Geopolítica Pan-Africana Brutalista e Moderna

Por que Angola e Moçambique não são um Único País

Descrição

Porque é que Angola e Moçambique não são um Único País Watch videos in English: https://www.youtube.com/@EuafroEnglish/videos Assista a vídeos em inglês: https://www.youtube.com/@EuafroEnglish/videos Para Parcerias: contacteuafro@gmail.com Apoie o Canal: Seja membro deste canal e ganhe benefícios: https://bit.ly/MembroAfro Seja Membro do canal no Patreon e receba atualizações e vários benefícios sobre o canal: https://www.patreon.com/canaleuafro Abri uma conta para quem quiser ajudar-me a continuar a criar conteúdos incríveis, considere oferecer-me um café ☕✨ ou tornar-se membro!. Se quiser apoiar os meus vídeos, clique aqui: https://buymeacoffee.com/euafro Se olhar com atenção, verá 5 países agrupados como um só... Angola, Zâmbia, Zimbabué, Malawi e Moçambique como um único país. O objetivo da criação do mapa era unir territórios como Angola e Moçambique pelos seus vastos recursos e pela necessidade de Portugal de matérias-primas e pelo potencial de novos mercados, que a Revolução Industrial exigia. Este foi um projeto e estratégia de Portugal, que basicamente era uma forma de ter um território maior em África... eles queriam agrupar todas essas nações, mesmo sabendo que todas elas tinham culturas e hábitos diferentes... Mas lá estavam os portugueses com toda a esperança de expandir os territórios e a sua influência no continente africano. Este plano apostava na ocupação efetiva, nos recursos, na afirmação do domínio português, na definição de fronteiras no interior do continente e na exploração de vários recursos nessas zonas. Subscreva Partilhe Twitter: https://twitter.com/eu_afro/ Instagram do Canal: https://www.instagram.com/eu.afro/ Instagram do Rui: https://www.instagram.com/rui_.junior/

Transcrição completa

Olha para este mapa criado em 1885.

Se olhares bem, verás cinco países agrupados como um só:

Angola, Zâmbia, Zimbábue, Malawi e Moçambique como um único país.

O objetivo da criação do mapa era unir territórios como Angola e Moçambique

pelos seus vastos recursos e a necessidade de Portugal por matérias-primas

e o potencial de novos mercados que a Revolução Industrial exigia.

Esse foi um projeto e estratégia de Portugal

que basicamente era uma forma de ter um território maior em África.

Eles queriam agrupar todas essas nações,

mesmo sabendo que todas elas tinham culturas e hábitos diferentes.

Mas lá estavam os portugueses com toda a esperança de expandir os territórios

e a sua influência no continente africano.

Este plano apostava na ocupação efetiva,

nos recursos, na afirmação do domínio português,

na definição de fronteiras no interior do continente

e na exploração de vários recursos nessas zonas.

Ultimato britânico...

Nascia assim o Mapa Cor-de-Rosa, onde Portugal propunha exercer soberania nos territórios desde Angola a Moçambique.

"Portugal tinha de facto condições para reivindicar aquele pedaço todo do continente africano..."

Ora bem, para entendermos por que razão Portugal quis expandir o seu território,

devemos dar uma olhada neste mapa.

Este é o primeiro mapa do Brasil e com a dominação do território brasileiro pelos portugueses,

este mapa mudou ao decorrer do tempo.

A história do Brasil teve início com a chegada dos primeiros humanos na América do Sul há pelo menos 22 mil anos.

Em 22 de Abril de 1500, este senhor, Pedro Álvares Cabral, capitão da expedição portuguesa,

a caminho das Índias, chegou a esta região, em Porto Seguro, na Bahia,

tornando a região da colónia do Reino de Portugal.

E na década de 1530, o rei Dom João III,

também conhecido como "o Piedoso", porque de piedade talvez só tivesse o nome,

foi ele quem ordenou a implementação de uma política de colonização para a terra recém-descoberta.

Até essa altura, tudo estava a correr muito bem para o Império Português,

até que em 1807, Portugal entrou numa guerra com a França Napoleónica,

porque Portugal simplesmente se recusou a aplicar um bloqueio continental a toda a Europa,

que era parte, na verdade, de um plano de Napoleão Bonaparte

visando acabar com o poder económico e militar do Reino Unido.

A guerra durou 3 anos e inclusive levou a família real portuguesa a fugir de Lisboa para o Rio de Janeiro,

na sua colónia no Brasil.

Nessa altura, houve grande investimento económico no Brasil porque a monarquia havia-se estabelecido lá.

E depois de Napoleão ser derrotado e Portugal libertado, a família real permaneceu no Brasil e estabeleceu o Rio de Janeiro

como a nova capital de todo, todo o Império Português,

que curiosamente marcou o único momento na história, o único momento

em que uma potência europeia foi governada diretamente de uma das suas próprias colónias.

Mas não durou muito tempo. Apenas seis anos depois, em 1821,

uma revolução liberal levou o rei a finalmente deixar o Brasil e voltar para casa, em Lisboa.

Então, o seu filho, que havia ficado no Brasil, Dom Pedro,

decidiu aproveitar a oportunidade e declarou a independência do Brasil

e tornou-se o recém-coroado Imperador do Brasil.

Mas as Cortes não gostaram e ordenaram então que Dom Pedro deixasse o Brasil.

E Dom Pedro, teimoso como era, não acatou as determinações feitas pelas Cortes,

exclamando: "Independência ou Morte!"

"Juro promover a independência do Brasil! Independência ou morte!"

Este ato que é conhecido como o Grito do Ipiranga, que deu início à independência do Brasil,

que só foi concluída em 1825.

"O Brasil não precisa de protetor. Aceito, porém, com muita honra, o título de defensor perpétuo. E juro mostrar-me digno dele."

Ok, já falei de Portugal, depois do Brasil,

e deves estar a perguntar-te o que é que tudo isto tem a ver com Portugal querer unir estes países africanos.

Acho que até aqui já imaginas, e é exatamente isso que pensaste:

com a independência do Brasil, também se foi aproximadamente 50% da receita do Império Português.

Os problemas só estavam a começar para os portugueses.

Por volta de 1828 a 1834, Portugal passou pela Guerra Civil,

e de 1842 a 1846, o Cabralismo, o Golpe de Estado e a Ditadura.

Com todos estes acontecimentos e outros, o Império Português encontrava-se enfraquecido politicamente e financeiramente.

"Em relação ao dinheiro, não temos dinheiro."

Mas não o suficiente para deixar as suas colónias africanas em paz,

até porque estas eram a luz no fundo do túnel para o Império.

Então, na segunda metade do século XIX, a Europa conheceu um elevado crescimento económico e o desenvolvimento da indústria.

Esta situação exigiu não só a exploração de novos mercados para o escoamento da produção,

como novas fontes de matéria-prima para alimentar a indústria.

Daí o crescente interesse por parte das grandes potências europeias pelo continente africano

e a procura do "novo Brasil" para Portugal.

Portugal já tinha uma grande vantagem sobre as outras potências:

as colónias de Angola e Moçambique já estavam praticamente na posse do Império desde o século XV.

Angola, por exemplo, a maior parte da sua colonização servia como uma grande fonte de escravos,

até mesmo depois da abolição da escravatura.

E Moçambique era um atrativo comercial precisamente por se explorar ouro em grandes quantidades.

Para além do ouro, procedia-se à extração de cobre e prata, e à comercialização do marfim também.

Então, alertados pela corrida, começam a pipocar certas ideias na mente de um geógrafo e político chamado Luciano Cordeiro.

Uma pequena ideia de extensão territorial.

E ele, em seguida, decidiu encontrar-se para discutir essa ideia com Pinheiro Chagas e Barros Gomes, que era o Ministro dos Negócios Estrangeiros.

Eles, entre outros, tiveram a ideia de formar um vasto território na África Austral, ligando os territórios entre Angola e Moçambique,

nos quais hoje se situam a Zâmbia, o Zimbábue e o Malawi,

como forma de ter um novo território para abastecer a economia de Portugal depois de terem perdido o Brasil.

Com esta linha de pensamento, a Corte portuguesa já tinha o seu "novo Brasil" com o nome de Mapa Cor-de-Rosa (ou Verde, como alguns relatam).

Para concretizar este sonho ou ideia, os portugueses começaram a organizar planos destinados a promover a exploração no interior da África.

Em 1877, foi lançado um conjunto de iniciativas de exploração destinadas a reconhecer as zonas que separavam as colónias de Angola e Moçambique,

que levaram às famosas expedições de Hermenegildo Capelo, Roberto Ivens e Serpa Pinto,

integradas numa nova estratégia portuguesa para ter um território maior.

Em 15 de Novembro de 1884 a 26 de Fevereiro de 1885,

realizou-se a Conferência de Berlim, marcando a colaboração europeia na partição e divisão territorial da África.

Durante a conferência, Barros Gomes, que era o Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal,

apresentou um projeto que consistia em ligar Angola e Moçambique,

criando uma comunicação entre as duas colónias, de modo a facilitar o comércio e o transporte de mercadorias.

Portugal alegava que tinha direitos históricos sobre estes territórios

e que tinha pequenas colónias ao seu redor.

E lá estava Portugal com o plano de reerguer a sua economia com uma extensa região no continente africano.

Todas as potências concordaram com o projeto do Mapa Cor-de-Rosa, exceto uma: a Inglaterra.

Lord Salisbury, que era o Ministro dos Negócios Estrangeiros da Grã-Bretanha, disse o seguinte, aspas:

"Não aceitoquaisquer reivindicações territoriais portuguesas."

Ele protestou contra o Mapa Cor-de-Rosa, mas não fez nenhuma reclamação contra nenhum destes territórios que ele cobria.

Então, Portugal tentou reforçar as suas reivindicações enviando duas expedições para esta área.

Mas não teve sucesso por uma razão principal:

as reivindicações portuguesas eram um obstáculo à política de expansão de Cecil Rhodes.

Cecil Rhodes era um imperialista, genocida britânico que sonhava em expandir

uma ferrovia que se estendia da Cidade do Cabo, na África do Sul, até ao Cairo, no Egito.

Então, na verdade, Portugal não conseguiu o seu Mapa Cor-de-Rosa porque o seu projeto divergia do projeto britânico.

Sendo assim, Portugal foi o grande derrotado, pois para além de assistir à recusa de direitos históricos como critério de ocupações de territórios,

foi ainda obrigado a aceitar o princípio de livre navegação dos rios internacionais,

aplicando-se ao Congo, ao Zambeze, ao Rovuma, em territórios tradicionalmente portugueses,

e perdeu também o controlo da foz do Congo, ficando só com o pequeno enclave de Cabinda.

Após o choque da Conferência de Berlim, Portugal até tentou de várias formas obter o seu precioso Mapa Cor-de-Rosa.

O resultado foi o Ultimato Britânico de 11 de Janeiro de 1890, sendo exigido a Portugal a retirada de toda a zona disputada,

sob pena de serem cortadas as relações diplomáticas.

Isolado, Portugal protestou, mas seguiu a inevitável cedência e recuo,

e assim acabou o sonho do Mapa Cor-de-Rosa para os portugueses, com um legado de humilhação nacional e frustração durante muitas décadas.

Isto só mostra como os países têm interesses e não amigos. Portugal queria todos estes territórios,

mas só não os teve porque a Grã-Bretanha, que era mais forte, não permitiu.

Também mostra que este plano de Portugal de unir todos estes territórios e povos distintos

era um produto de superexploração de recursos e matérias-primas para desenvolver Portugal.

E é assim que países imperialistas dominam ou dominavam por meio do colonialismo ou neocolonialismo.

Então, o nosso vídeo termina por aqui. Deixa-me saber nos comentários o que achaste deste vídeo. E se tens sugestões de tópicos e temas para serem abordados aqui no canal,

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