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RELACIONAMENTOS ABERTOS E POLIAMOROSOS

Transcrição completa

Sabe qual é a diferença entre um relacionamento aberto e um poliamoroso?

Já fizemos um vídeo aqui no canal sobre monogamia.

Hoje vamos falar mais sobre isso e desmistificar algumas ideias equivocadas sobre relações que fogem de certos padrões culturais.

Olá, eu sou o André, tenho um doutoramento em psicologia.

E hoje vou contar-lhe um pouco sobre o que é a não monogamia consensual, de acordo com a psicologia.

Vou diferenciar relacionamentos abertos de poliamorosos e compará-los com relações mais tradicionais.

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A não monogamia consensual envolve qualquer relacionamento íntimo entre pessoas que não são exclusivas umas com as outras em termos sexuais ou afetivos e que concordam com isso.

A parte do consensual é importante, porque muitos casais supostamente monogâmicos por aí, na verdade, são não monogâmicos de forma não consensual.

Já que um dos parceiros se relaciona secretamente com uma ou mais pessoas, enquanto o outro não.

Na psicologia, a não monogamia costuma ser definida com base na falta de exclusividade.

Mas também é possível interpretar a não monogamia como envolvendo relações que rompem de forma mais ampla com outros valores monogâmicos, além da exclusividade.

Alguns exemplos desses valores são as ideias de que devem existir obrigações entre parceiros românticos, de que um parceiro tem o direito de interferir com os afetos ou comportamentos do outro parceiro, ou de que o casal deve ser o centro das relações afetivas das pessoas.

Relações não monogâmicas e consensuais incluem diferentes tipos de acordo, dependendo de fatores como, por exemplo, o quanto as necessidades sexuais e emocionais dos parceiros demandam o envolvimento de uma terceira pessoa ou de mais pessoas.

Esses acordos podem variar bastante e ser bem específicos, dependendo de cada caso.

Escolhemos falar hoje de duas possibilidades mais estudadas na psicologia, sendo que uma delas é o relacionamento aberto.

Nele, os parceiros costumam concordar em fazer sexo com outras pessoas, sem que o parceiro romântico participe e sem que haja envolvimento afetivo nos encontros sexuais, embora existam vários tipos de acordo mais específicos do que esse.

Outra possibilidade é o relacionamento poliamoroso.

Nesse caso, o combinado mais comum é que os parceiros podem envolver-se de forma sexual e afetiva com mais de uma pessoa, sendo que aqui também existem vários tipos de acordo.

Uma das configurações mais frequentes desse tipo de relacionamento é aquela na qual existe uma relação primária entre duas pessoas e outras relações não primárias com um ou mais indivíduos.

Essa configuração, na qual existe um casal que é o foco da relação, também é comum em relacionamentos abertos.

Cada vez mais pessoas têm-se interessado por relacionamentos abertos, poliamorosos e outras formas de não monogamia consensual.

Apesar disso, esses tipos de relacionamento ainda compõem uma minoria em muitas culturas como a nossa.

Parte disso tem a ver com o grande estigma que ainda existe sobre relações que fujam dos padrões culturais mais tradicionais.

Algumas pessoas que vivem relacionamentos não monogâmicos sofrem diferentes experiências de discriminação e violência ao longo da vida, sendo que muitas até preferem nem contar sobre isso aos outros.

Isso parece especialmente comum em relacionamentos abertos.

Afinal, é nesse tipo de acordo que o foco tende a ser a satisfação das necessidades sexuais dos parceiros, o que alguns podem julgar como promíscuo e vergonhoso.

De acordo com alguns estudos, é comum a visão de que pessoas em relações não monogâmicas são mais promíscuas e possuem uma chance maior de ter alguma infeção sexualmente transmissível.

Na teoria, um casal monogâmico deveria ter menos risco de adquirir uma infeção por ter menos parceiros sexuais.

O que sabemos hoje é que pessoas adeptas da não monogamia consensual possuem uma chance menor de apresentar alguma infeção sexualmente transmissível do que adeptos da monogamia.

Elas também apresentam uma chance maior de tomar certos cuidados ligados ao sexo, como usar preservativo e realizar testes para infeções sexualmente transmissíveis do que indivíduos que se identificam como monogâmicos.

Embora seja verdade que a não monogamia consensual costuma envolver mais parceiros sexuais, pelo menos as pessoas no relacionamento sabem do que está a acontecer e podem ter um diálogo aberto sobre como garantir a saúde sexual de ambos.

Em muitos relacionamentos teoricamente monogâmicos, ocorre a infidelidade e, nesse caso, costuma haver um parceiro que não sabe do que está a acontecer.

Por isso, muitas vezes não existe diálogo sobre proteção sexual.

Sabemos que pessoas em relações monogâmicas adotam menos frequentemente práticas de sexo seguro durante encontros sexuais extraconjugais do que indivíduos em relações não monogâmicas e consensuais.

Isso, por sua vez, aumenta as chances de que a pessoa monogâmica adquira uma infeção e a transmita ao seu parceiro depois.

Outra ideia comum sobre a não monogamia consensual é que aqueles que a procuraram já não deviam amar mais o parceiro com o qual tinham uma relação monogâmica.

Na verdade, alguns estudos vêm demonstrando que pessoas vivendo esse tipo de relação costumam exibir níveis de satisfação e comprometimento com a relação parecidos com os de quem vive uma relação monogâmica tradicional.

Especialmente em muitas culturas ocidentais, as pessoas têm esperado cada vez mais que os seus parceiros românticos satisfaçam várias das suas necessidades, só que na prática nem sempre isso ocorre ou dura para sempre.

Um dos benefícios da não monogamia consensual é permitir uma maior diversificação na maneira como alguém irá satisfazer as suas necessidades, sendo que aí não seria responsabilidade de uma única pessoa atender a todas as demandas de um parceiro.

Como essas configurações não tradicionais de relacionamento ainda são um grande tabu em muitas culturas, várias pessoas nem mesmo cogitam essas possibilidades, mesmo que se sintam insatisfeitas com a monogamia ou não consigam aplicá-la na prática.

Muitos sentir-se-ão mais felizes em relações monogâmicas mesmo, mas outros indivíduos sentir-se-iam mais realizados com outros tipos de acordo e nem os imaginam como uma opção por receio ou preconceito.

Tanto relações monogâmicas quanto as não monogâmicas e consensuais têm os seus prós e contras, não existe um único formato de relacionamento que irá satisfazer as necessidades de toda a gente do mesmo jeito.

Por isso, as pessoas devem procurar o tipo de relação que melhor funcione para elas, sejam essas relações monogâmicas ou não.

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Hoje explicamos o que é a não monogamia consensual na psicologia, detalhando especialmente o que é um relacionamento aberto e um relacionamento poliamoroso.

Desmistificamos algumas ideias comuns e preconceituosas sobre a não monogamia consensual e comparamo-la com a monogamia em termos da satisfação com o relacionamento e o risco de adquirir infeções sexualmente transmissíveis.

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Um vídeo que é um bom complemento ao de hoje e que pode assistir agora é o que fizemos sobre a monogamia.

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