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La historia de un niño con TDAH. Luis Rojas-Marcos, psiquiatra

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E mandaram-me para um colégio de, bom, primeiro um ano por conta própria e depois para um colégio, o Colégio do Santo Anjo, embora fosse um colégio laico, ah, de reprovados. Lá estávamos todos os reprovados.

A verdade é que nos ligámos. E ali foi quando começou uma mudança em mim. Deu-me a oportunidade de ser o Luís, mas não o Luís mau e traveso, porque eles não o sabiam.

E ao chegar, não levaria ali mais de uma semana ou assim. Havia uma senhora, era a diretora do colégio e e e dava uns gritos, mas quando ela gritava, toda a gente se calava.

Um dia diz-me: Luís, tu, tu sentas-te na primeira fila. Quando te sentires assim como nervoso, pede-lhe pausadamente e com muito respeito ao professor que te deixe sair da da aula e tu dás uma volta e voltas.

Aquilo para mim era, como podem imaginar, algo, pois, muito estranho, não é? Que te digam isto. E eu creio que ela já tinha preparado o professor.

Junto a isto, houve uma descoberta da minha mãe, que foi, Luís, esta descoberta ocorreu talvez um ano antes ou dois. Luís, tu, eu creio que tu tens bom ouvido para a música, a minha mãe. Então, por que não aprendes a tocar um instrumento?

E lembro-me que veio uma professora de piano, de solfejo. O que descobri foi que, de ouvido, eu conseguia tocar piano o suficiente para chamar um pouco a atenção e que dissessem: Homem, Luís, toca piano, não é? E depois aprendi a tocar guitarra, mas também sem solfejo, vinha a professora, ajudava-me a pôr as notas e tal.

Comecei a apreciar um aspeto na minha vida que não tinha notado antes, não é? Sem autoestima ou com uma autoestima danificada, é muito difícil tirar satisfação da vida, não é? Separar o facto da pessoa. O que fizeste é um desastre. Não tu és um desastre.

São pequenas coisas, mas coisas que, se nos habituarmos a qualificar o facto e não a pessoa necessariamente, pois, protege a autoestima. Como sabem, o transtorno de défice de atenção é um, é um, um transtorno, não é? Novo.

Portanto, ainda estamos num momento em que estamos a aprender. Não é definitivo tudo isto. A aprender a como tratá-lo, a aprender a como diagnosticá-lo, a aprender a como, como preveni-lo, se é possível. Sabemos que tem um componente genético.

O que não quer dizer que, de certeza, se a mãe ou o pai têm este transtorno, os filhos o vão ter, porque é tudo uma questão, como sabem, os genes são probabilidades, não é? Eh, também sabemos que é um processo de de imaturidade cerebral.

Há zonas do cérebro que controlam o autocontrolo e a atividade física que não se desenvolvem o suficiente e por isso aparece na infância. Uma vez que se diagnostica, então, pois, há vários tipos de tratamento.

Um, naturalmente, é que a criança participe em em em sessões educativas onde a criança aprende a aprender. O que os meus amigos aprendiam em duas horas, eu demorava quatro horas a aprender, não é? Ah, e uma vez que uma vez que o aceitas, pois, começas por aí.

Um, um tema que surge frequentemente é: e dou medicação ao meu filho ou não? Porque, claro, para os pais, a ideia de dar a uma criança de 7 anos uma medicação que, além disso, é um estimulante, não é? É uma medicação real, não é algo, é uma medicação muito potente.

Preocupa. É razoável que lhes preocupe. Ao mesmo tempo, se essa é a, digamos, a chave do tratamento, pelo menos ao princípio, não é? É, eu, é importante, porque o não fazê-lo, o não tratar isto, este transtorno é, pode ser devastador. Arriscamo-nos, se não diagnosticarmos estas crianças, arriscamo-nos a isso, a que não possam estudar, a que não possam. Portanto, quando se decide se tratar estas crianças ou não, é preciso ter em conta as consequências de não o fazer a longo prazo.

Eu fui um menino muito traveso. Era simpático fora de casa, em casa era um desastre.

Um desastre no sentido de estar a saltar o dia todo, de de interromper, de, essas, essas crianças que como que incomodam, não é? Porque não param?

Então não havia isso a que hoje chamamos transtorno de défice de atenção. Não existia. De facto, as crianças com esse problema iam para o campo, a maioria, e e e colhiam mais azeitonas do que as que não tinham isto.

Logo, não havia problema. Enfim, cheguei com 14 anos e com 14 anos, pois eu tinha vindo a chumbar, mas aquilo já foi o chumbo total, não é?

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