Industrial-Existencialista: O choque entre o caos digital saturado e a força bruta da superação individual.

Como a vida moderna destrói seu foco - e o que fazer | Geração TDAH

Descrição

Dificuldade em focar ou em te motivares? Vê como a sociedade moderna afeta a nossa saúde mental, gerando apatia e cansaço; e o que podemos fazer, segundo a filosofia de Nietzsche, para recuperar o ânimo e ter mais disciplina. Gostaste do vídeo? Ouve o podcast: https://apoia.se/ludoviajante Na era das redes sociais e dos seus algoritmos, é difícil concentrarmo-nos. Mas por trás desta overdose de dopamina, existe um fenómeno ainda mais profundo: a falta de sentido da cultura moderna, que, segundo Nietzsche, gera desânimo e o impulso pela distração. Mihaly Csikszentmihalyi, psicólogo húngaro, concorda. Através da teoria do Flow, ele mostra como o capitalismo (e a sua fixação com a produtividade) esgota a nossa energia mental. O resultado é uma geração sem foco, repleta de jovens dispersos e desmotivados. Neste ensaio filosófico, veremos por que razão o jovem está esgotado, como lidar com a desmotivação e dicas para ter mais foco no trabalho e nos estudos. Também exploraremos o conselho de Nietzsche para os desanimados: "aquele que tem um porquê supera qualquer como". --- ► PIX do canal: LUDOVIAJANTE@GMAIL.COM (está no nome do Gabriel, o meu gerente do youtube) ►► UPDATE: gostaste deste vídeo? Vê a parte 2 com novas dicas sobre foco e motivação: https://www.youtube.com/watch?v=t0ArFEP8g7I --- 📘 LIVROS E REFERÊNCIAS Psicologia do Flow (Mihaly): https://amzn.to/3YbMsoE Crepúsculo dos Ídolos (Nietzsche): https://amzn.to/3YbNjWy Sociedade do Cansaço: https://amzn.to/4qplIwS Ao clicares, ajudas o meu trabalho, obrigado! ....................................................... LUDOVIAJANTE NAS REDES ► Apoia-me: https://apoia.se/ludoviajante ► Vê-me a tuitar vergonhas: https://twitter.com/ludoviajante ► Para que serve o Instagram mesmo? https://www.instagram.com/ludoviajante/ ....................................................... CRÉDITOS ♫ Música: Kevin Macleod https://incompetech.com/ Epidemic Sound Licensed under Creative Commons: By Attribution 3.0 License http://creativecommons.org/licenses/by/3.0/ ---- Coisinhos do tempo 0:00 Por que está mais difícil focar? 2:00 Parte I: Filosofia do Foco 6:14 Parte II: Psicologia do Foco 10:00 Parte III: Geração Burnout - por que estamos exaustos? 13:55 Parte IV: Aquele que tem um porquê...

Transcrição completa

Esta é a Pietà, obra-prima da Renascença.

Quando a esculpiu, Michelangelo tinha apenas 23 anos.

É difícil imaginar alguém tão determinado, ainda mais uma tartaruga.

Nunca tive essa disposição. Aos 23, enquanto amigos viajavam pelo mundo, a minha maior conquista foi financiar uma scooter.

No The Sims, usando códigos.

Recentemente, parece que a minha falta de motivação piorou.

Por exemplo, aos 15 anos, eu devorava Harry Potter, de pé, entre curvas, travagens e aromas que explicariam porque é que Voldemort arrancou o nariz.

Hoje, se um livro tem mais de três personagens, a minha atenção foge mais rápido do que uma mulher ao ouvir a palavra sigma.

O que aconteceu?, questiono-me em momentos privados.

Há 10 anos eu já não tinha foco. Porque piorou?

Eu costumava culpar o telemóvel: TikTok, Shorts, Reels.

A internet virou um casino.

Giramos a roleta em busca de dopamina. Se não vier, é só girar de novo.

E assim o cérebro acostuma-se ao prazer imediato, o que, segundo vários estudos,

corrói a capacidade de focar.

Mas sabes o que descobri depois de ler muito sobre o tema?

Essa não é a história toda.

Redes sociais são só a ponta de um iceberg chamado cultura moderna.

Ansiedade, má alimentação, vício em pornografia.

São todos sintomas de um mundo doente que, de tanto promover dopamina fácil, acaba por nos intoxicar.

No Sudeste, por exemplo, 70% dos jovens relatam alguma crise mental antes mesmo da faculdade.

Então, antes de se culpar por não conseguir focar, é preciso investigar a raiz desse dilema.

Nietzsche pode ajudar. Há 150 anos, ele previu que os avanços da modernidade arrasariam a mente do palhaço.

A sua filosofia inspirou gerações de psicólogos, resultando num manual de como manter o ânimo mesmo em tempos sombrios.

O meu intuito hoje é simplificar esses conceitos para que os aproveites.

Começando pela compreensão de como foco e motivação estão interligados.

Ao entender um, fica muito mais fácil lidar com o outro.

Eu tenho uma história real de um TDAH que pode provar.

Outro dia eu precisava escrever, mas não conseguia focar.

O que é terrível, porque eu trabalho com isso e tenho bocas para alimentar.

Tentei de tudo: café, Ritalina e toalhas com virgens.

Não funcionou.

Espera, tu és virgem, não és?

O mês voou e eu seguia mais travado do que a minha lombar aos 30 anos.

Olhei-me ao espelho e pensei: Chega. Desisto.

O sucesso é um braço gordo e eu, um mosquito broxa.

E foi nesse momento de renúncia que tudo mudou.

Recebi um e-mail às 4 da manhã.

Era uma senhora. Vamos chamá-la de Ivete.

Bom dia. Conheci o canal buscando ajuda para a minha neta. Estou desesperada.

Ela tem 17 anos, sempre amou desenhar, mas parou. Agora vive no telemóvel, a comparar-se com os outros.

Não estuda, não come. Como ajudar alguém que não vê sentido em nada, inclusive na ajuda?

Eu li isso exausto, mas sabes quando uma coisa te toca lá no fundo?

Claro que sabes.

Voltei para o PC e comecei a digitar um TCC para essa avó.

O que é depressão? Como afeta os jovens? O papel da terapia?

O tempo voou, o sol raiou e eu seguia possuído pelo espírito do Rambo literário.

Metralhando palavras. Deus desceu do céu preocupado: Meu filho, tu pareces cansado. Aceitas um café?

Respondi: Silêncio, velho tolo!

Eu vou buscar a minha fé!

7:15. Enviar.

Capotei ali mesmo.

Dona Ivete é um amor.

Nesses dias recebi um update: Após um mês de terapia, a neta está melhor, Ivete também.

Ok, mas o ponto é que essa experiência me fez refletir sobre foco.

Durante semanas, não consegui escrever. Detalhes sobre o mesmo tema: saúde mental.

Quando foi para responder à Ivete, ficou fácil.

Porquê?

Nietzsche tem um palpite.

Ele escreve: "Aquele que tem um porquê supera qualquer como".

Simplificando, quem tem um motivo, age.

O pulo do gato está aqui, nessa palavra.

Às vezes a gente acha que tem um motivo, mas não tem.

Então eu posso dizer: "quero escrever" e ok, idealizar é um bom início, mas são só palavras.

No nível mais profundo, pode ser que uma parte de mim não queira, ou tenha medo, ou prefira fazer outra coisa.

Motivos autênticos são aqueles que convencem todo o nosso ser.

E aí entramos num estado de hiperfoco, porque a parte da mente que costuma sabotar, se junta para ajudar.

É como se ela dissesse: escrever é um saco, mas pela Dona Ivete, eu topo.

Eu estou a usar esse exemplo como gancho, mas estamos a falar de um conceito maior que envolve a própria noção de sentido da vida.

Porque, por exemplo, imagina alguém no último semestre da faculdade.

Batalhou para chegar ali, mas por alguma razão, perdeu o ânimo.

Começa a faltar, a procrastinar, a agir de modo suspeito.

Ei, Júnior, como é que vai o TCC?

Nietzsche diria que há um conflito dentro desse sujeito.

Ele acha que quer formar-se, mas uma parte dele não quer.

Enquanto isso não for abordado, ele vai continuar a ter problemas, não só com foco, mas com a vida.

É como estar num navio que o capitão tem um destino, mas a tripulação não concorda.

E aqui chegamos na questão de ouro: Por que a tripulação não concordaria?

O que faria uma parte de nós rejeitar, e às vezes até sabotar, as nossas escolhas na vida?

Nos anos 90, esse psicólogo, Mihaly Csikszentmihalyi, impronunciável, questionou-se o mesmo.

Já na época, rolava uma crescente de diagnósticos: TDAH, burnout, depressão.

E também a tendência de buscar soluções no nível individual: medicação, terapia.

E ok, são abordagens cruciais.

Mas convenhamos, se temos um aquário e os peixes começam a adoecer, não focamos só neles.

Investigamos o ambiente.

Afinal, do que adianta tratá-los e colocá-los de novo numa água suja?

Pensando nisso, Mihaly propõe uma nova teoria da motivação, considerando o contexto pós-moderno.

E é maravilhoso, porque ele demonstra que somos todos peixes-palhaço num aquário podre.

Falta de foco, muitas vezes, é uma reação natural do organismo a essa água insalubre, no caso, a nossa cultura.

E como crescemos nela, é difícil perceber a insalubridade, o que leva muitos a culparem-se por não ter energia.

Enfim, recomendo o livro dele.

Mas já que estamos aqui, permite-me resumir a ideia central e como explica não só falta de foco, mas também apatia.

Aquela sensação de olhar para o mundo e sentir-se completamente esgotado, sendo que mal chegaste à metade da tua vida.

Qual o segredo dos hiperfocados? Sabes, indivíduos persistentes.

Einstein, Da Vinci, Cleiton, o ex da minha namorada.

Segundo Mihaly, não tem a ver com inteligência, e sim com um truque mental que até os estúpidos podem dominar para realizar feitos incríveis.

Porque, veja bem, esse és tu, animal humano.

A tua mente é movida por duas coisas: motivações intrínsecas e extrínsecas.

A primeira tem a ver com o nosso sentido de eu, quando agimos por querer.

Por exemplo, Luísa gosta de rebolar. Se a deixares, ela rebola o dia inteiro: no almoço, no trabalho, em eventos sociais.

A segunda tem a ver com recompensas e punições.

Por exemplo, Chico rebola, mas só quando Osvaldo lhe oferece pepitas de ouro.

O resultado é o mesmo: eles rebolam.

Mas a experiência muda.

Quem age por interesse, tem mais chances de se envolver com a tarefa e repeti-la.

Já quem faz pelo incentivo, só repete com mais incentivo e durante a tarefa fica disperso.

Troca rebolar por outra ação e o resultado é o mesmo: correr, estudar, pendurar-se num camião.

O segredo dos hipermotivados é que, conscientemente ou não, eles conseguem ativar o seu motor intrínseco.

Ao fazer isso, ganham acesso a um tipo especial de foco que os leva muito além do que alguém movido por recompensas externas.

Segundo Mihaly, todos nascemos com motivação intrínseca.

No contexto saudável, é possível ativá-la até em tarefas pequenas.

O cérebro sente-se recompensado ao contribuir para o futuro.

O problema é que isso não tem acontecido.

A vida moderna tem-nos convertido em máquinas de motivação extrínseca, porque, claro, essa é a linguagem do capitalismo.

Tu és o que tu possuis: diploma, trabalho, dinheiro.

Ai, mas e o valor inerente de cada pessoa?

Foda-se!

Para a economia girar, o indivíduo precisa de estar insatisfeito, isto é, a querer mais do que já tem.

Então, assim que aprende a pensar, é condicionado a buscar significado fora de si, nunca dentro.

Resultado: muitos adultos acabam por perder a motivação intrínseca, uma vez que é de dentro que ela vem.

Lembrando que essa é uma constatação embasada por anos de estudo.

Então, calma, Elon Musk, antes de me mandares para Cuba, percebe que Mihaly está só a apontar um efeito que qualquer um pode observar.

Queres um exemplo?

Lembras-te quando chegavas da escola, ligavas a PlayStation e podias passar horas a fugir da polícia?

Hoje tens mais jogos do que cabelo, mas às vezes nem te apetece abrir.

Pois então.

Motivação intrínseca é a atenção ao serviço do eu.

Num sistema que visa lucro acima de tudo, o eu é suprimido.

Seja por agentes externos que hackeiam a química do cérebro para nos controlar, seja por nós mesmos que nos culpamos quando não estamos a produzir.

Então, essa dimensão do foco acaba por ficar deslocada.

Como tudo no organismo que não é exercitado, ela enfraquece.

Voltamos então para a nossa questão de ouro.

Por que uma parte nossa nos sabotaria?

No sentido de traçares planos e, do nada, perderes o ânimo, o foco e não quereres mais ser tu.

É que ela está zangada.

Imagina a motivação intrínseca como uma fada a morar na tua cabeça.

Num lugar sombrio, húmido, controverso.

Com apenas duas janelas nas quais o mesmo filme se repete todos os dias.

Comer, trabalhar, consumir. Comer, trabalhar, consumir.

Tu também não ficarias revoltado?

Ai, eu preciso de foco para terminar o meu TCC.

Foda-se!

Aqui podem argumentar: Ora, mas essa não é a vida? Trabalho, rotina... Foi assim com os teus avós, os teus pais.

Porque vocês, geração mimimi, teriam uma fadinha revoltada dentro de si?

Ainda bem que perguntaste, avó do cruzeiro.

Eu estava a precisar de outra questão de ouro e essa é supimpa, porque ao respondê-la, amarramos as ideias de Mihaly com as de Nietzsche, desvendando assim o enigma que me levou a criar este vídeo.

Esse sou eu, jovem moderno.

Eu estudo, não pelo prazer intrínseco de aprender, mas pela promessa de recompensa futura: emprego, dinheiro, um PC que rode GTA.

Ou seja, a educação assume uma função utilitária, vira um meio para se conseguir algo.

Um arranjo para lá de problemático, porque se baseia numa ilusão.

A ideia de que quem for bem aqui, vai bem na vida.

Mentira!

Pergunta a qualquer ex-criança prodígio.

Ou melhor, não, senão ela chora.

Afinal, conforme entra na faculdade a achar que o futuro está na mão, depara-se com o desemprego, inflação, Breno, colega heterotópico que sempre caga o trabalho em grupo.

Não, cara, já disse, não é assim que enumeras as tuas referências.

Resumindo, durante anos, eu luto para ser alguém na vida.

E aí descubro que esse alguém é um palhaço sem casa, num planeta em ebulição, que vai ganhar menos que o Breno, porque não te enganes, ele tem muito QI.

Essa quebra de expectativa gera uma ruptura no nível existencial.

Lembras-te daquela ideia de Nietzsche? Não somos um só.

E no nível consciente, eu posso dizer: não, pá, está tudo certo.

Mas no nível mais profundo, começa um burburinho.

Espera, não está, não.

Durante anos eu colaborei nessa tua busca pela felicidade, sendo que a gente não parece muito feliz.

Queres insistir nesse caminho?

Porquê?

Ninguém me ensina a responder a essa questão.

Tu não queres ser como o meu vizinho Pereba, especialista em gatos.

De noite, rouba a minha energia.

De dia, a minha energia também.

É como se a força intrínseca do eu entrasse em greve, deixando-me ainda mais à mercê de motivadores externos.

Prazos, cobranças, litros de café.

Fica cada vez mais difícil focar naquilo que deveria ser importante.

E aí logo vem a culpa: devo ser preguiçoso, incompetente, uma farsa.

Sendo que não é nada disso.

Essa questão: por que eu faço o que faço?

É um chamado.

Ignorá-lo é o maior erro que um jovem pode cometer.

Segundo o maior erro.

Terceiro.

Então, respondendo ao avô em PNG, o problema não está em ter que trabalhar.

Está na falta de sentido.

A sensação que está tudo a desmoronar, mas tu mal tens energia para lavar a louça, quem dirá mudar o mundo.

De repente, qualquer forma de matar o tempo se torna irresistível.

Nem fraqueza nem preguiça.

Desconexão.

Eu não sabia como encerrar este vídeo.

Por trás dos GIFs e piadinhas, falta de foco é a minha maior angústia.

E sei lá, eu travei, porque a conclusão era tipo: quando tu defines os teus motivos na vida, fica mais fácil focar.

Mas achei irónico dizer isso, sabendo que o meu foco funciona à base de remédio.

Que não importa o quanto algo é urgente, às vezes a minha mente congela, afetando não só a mim, mas todos os que amo.

Pensar nessa ironia, travou-me por meses.

Literalmente adoeci e sei que deve soar estranho, afinal, é só um vídeo.

Mas para mim não é. Falar de foco é como mexer numa ferida.

Até que a minha psicóloga disse algo: Thiago, às vezes o melhor jeito de lidar com uma contradição é focando noutra.

E nisso eu tive um estalo, pensei: sabes o que é realmente irónico?

Travar num vídeo sobre motivação, sem nem tentar usar a filosofia que eu vim promover.

Aquele que tem um porquê (uma razão) supera qualquer como.

Sentei-me e comecei a listar motivos para terminar este vídeo.

1 - Dona Ivete, quero que ela e a neta assistam.

2 - Não é só sobre mim, quero ajudar pessoas.

3 - Talvez o mais intrínseco: não vejo a hora de terminar para começar o próximo!

Porque apesar de ser difícil, criar é uma das poucas coisas que eu consigo começar e não desistir.

No dia que anotei isso, estava a chover. Ouvi um trovão, e aí tudo se encaixou.

Comecei a escrever a conclusão e a chorar ao mesmo tempo.

Deve ter ficado muito meloso, mas se chegaste aqui, acho que vai fazer sentido.

Na infância, confiamos nos adultos.

Faz isso, não faças aquilo.

De vez em quando, quebramos o roteiro.

Quando tu sobes onde não deves, afagas um cão sem dono, abraças uma onda grande demais.

Esses momentos dizem algo sobre ti.

Algo difícil de explicar, porque transcende as palavras.

No imenso vazio da consciência, essas memórias são como estrelas.

Retratos do passado, a irradiar significado.

Se tu contemplares esse cosmos, não tem erro.

Vais encontrar pistas do que faz de ti, tu.

Aquele que tem um porquê supera qualquer como.

A vida não é um jogo que se ganha, é um oceano.

Se focarmos só na próxima meta, corremos o risco de ficar a girar, à deriva.

Em algum momento, é preciso definir um norte.

Não pela expectativa de chegar lá, mas pela intuição de que é um caminho interessante.

Porque a real é que não existe lá.

Felicidade não é um destino, é o navegar.

Um novo dia, uma nova tempestade.

Para alguns de nós é assim, sempre à beira do naufrágio.

Mas engana-se quem acha que não tem escolha.

No porão desse navio existe um baú, a implorar para ser aberto.

Saudade, remorso, amores enterrados vivos.

Trancamos os nossos fantasmas como se fossem enganos, quando na verdade, são o nosso maior tesouro.

Em cada paixão impossível, cada dor indescritível.

Uma prova do nosso poder criativo.

Bem-aventurado aquele que mergulha em si mesmo e no ato de loucura, escancara o coração.

Permitindo que os demónios se espalhem como fogo, a consumir a embarcação.

Para que das cinzas surja um novo eu que já não teme a chuva, porque já morreu.

E ao ver as tuas certezas a afundarem, ousas até alegrar-te, como se não sentisses, nem por um instante, a indiferença do mar.

Nada pode afogar o espírito de quem se permite recomeçar.

Um novo dia, uma nova chance de te orgulhares de ti mesmo.

Começa com uma questão: o que faz sentido para ti?

Quando a Ivete me procurou, responder fez todo o sentido.

Lembrei-me da minha avó.

De repente, o adulto ansioso foi-se.

No lugar, surgiu o netinho corajoso, a escrever com saudade.

Se este vídeo chegou a ti, foi graças a essa criança que insistiu para que eu espalhasse uma mensagem que somente outra criança, presa num adulto cansado, poderia acreditar.

Não desistas.

Não desistas.

Não desistas.

Se chegaste aqui, deves gostar de filosofia.

Convido-te então para o meu Discord, um lugar para a gente estudar, filosofar e fazer amigos.

Se existe esse negócio de alma gémea, a tua deve estar aqui.

Para aceder, é só entrar no meu Apoia.se. Custa 3 reais.

Além do Discord, apoiadores ganham acesso a podcasts e vídeos de bastidores, onde eu partilho o meu processo criativo e aprofundo ideias que vemos aqui.

Para saber mais, é só clicar no ecrã.

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Qualquer valor ajuda, centavos somam.

Muito obrigado.