Herança histórica tropical com um toque editorial e rústico.

Imigração Cocola em SPM

Descrição

História dos imigrantes das ilhas inglesas nas Caraíbas, conhecidos como os cocolos de SPM. #Loscocolos #Inmigrantes #SanPedrodemacoris Obrigado por ver os nossos vídeos. Se puder partilhar o nosso canal com os seus amigos e conhecidos, seria de grande ajuda. Também tem a opção de nos apoiar tornando-se um dos nossos patronos, contribuindo com o valor que puder através da nossa conta no PATREON: https://www.patreon.com/videocinepalauRENEFORTUNATO Também sugerimos que adquira, utilize e ofereça as recordações promocionais da Videocine Palau, as quais pode adquirir na nossa loja virtual: https://partner.spreadshirt.com/shop-... Para mais informações sobre este canal e sobre as nossas produções, visite: -http://videocinepalau.com.do -https://www.instagram.com/videocinepalau/?hl=es-la -https://www.facebook.com/videocin -https://twitter.com/videocinepalau -https://www.imdb.com/name/nm1934513/?ref_=nv_sr_srsg_1

Transcrição completa

Há mais de um século que os guloyas banham com a sua arte as ruas de San Pedro de Macorís.

A cada 25 de dezembro e 1 de janeiro, a sua magia envolvente impregna esta terra, conhecida também como a Sultana do Leste.

Esta expressão cultural tornou-se parte da sua própria identidade, para não dizer na sua própria identidade.

Falar de guloyas é sinónimo de cocolo, e falar de cocolos é sinónimo de San Pedro de Macorís, como se tudo fosse a mesma história.

A expressão cultural guloya chegou a San Pedro de Macorís com os cocolos há mais de 100 anos.

Mas de onde vieram os cocolos para a Sultana do Leste?

O que os motivou a vir para aqui?

A que se dedicavam?

Onde se estabeleceram? Por onde chegaram?

Bem, eu creio que as imigrações têm sido normais de povo em povo.

E, no tempo em que houve essa imigração cocola, havia uma necessidade nessas ilhas.

Se reparares, essas ilhas inglesas não emigraram apenas para a República Dominicana,

emigraram sobretudo para onde havia os engenhos de açúcar,

que era Cuba, República Dominicana e alguns para Porto Rico.

Em outubro de 1893, Bass também angariou trabalhadores no Caribe inglês,

aos quais, tal como aos porto-riquenhos, pagou a viagem para que se mudassem para a República Dominicana.

Deste esforço, o primeiro contingente de que há notícia chegou ao porto de Santo Domingo no sábado, 14 de outubro, na escuna espanhola Ponseña.

Cerca de 100 trabalhadores procedentes das ilhas de Vieques, São Tomé e Barbados,

ao chegar ao porto de Santo Domingo, embarcaram na escuna nacional Chicago, que os levou a San Pedro de Macorís, onde foram finalmente transferidos para o engenho Consuelo, explica o historiador Orlando Inoa no livro Açúcar. Árabes, cocolos e haitianos.

O historiador Orlando Inoa, no seu livro, cita Bass. Trata-se do empresário açucareiro William L. Bass, de origem norte-americana, embora nascido em Cuba.

Na altura, proprietário do engenho Consuelo e pioneiro da imigração de cocolos como mão de obra para a indústria da cana-de-açúcar.

Sim, quando a indústria açucareira começa a ganhar alguma modernidade com o vapor, etc.,

optou-se por trazer das ilhas os emigrantes de Barlavento, porque facilitavam o idioma para a administração americana.

Muitos daqueles imigrantes das Pequenas Antilhas optaram por se estabelecer aqui.

No país encontraram melhores condições de vida do que nas suas regiões de origem.

Além de Vieques, São Tomé e Barbados, chegaram de São Cristóvão, Nevis, Monserrate, Dominica, Antígua, Anguila, São Martinho, Ilhas Virgens, Aruba e Curaçau.

Os custos da viagem eram cobertos pelos empresários do açúcar.

Eles vieram maioritariamente para os engenhos e também para a agricultura.

É imprecisa a data de chegada do primeiro contingente de imigrantes das ilhas inglesas trazidos para a República Dominicana como mão de obra para os engenhos de açúcar e para o corte da cana.

Para a colheita que se preparava no final de 1890, os trabalhadores cocolos começaram a chegar em grande quantidade aos engenhos dominicanos.

O jornal Listín Diario informou que mais de 1200 cocolos já tinham desembarcado no porto desta cidade e que ainda estavam anunciados muitos mais.

Numa data ou noutra, a realidade é que a chegada dos primeiros imigrantes dessas ilhas a San Pedro de Macorís ocorreu na última década do século XIX.

Na altura, a Sultana do Leste já se tinha tornado a principal força produtora de açúcar na República Dominicana.

Dez anos antes, San Pedro de Macorís contribuía com apenas 14% da produção nacional.

Nessa altura tinha dois engenhos instalados.

Em 1892, a força da mão de obra da imigração das ilhas já se fazia sentir.

Os imigrantes das Pequenas Antilhas adquiriram em San Pedro de Macorís a denominação de cocolos.

A origem do termo carrega toda uma onda de imprecisão.

Alguns diziam que foram os trabalhadores dominicanos que utilizaram o termo pela primeira vez.

Os trabalhadores dominicanos vinham em grande parte do sul do país, região onde chamavam cocolos aos negros haitianos que cruzavam a fronteira.

Apesar de ainda haver investigações pendentes para esclarecer melhor o tema, por agora pode-se concluir, tal como Pedro Mir o fez em 1977,

que a designação cocolo era profundamente insultuosa quando se começou a usar em San Pedro de Macorís para denominar os trabalhadores do açúcar vindos das Pequenas Antilhas.

A imigração de mão de obra cocola para a indústria da cana-de-açúcar terminou no final de 1920.

Por essa altura tinha terminado a conhecida Dança dos Milhões, época florescente da indústria açucareira na sequência da Primeira Guerra Mundial.

Nessa altura, os preços do produto dispararam, trazendo elevadas margens de lucro para a República Dominicana.

O quintal tinha passado de 5,5 dólares em 1914 para 22,5 dólares em 1920.

Após a prosperidade veio a crise, e os empresários locais recorreram à mão de obra haitiana, mais barata e acessível.

A imigração cocola terminou há quase um século. Contudo, a marca cocola permanece em várias áreas e tenta-se que não seja esquecida, como é o caso da gastronomia cocola.

Eu acho que é muito importante porque é uma gastronomia que tem estado em decadência.

E por essa razão temos tentado transmitir à juventude atual da nossa terra que a gastronomia cocola é realmente importante para a nossa cultura na República Dominicana.

Juan Silié Dunker é o administrador do restaurante Rincón Cocolo, localizado no bairro Miramar, em San Pedro de Macorís.

Os seus avós chegaram de Curaçau e São Martinho em 1910.

Estabeleceram-se no engenho Angelina, onde o seu avô foi chefe de mecânica.

A sua família trabalha na preservação da cultura cocola. Com esse objetivo, possuem uma fundação e o restaurante.

Nós fazemos o fungí, o domplín, o bacalhau, o peixe, as tartes, o pão de coco, o pão de milho, o pão de batata-doce... Ou seja, estes produtos são maioritariamente acessíveis ao povo.

Os cocolos também introduziram no país vários frutos, entre eles a fruta-pão, o nance ou nanche, conhecido como ponceré, e o guavaberry.

Também tem sido a sua cultura, acima de tudo. Não apenas a gastronomia, mas a sua cultura.

Se reparares, os cocolos que estão aqui em San Pedro de Macorís desenvolveram-se sobretudo nas igrejas.

Os cocolos eram protestantes, eram líderes de igrejas protestantes, líderes de bairro, de lojas maçónicas.

Nadal Walcot, reconhecido contista e pintor de ascendência cocola, considera que o contributo dos seus antepassados também se estende a outras áreas.

Havia professores de matemática que deram aulas aos dominicanos que trabalhavam nos engenhos e isso foi-se multiplicando.

A tal ponto que o próprio Trujillo recrutava matemáticos cocolos para trabalhar na marinha... eram muito bons a matemática.

Na questão da indústria açucareira, os primeiros químicos do açúcar foram na sua maioria de origem cocola.

A descendência cocola também deu ao país atletas de nível mundial, entre os quais Ricardo Carty, Alfredo Griffin, Juan Samuel, Jorge Bell, entre muitos outros.

Mas quando se fala do grande contributo dessa imigração, é obrigato olhar para o teatro cocolo dançante, popularizado como Os Guloyas.

Os Guloyas são uma manifestação que veio das ilhas, daqueles imigrantes que vieram para o corte da cana no final do século XIX e início do século XX, e que vieram trabalhar para aqui na indústria açucareira.

Javier Adames Santana é coordenador do Teatro Cocolo Dançante. Juntou-se ao grupo em 1992 quando era apenas uma criança e esteve todos esses anos ao lado das grandes figuras dos guloyas,

como Donald Hollister Warner Henderson, a quem todos conheciam como Linda, e Juan Felipe Linis Simon, Rudy, ambos falecidos. Eles dois são considerados os maiores expoentes dessa manifestação cultural.

Esta dança era apresentada principalmente no Natal, porque era na altura em que eles tinham tempo livre para a poderem realizar.

Porque na indústria açucareira o período de paragem era de setembro a dezembro. Então eles aproveitavam setembro, outubro e novembro para ensaiar, para saírem a 25 de dezembro.

É a expressão mais alta dos cocolos, é a expressão mais alta de San Pedro de Macorís, que é sinónimo de cocolos.

Não é por acaso que a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, UNESCO, a tenha declarado Património Cultural Oral e Imaterial da Humanidade. A declaração ocorreu a 25 de novembro de 2005.