O que disputa inesperada entre PCC e CV em São Paulo revela sobre a facção paulista
Descrição
O crime organizado no Estado mais rico do país é dominado há pelo menos duas décadas por uma única facção. Esse fato, aliás, é apontado como pesquisadores como uma das razões para explicar por que São Paulo tem a menor taxa de homicídios do país. Esse cenário, no entanto, pode estar mudando. Investigadores e pesquisadores ouvidos pela BBC News Brasil apontam que a facção carioca Comando Vermelho vem fazendo incursões em território paulista. Entenda no vídeo onde o grupo tem atuado e o que explica o seu retorno a São Paulo. Leia também a versão em texto da reportagem: https://www.bbc.com/portuguese/articles/c1d2zr621pyo Sabia que estamos no WhatsApp? Clique aqui: bbc.in/zap Curtiu? Inscreva-se no canal da BBC News Brasil! E se quiser ler mais notícias, clique aqui: https://www.bbcbrasil.com #bbcnewsbrasil #bbcbrasil
Transcrição completa
São Paulo é o estado com a menor taxa de homicídios do país.
E há muitos anos, investigadores em segurança pública repetem que parte da explicação reside no facto de que o crime é monopolizado por um único grupo.
O Primeiro Comando da Capital. Aqui não há guerra de fações.
Ou não havia. Quase duas décadas depois de ser expulso do estado, o Comando Vermelho voltou a fazer incursões em São Paulo e tem entrado em confronto com o PCC em algumas regiões.
Eu sou Camilla Veras Mota da BBC News Brasil e conversei com investigadores e outras fontes da área de segurança pública para entender esta disputa e o que ela significa.
A presença do Comando Vermelho em São Paulo divide-se hoje em duas áreas principais.
Na região de Piracicaba e na faixa próxima da fronteira com o Rio de Janeiro, no Vale do Paraíba.
Abrangendo cidades como Bananal, Cruzeiro, Lorena e municípios do litoral paulista, como Caraguatatuba e Ubatuba.
A dinâmica em cada uma delas é bastante diferente.
No Vale do Paraíba, o que acontece é uma disputa mais difusa por pontos de venda de drogas.
Enquanto na área de Piracicaba, o conflito gira em torno de um grupo local bastante violento que se associou ao Comando Vermelho.
Mas antes de entrar nos detalhes, é importante entender o que está por trás destes movimentos.
Por um lado, está o próprio processo de expansão nacional do CV.
Na última década, a fação que nasceu numa prisão no Rio de Janeiro nos anos 70 espalhou-se por praticamente todo o território nacional.
Uma das razões, segundo a coordenadora do grupo de estudos de novos ilegalismos da Universidade Federal Fluminense, Carolina Grillo, é o modelo mais fluido de adesão do CV.
Não existe necessariamente um critério formal para um grupo de outro estado entrar na fação.
Basta, por exemplo, existir uma conexão entre lideranças locais e figuras importantes do Comando Vermelho.
Há muitos investigadores que chamam esta forma de operar de modelo de franquia do CV.
É uma estrutura muito mais descentralizada do que a do PCC, por exemplo.
E por falar na fação paulista, várias das fontes com quem conversei realçaram que o recente enriquecimento do PCC é central para entender o que está a acontecer em São Paulo.
Em pouco mais de 30 anos, o PCC, que também nasceu num presídio no início da década de 90, cresceu e estendeu os seus tentáculos sobre a economia formal.
Está no ramo dos combustíveis e até na Faria Lima, como mostrou a operação Carbono Oculto.
Esta diversificação de atividades e, especialmente, a entrada no tráfico internacional de drogas, tem desviado, em certa medida, o foco da fação do tráfico interno, segundo o procurador do Ministério Público de São Paulo, Lincoln Gakiya.
que os criminosos dizem, na verdade, dá, dá, dá mais trabalho para eles e menos dinheiro.
O risco de prisão é maior e quando são presos, eles têm de sustentar a família, sabe? Têm de sustentar, têm de pagar advogado, sustentar a família, etc.
pessoas envolvidas com outras organizações criminosas, como o Primeiro Comando da Capital.
O grupo do Magrelo teve origem em Rio Claro e atua no tráfico de cocaína em diferentes municípios da região.
Tem chamado a atenção das autoridades locais desde 2021 pela forma de agir,
com uso de espingardas em vias públicas, homicídios cometidos à luz do dia e emprego de rastreadores para seguir e matar inimigos.
Embora um dos principais líderes esteja preso,
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