Industrial vintage com tipografia brutalista moderna.

Growth, Cities, and Immigration: Crash Course US History #25

Descrição

Neste episódio, John Green fala sobre a imigração em massa para os Estados Unidos no final do século XIX e início do século XX. Durante este período, imigrantes de todo o mundo afluíram aos EUA. Milhões de europeus mudaram-se para o país, impulsionando o crescimento das cidades e assegurando a mão-de-obra para a rápida industrialização que ocorria. No oeste dos EUA, chegaram muitíssimos imigrantes chineses para trabalhar nos caminhos-de-ferro e nas minas. Como é habitual nos Estados Unidos, as pessoas que já lá viviam reagiram de forma negativa a este fluxo de imigrantes. Alguns legisladores tentaram travar a chegada de novos habitantes, com resultados mistos. Grover Cleveland vetou uma proibição geral à imigração, mas a liderança da época conseguiu unir-se para aprovar uma lei de imigração anti-chinesa. Os imigrantes venceram algumas decisões importantes no Supremo Tribunal que defendiam os seus direitos, mas, em muitos aspetos, foram tratados como cidadãos de segunda classe. Ao mesmo tempo, o país urbanizava-se rapidamente. As cidades cresciam a um ritmo elevado e a tecnologia industrial desenvolvia prodígios constantemente. John abordará toda esta agitação e mudança, e recordará um tempo em que o perfilamento racial se resumia, de facto, a analisar o perfil do rosto de alguém. Olá, professores e alunos - Consultem a coleção gratuita de textos e recursos curriculares da CommonLit para saberem mais sobre os acontecimentos deste episódio. À medida que a América se industrializava e a manufatura crescia, uma vaga de novos imigrantes chegou à América em busca de oportunidades de emprego: https://www.commonlit.org/texts/the-rush-of-immigrants Os imigrantes entravam frequentemente através da Ellis Island, em Nova Iorque, onde a Estátua da Liberdade ostentava a icónica frase "Dai-me os vossos fatigados, os vossos pobres": https://www.commonlit.org/texts/the-new-colossus Os imigrantes sofreram choques culturais e duras condições de vida durante este período, conforme documentado em memórias posteriores como "America and I": https://www.commonlit.org/texts/america-and-i Chapters: Introduction 00:00 The Agricultural Golden Age 0:39 Americans Move to Cities 1:54 New York City & Chicago 2:41 The Rise of Immigration 3:21 Immigrant Cities 4:05 Southern & Eastern European Immigrants 5:30 Chinese Immigrants 6:31 Mass Immigration: A Global Phenomenon 7:44 Mystery Document 8:34 Why Did Immigrants Come to America? 9:36 Living Conditions in Immigrant Cities 10:02 Wealth Segregation 11:00 Credits 12:12 Crash Course is on Patreon! You can support us directly by signing up at http://www.patreon.com/crashcourse Want to find Crash Course elsewhere on the internet? Facebook - http://www.facebook.com/YouTubeCrashCourse Twitter - http://www.twitter.com/TheCrashCourse Instagram - https://www.instagram.com/thecrashcourse/ CC Kids: http://www.youtube.com/crashcoursekids

Transcrição completa

Olá, sou o John Green, isto é o Crash Course de História dos EUA, e hoje vamos continuar o nosso olhar aprofundado sobre o Capitalismo Americano.

Sr. Green, Sr. Green, desculpe, está a dizer que quando crescer vou ser um instrumento da burguesia?

Oh, não apenas um instrumento da burguesia, meu eu do passado, mas um membro oficial dela.

Quero dizer, tens empregados cujo trabalho podes explorar porque és proprietário dos meios de produção,

que no teu caso incluem um quadro de giz, uma câmara de vídeo, uma secretária e um globo xenófobo.

Enquanto isso, o Stan, a Danica, o Raoul e a Meredith mourejam na pobreza esmagadora.

Stan, escreveste esta parte? Isto são tudo mentiras! Venha o genérico!

Na semana passada, vimos como a agricultura comercial transformou o Oeste americano e nos deu cowboys míticos e reservas indígenas infelizmente não tão míticas.

Hoje deixamos os campos e seguimos para as cidades, como tantos americanos e imigrantes fizeram ao longo da história desta nação.

Quer dizer, podemos gostar de imaginar que a história da América é toda "Vai para Oeste, meu jovem", mas de facto,

de Mark Twain a praticamente qualquer hipster de Brooklyn, é o oposto.

A população estava a crescer em todo o lado na América depois de 1850. Após uma grande crise económica na década de 1890,

os preços agrícolas recuperaram, e isso atraiu cada vez mais pessoas para Oeste para participar naquilo que viria a ser chamado a Era Dourada da agricultura.

Embora, para ser justo, a verdadeira era dourada da agricultura tenha sido por volta de 3000 a.C., quando os Mesopotâmicos disseram:

"Pá, se plantássemos isto em fileiras, teríamos mais do que aquilo que conseguimos comer."

Portanto, foi na verdade mais uma segunda era dourada. Mas enfim, mais de um milhão de reivindicações de terras foram submetidas ao abrigo do Homestead Act na década de 1890, e entre 1900 e 1910,

as populações do Texas e do Oklahoma juntas aumentaram em quase dois milhões de pessoas.

E outras 800 000 pessoas mudaram-se para o Kansas, as Dacotas e o Nebraska. É verdade, as pessoas mudaram-se para o Nebraska.

Desculpem, ainda não tinha ofendido os habitantes do Nebraska. Estou a tentar percorrer a lista antes do fim do ano.

Mas uma das razões centrais pelas quais tantas pessoas se mudaram para Oeste foi que a procura de produtos agrícolas estava a aumentar devido ao crescimento das cidades.

Em 1880, 20% da população americana vivia em cidades e havia 12 cidades com uma população superior a 100 000 pessoas.

Isto subiu para 18 cidades em 1900, com a percentagem de residentes urbanos a subir para 38%.

E em 1920, 68% dos americanos viviam em cidades, e 26 cidades tinham uma população superior a 100 000.

Assim, nos 40 anos por volta da viragem do século XX, a América tornou-se a maior potência industrial do mundo e passou de predominantemente rural a maioritariamente urbana.

Isto é, para usar um termo técnico de historiador, algo extremamente importante.

Porque não tornou apenas as cidades possíveis, mas também os seus produtos.

Não é coincidência que, enquanto tudo isto acontecia, estávamos a obter coisas fantásticas como luzes elétricas e câmaras de filme, nenhuma das quais foi inventada por Thomas Edison.

Não sei se repararam, mas de repente há muito mais fotografias nas imagens de apoio do Crash Course de História dos EUA.

A cidade na vanguarda deste crescimento urbano foi Nova Iorque, especialmente depois de Manhattan ter sido consolidada com Brooklyn, o Bronx, Queens e Staten Island em 1898.

Na viragem do século, a população dos 60 quilómetros quadrados da ilha de Manhattan era superior a 2 milhões, e os cinco distritos juntos tinham uma população superior a 4 milhões.

Mas embora Nova Iorque receba a maior parte da atenção neste período de tempo, e em todos os períodos desde então, não foi a única a experienciar um crescimento massivo.

A minha antiga terra natal de Chicago, por exemplo, depois de ter ficado reduzida a cinzas em 1871, tornou-se a segunda maior cidade da América na década de 1890.

Além disso, inverteram o curso do próprio rio Chicago, provavelmente a segunda proeza mais impressionante em Chicago na altura,

sendo a primeira o facto de os Cubs terem ganho duas World Series.

Embora me sinta muito tentado a atribuir o crescimento destas metrópoles a uma combinação de melhor nutrição e a um aumento de picanço, vou ter de me curvar à estúpida precisão histórica e dizer-vos que grande parte do crescimento teve a ver com o fenómeno pelo qual este período é mais conhecido:

a imigração.

Claro que, no final do século XIX, a imigração não era um fenómeno novo nos Estados Unidos.

Após a primeira vaga de colonização por ingleses, espanhóis e outros europeus, houve uma nova vaga de escandinavos, franceses e, especialmente, irlandeses.

A maioria de vós provavelmente conhece a Grande Fome da Batata da década de 1840 que levou um milhão de homens e mulheres irlandeses a fugir. Se não conhecem, foi terrível.

E a segunda maior vaga de imigrantes era composta por falantes de alemão, incluindo vários liberais que saíram após as revoluções fracassadas de 1848.

Muito bem, vamos ao Thought Bubble. Os irlandeses tinham sido primariamente agricultores na terra natal, mas na América, tenderam a ficar em cidades como Nova Iorque e Boston.

A maioria dos homens começou a sua vida profissional como trabalhadores não qualificados e de baixos salários, mas com o tempo, passaram a ter oportunidades de trabalho muito mais variadas.

As mulheres imigrantes irlandesas também trabalhavam, algumas em fábricas ou como criadas domésticas nas casas da crescente classe alta.

Muitas mulheres preferiam de facto a liberdade proporcionada pelo trabalho fabril, e uma operária irlandesa comparou a sua vida à de uma criada dizendo:

"O nosso dia tem dez horas, mas quando acaba, acabou, e podemos fazer o que quisermos com as noites. É o que ouço de todas as raparigas simpáticas que experimentaram o serviço doméstico."

"Nunca tens a certeza de que a tua alma te pertence, exceto quando estás fora de casa."

A maioria dos falantes de alemão tinha sido agricultores nos seus países de origem e continuou a sê-lo nos EUA, mas também veio um número razoável de artesãos qualificados.

Eles tenderam a ficar nas cidades e a tentar a sorte no empreendedorismo.

O próprio Bismarck via a emigração da Alemanha como algo positivo, dizendo: "Quanto melhor nos correm as coisas, maior é o volume da emigração."

E é por isso que demos o nome dele a uma cidade na Dacota do Norte.

Embora tenham vindo imigrantes alemães suficientes para Nova Iorque ao ponto de o Lower East Side de Manhattan ter sido conhecido durante algum tempo como Kleindeutschland (Pequena Alemanha),

muitos mudaram-se para as cidades em crescimento do Centro-Oeste, como Cincinnati e St. Louis.

Alguns dos imigrantes alemães mais famosos tornaram-se cervejeiros, e a América ficou muito mais rica com a chegada de homens como Frederick Pabst, Joseph Schlitz e Adolphus Busch.

E por mais rica, quero dizer mais bêbeda. Obrigado, Thought Bubble.

Assim, na década de 1890, mais de metade dos 3,5 milhões de imigrantes que chegaram às nossas costas vieram do Sul e do Leste da Europa,

em particular de Itália e dos Impérios Russo e Austro-Húngaro.

Eram mais propensos do que os imigrantes anteriores a ser judeus ou católicos e, embora quase todos procurassem trabalho,

muitos também fugiam da perseguição política ou religiosa.

E na década de 1890, também tiveram de enfrentar novas teorias "científicas", que estou a colocar entre aspas para ser claro, pois não tinham nada de científico,

que os remetiam para raças diferentes cujo baixo nível de civilização servia apenas para certos tipos de trabalho e os predispunha para a criminalidade.

A Liga de Restrição da Imigração foi fundada em Boston em 1894 e fez pressão para obter legislação nacional que limitasse o número de imigrantes.

E uma dessas leis chegou a ser aprovada pelo Congresso em 1897, para depois ser vetada pelo Presidente Grover Cleveland.

Bom trabalho, Grover! Sabem, o seu primeiro nome era Stephen, mas ele chamava-se a si próprio Grover. Eu teria feito uma escolha diferente.

Mas antes que fiquem muito entusiasmados com Grover Cleveland, o Congresso e o Presidente conseguiram concordar num grupo de imigrantes contra o qual discriminar: os chineses.

Os imigrantes chineses, esmagadoramente masculinos, vinham para os Estados Unidos, maioritariamente para o Oeste, desde a década de 1850 para trabalhar nas minas e nos caminhos de ferro.

Eram vistos com desconfiança porque tinham uma aparência diferente, falavam uma língua diferente e tinham hábitos estranhos, como tomar banho regularmente.

Quando a Lei de Exclusão dos Chineses entrou em vigor em 1882, havia 105 000 pessoas de ascendência chinesa a viver nos Estados Unidos, principalmente em cidades da Costa Oeste.

São Francisco recusou-se a educar asiáticos até o Supremo Tribunal do Estado ordenar que o fizesse,

e mesmo assim, a cidade respondeu criando escolas segregadas. Os imigrantes lutaram contra isto através dos tribunais.

Em 1886, no caso Yick Wo v. Hopkins, o Supremo Tribunal dos Estados Unidos ordenou a São Francisco que concedesse licenças de funcionamento a lavandarias geridas por chineses.

Depois, em 1898, no caso Estados Unidos v. Wong Kim Ark, o tribunal decidiu que os filhos de imigrantes chineses nascidos na América tinham direito à cidadania ao abrigo da 14.ª Emenda, o que deveria ser óbvio, mas não era.

Temos sido duros com o Supremo Tribunal aqui no Crash Course, mas essas foram duas boas decisões. Muito bem, Supremo Tribunal!

Mas apesar destas vitórias, os imigrantes asiáticos continuaram a enfrentar discriminação sob a forma de motins liderados por vigilantes, como o de Rock Springs, no Wyoming, que matou 26 pessoas,

e restrições aprovadas pelo Congresso, muitas das quais o Supremo Tribunal manteve, por isso, enfim.

Além disso, é importante lembrar que esta imigração em grande escala e o medo dela faziam parte de um fenómeno global.

No seu auge, entre 1901 e o eclosão da Primeira Guerra Mundial em 1914, 13 milhões de imigrantes vieram para os Estados Unidos.

Em todo o período impulsionado pela industrialização, de 1840 até 1914, um total de 40 milhões de pessoas veio para os EUA.

Mas pelo menos 20 milhões de pessoas emigraram para outras partes do Hemisfério Ocidental, incluindo o Brasil, as Caraíbas, o Canadá — sim, o Canadá — e a Argentina.

Por muito que tenhamos de agradecer aos imigrantes italianos coisas como a pizza — e agradecemos mesmo —, a Argentina pode estar igualmente grata pelos antepassados imigrantes de Lionel Messi.

E também o Papa, embora ele nunca tenha ganho uma única La Liga.

E houve também uma imigração extensiva da Índia para outras partes do Império Britânico, como a África do Sul, imigração chinesa para a América do Sul e as Caraíbas,

quero dizer, a lista não acaba mais. Em suma, a América não é tão especial quanto se julga.

Oh, é altura do Documento Mistério?

As regras aqui são simples. Adivinho o autor do Documento Mistério. Se errar, apanho um choque com a caneta de choque.

Portanto, não quero parecer derrotista, mas não tenho um bom pressentimento sobre isto. Muito bem.

"A figura que chamou a atenção para o grupo foi a do pai, alto e ereto, com a sua face séria e testa proeminente, mãos nervosas eloquentes nos gestos e uma voz cheia de sentimento."

"Este estrangeiro, que trouxe os seus filhos à escola como se fosse um ato de consagração, que olhava para a professora da classe primária com reverência, que falava de visões, como um homem inspirado, numa sala de aula comum..."

"Acho que a Menina Nixon adivinhou o que o melhor inglês do meu pai não conseguia transmitir. Acho que ela adivinhou que, pelo simples ato de lhe entregar os nossos certificados escolares, ele tomou posse da América."

Oh, não sei. Ao início pensei que pudesse ser alguém que trabalha com imigrantes, como a Jane Addams, mas depois no fim subitamente é o seu próprio pai.

O pai da Jane Addams não era imigrante. Mary Antin? Ela sequer tem uma página na Wikipédia? Tem? Escreveste-a tu, Stan? O Stan escreveu a página dela na Wikipédia!

Portanto este documento, embora tenha sido escrito por alguém que não deveria ter uma página na Wikipédia, destaca que a maioria dos imigrantes para a América vinha pela razão mais óbvia: oportunidade.

A industrialização, tanto no fabrico como na agricultura, significava que havia empregos na América. Havia tanto trabalho, de facto, que as empresas usavam recrutadores que iam à Europa anunciar oportunidades.

Além disso, a viagem era relativamente barata, desde que a fizesses apenas uma vez na vida, e era rápida, demorando apenas 8 a 12 dias nos novos navios a vapor.

O Lower East Side de Manhattan tornou-se o íman para vagas de imigrantes, primeiro alemães, depois judeus do Leste Europeu e italianos, que tendiam a recriar aldeias e bairros em quarteirões e, por vezes, em edifícios únicos.

Os cortiços, estes edifícios de quatro, cinco e seis andares concebidos para serem apartamentos, surgiram na segunda metade do século XIX,

e os primeiros eram tão insalubres e sobrelotados que a cidade aprovou leis exigindo um mínimo de luz e ventilação.

E muitas vezes estes apartamentos em cortiços serviam também de espaço de trabalho, porque muitas mulheres e crianças imigrantes faziam trabalho à peça, especialmente na indústria do vestuário.

Apesar das leis locais exigirem a janela ocasional e proibirem a presença de vacas nas vias públicas, as condições nestas cidades eram bastante más.

As coisas melhoraram um pouco com a construção de caminhos de ferro elevados e, mais tarde, metropolitanos, que ajudaram a aliviar o congestionamento do tráfego, mas criaram um novo problema: os carteiristas.

Esta nova tecnologia de transporte também permitiu um maior grau de segregação residencial nas cidades. A zona baixa de Manhattan tinha acolhido, outrora, tanto os muito ricos como os muito pobres,

mas o transporte melhorado significou que as pessoas já não tinham de viver e trabalhar no mesmo local.

Os mais abastados, como Cornelius Vanderbilt e J.P. Morgan, construíram palácios luxuosos para si próprios, e as moradias na zona alta eram comuns.

Mas até lá, uma das características mais notáveis das cidades da Era Dourada, como Nova Iorque, era que os ricos e os pobres viviam muito próximos uns dos outros.

E isto significava que, com a crescente urbanização da América, a distância crescente entre ricos e pobres era visível tanto para ricos como para pobres.

E à semelhança do que vemos nas megacidades de hoje, esta incapacidade de desviar o olhar da pobreza e da desigualdade económica tornou-se uma fonte de preocupação.

Ora, uma forma de aliviar essa preocupação é criar subúrbios para não ter de olhar para pessoas pobres,

mas outra resposta aos problemas urbanos foi a política, que em cidades como Nova Iorque se tornou numa espécie de desporto de contacto.

Outra resposta foi o chamado Movimento Progressista. E em todas estas respostas e nos problemas que as motivaram — urbanização, mecanização, capitalismo, a distribuição de recursos na ordem social —,

podemos ver a América industrial moderna a ganhar forma, e essa é a América em que vivemos hoje. Obrigado por assistirem. Vejo-vos na próxima semana.