no meu pequeno-almoço tem menos comida e mais caixinha de medicamentos.
Vai atravessar uma rua em São Paulo, vai, vê um carro, diz, seja o que Deus quiser.
Estão a rir?
Cada dia tem menos bíceps e mais pânceps.
Mulheres, não se riam.
Um dia vão ser atingidas e encher pela lei da gravidade.
Tudo vai apontar em direção ao solo.
Vai ter que escorar com veneno botulínico.
Vai entrar na fase que chamamos de California Dreams, que é de mamas and the papas.
Estão a rir?
É? Porque é que nos rimos?
Sabe porquê?
Porque faz escuro, mas eu canto.
Faça por merecer.
Olhe só.
Dos zero aos 25, monta, e depois, claro.
Vou contar uma história, ela é um pouco politicamente incorreta, mas serve para ilustrar isso.
Um grupo de rapazes, aos 20 anos de idade, sentados num bar à noite, a beber uma cerveja.
Aí um vira-se para os outros e diz assim: 'Gente, ouvi, conheci uma rapariga'.
Isso aos 20 anos de idade.
Aos 40 anos de idade, o mesmo grupo está sentado, o tipo disse assim: 'Gente, mas eu conheci um restaurante'.
Aos 60, o mesmo grupo está ali, o tipo diz: 'Gente, mas eu conheci um médico'.
Vai alterando a referência em algumas situações.
Temos um problema adicional.
A vida dura em média 75 anos e somos um animal que dorme demais.
Dorme demais.
Há pessoas que dormem 8 horas num dia.
Isso dá um terço do dia.
Num dia de 24, um terço do dia, o que significa que numa vida de 75 anos, dorme 25 anos.
25 anos a dormir.
Aí encontra uma pessoa numa segunda-feira, diz: 'O que fez no fim de semana?'
'Uhm, aproveitei e dormi direto'.
Estou louco para chegar o feriado para dormir três dias, paizinho.
Parabéns, chama-se animal racional.
Já pensou?
Somos um animal que dorme demais.
Temos outro problema: somos um animal que come demais.
Somos o único animal, o único, que faz uma coisa que nenhum outro faz.
Comemos sem ter fome e transamos sem estar no cio.
Isso é uma característica só nossa.
Somos o único animal em que a natureza não dá todas as ordens.
Por isso é que somos livres.
Somos capazes, por exemplo, de fazer sexo sem estar no cio.
Que é uma coisa só nossa e de alguns primatas, mas somos um outro primata, e isso só nós fazemos.
O único que come sem estar com fome.
É de tal forma que acabou de jantar, se passar e tiver um pão de queijo, vai e pega.
Tem uma bolachinha, vai.
Alguém lhe oferece um amendoim, aceita.
Aliás, há uma história antiga que diz que a pessoa mais corajosa do mundo, o maior ser corajoso do mundo, é a pessoa que aceita um só amendoim.
A pessoa dá, ele pega, diz que 'não, obrigado, estou satisfeito'.
Um sinal de valentia.
Somos um animal que come em média 1,5 kg por dia de alimentos.
1,5 kg por dia.
Diz: 'Não, claro'.
Um copo de água com 500 ml tem 500 gramas.
Se eu beber três desses num dia, já bebi 1,5 kg.
1,5 kg por dia de sólidos, líquidos e gasosos.
Houve quem tomasse o pequeno-almoço, comeu um lanche antes do meio-dia, almoçou, tomou um lanche à tarde.
Já jantou, está louco para jantar e ainda vai comer alguma coisa antes de dormir para não acordar com fome no meio da noite.
1,5 kg por dia.
Como há fome no planeta, ainda, mas não para sempre, significa que vários de nós comemos mais, é claro, senão não daria essa média.
1,5 kg por dia de alimentos, ao final de uma vida de 75 anos, dá 42 toneladas de alimentos.
E enquanto estiver vivo ou viva, terá comido 42 toneladas de alimentos.
Sólidos, líquidos e gasosos.
A questão é que somos um animal que não tem só sistema digestório, temos sistema excretório também.
E para o planeta não sair do eixo, a lei de Lavoisier tem que imperar.
Por isso cada um de nós também liberta diariamente 1,5 kg de dejetos.
Sólidos, líquidos e gasosos.
O que significa que ao final de uma vida, terá deixado 42 toneladas de excrementos.
Quando se for, o universo não será mais o mesmo.
Terá deglutido 42 toneladas e deixará como herança às próximas gerações 42 toneladas de dejetos.
Qual é a sua obra?
Sabe que há gente que mata, liquida, humilha, destrói, só para poder dormir mais do que é necessário, comer mais do que precisa e excretar em casas de banho especiais.
Interessante.
Os programas de TV que fazem mais sucesso são aqueles que mostram as pessoas a comer, a beber e a excretar, trancados em lugares.
A comer, a beber e a excretar.
A pessoa diz que não tem uma hora por dia, uma hora por dia, para ver a lua, fazer uma oração, cantar, ler alguma coisa, fazer um trabalho de voluntariado.
Mas tem uma hora por dia para ficar parado, a ver na TV pessoas a comer, a beber e a excretar pelos sete ou oito orifícios que tem.
As revistas que mais vendem são as que mostram os chiques e famosos nas suas camas, nas suas mesas e nas suas casas de banho.
Isso é o reino da mediocridade.
Depois morre.
Sabe o que é que diz na hora em que está a morrer?
Escrevi isso no livro 'Qual é a sua obra?'
Gosto dessa perspetiva de pensar.
Sabe o que a pessoa diz quando está a morrer?
Quem aqui é médico ou médica sabe disso.
Ela não se agarra à sua mão e diz assim: 'Doutor, pelo amor de Deus, deixe-me viver mais um dia que quero mandar em mais gente'.
Doutor, por favor, deixe-me viver mais uma hora que quero humilhar mais algumas pessoas.
Doutor, pelo amor de Deus, deixe-me viver mais uma semana que quero estragar um pouco mais o meio ambiente.
Sabe o que as pessoas dizem quando estão a morrer?
Quem aqui é da área sabe.
Ela agarra-se à sua mão e diz: 'Doutor, pelo amor de Deus, deixe-me ficar vivo mais um dia só para abraçar o meu irmão com quem briguei há 10 anos e nunca mais nos falámos'.
Doutor, por favor, deixe-me ficar vivo mais um pouco só para poder brincar com os meus filhos que achei que não tinha tempo.
Doutor, por favor, deixe-me ficar vivo só mais um pouco só para poder dizer à minha mulher o quanto a amo, porque achei que se falasse muito isso, ela ia ficar mal-acostumada.
O que é verdade.
A vida é muito curta para ser pequena.
Dura, em média, 75 anos.
75.
É pouco.
É pouco.
E ainda com um problema.
Dividida em três grandes ciclos.
Dos zero aos 25, está a montar-se.
A sua estrutura física, psíquica, relacional, cognitiva, reprodutiva, hormonal.
Dos 25 aos 50, está a reproduzir outros humanos e a trabalhar em alta intensidade.
E dos 50 aos 75, prepara-se para o check-out.
O desembarque aproxima-se.
Cada dia começa a desativar mais aplicações.
Dos zero aos 25, monta.
Dos 50 aos 75, desmonta.
Pelo meio, trabalha muito, estuda muito, assiste a palestras.