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Relacionamentos sem drama

Descrição

Vamos conversar sobre relacionamentos sem drama? RELACIONAMENTOS incluem todo o tipo de interação, incluindo patrão e empregado, entre pais e filhos, entre irmãos mas, principalmente, a vertente amorosa num casal que ambiciona relacionamentos sem drama. crédito foto: https://flic.kr/p/eLFtFg ------------------ SOBRE SEIITI ARATA ------------------ Seiiti Arata é fundador da Arata Academy, que oferece formação online para desenvolvimento pessoal. Reside na Europa após ter trabalhado durante seis anos no Escritório das Nações Unidas em Genebra e como facilitador de comunidades para a DiploFoundation. O seu perfil profissional está disponível em http://arata.se/linkedin ------------------ AULAS DE DEMONSTRAÇÃO DOS CURSOS ------------------ PRODUTIVIDADE NINJA - http://arata.se/gerenciamentotempo COMO APRENDER MAIS RÁPIDO - http://arata.se/comoaprender A CLASSE ALTA - http://arata.se/4cavaleiros

Transcrição completa

Vamos conversar sobre relacionamentos sem drama.

Os relacionamentos incluem todo o tipo de interação, incluindo patrão e funcionário, pais e filhos, entre irmãos,

mas estamos a falar aqui principalmente de um relacionamento amoroso, de um casal que deseja viver um relacionamento sem drama.

Deixe-me explicar-lhe em 30 segundos qual é o padrão geral deste drama.

Estamos a falar daquela zanguinha que vem por um motivo parvo, só que é a gota de água, a pessoa de repente explode, fica descontrolada, atira um monte de coisas à cara da outra,

se forem acusações injustas, há uma sequência de frustrações, de ofensas, até talvez um certo afastamento.

E depois de passar este drama, vem a tristeza, vem o vazio, que é o momento de pedir desculpa, há uma choradeira, uma promessa: 'não, agora vai tudo mudar',

e encontramos um momento de estabilidade,

até que acontece novamente uma acumulação de frustração, de raiva, e uma nova zanga acontece e a coisa repete-se.

Veja que não preciso de ter uma bola de cristal para saber que, se estiver a viver um relacionamento com drama, é bem possível que tenha identificado alguma coisa neste padrão que acabámos de desenhar.

Isto é psicologia básica, basta parar para pensar e vai descobrir quais são os comportamentos esperados, quais são as reações muito prováveis perante certos estímulos, certos gatilhos.

E se não se identificou com este padrão, parabéns, é muito provável que tenha um relacionamento bastante maduro.

Um relacionamento adulto não tem este tipo de drama.

Agora pode também ficar à vontade para partilhar este vídeo, caso conheça pessoas que ache que precisam de aprender um pouco do modelo comportamental que vamos aprender aqui nesta conversa.

Quem entender a teoria deste vídeo vai conseguir modificar comportamentos para viver relacionamentos sem drama.

Vamos a isso? Por favor, pegue num caderno, numa caneta, e desenhe um triângulo igual a este meu aqui.

Este aqui é o Triângulo Dramático de Karpman. Vamos escrever aqui em cima a letra R, de Resgatador, a letra P, de Perseguidor, e na parte de baixo a letra V, de Vítima.

Ah Seiti, mas espere aí, não estou a entender. Onde é que eu entro nesta história? Quem sou eu aqui? Sou o perseguidor, sou o resgatador, sou a vítima? Quem sou eu?

Calma, porque vamos aprender que não é nenhum deles. Estes aqui são apenas alguns papéis, são máscaras que vão mudando.

Isto funciona para diferentes tipos de relacionamento, e pode usar o género masculino ou feminino, escolhe ele ou ela da forma que bem entender. Combinado?

Este triângulo vai funcionar da seguinte maneira:

A pessoa que está no papel de resgatador usa a máscara da pessoa boazinha, do super-herói que vem resgatar, para ajudar os outros, que se sacrifica pelos outros,

e, portanto, inicia um relacionamento com uma pessoa que está a usar a máscara de vítima. Aquela que é toda delicada, que está a passar por dificuldades, que precisa de ser resgatada, que é incapaz de cuidar da própria vida. A vítima, portanto, entrega o poder nas mãos do resgatador.

Num primeiro momento, esta dinâmica parece boa para ambos. O resgatador sente-se importante, sente-se valorizado, sente-se necessário para aquele relacionamento,

enquanto a vítima se sente também valiosa porque agora tem atenção, tem finalmente alguém que se importa com ela, alguém forte, alguém que resolve todos os problemas.

Tudo parece lindo e maravilhoso por um tempo, até ao dia em que acontece uma zanga. E há dois tipos de zanga.

A primeira zanga é quando o resgatador fica farto de fazer tudo sozinho, e daí há dois cenários que podem acontecer.

No primeiro cenário, o resgatador começa a queixar-se de que está a engolir muitas coisas maus, não aguenta mais, que isto está errado, que está a assumir todas as responsabilidades da casa e não está a receber nada em troca.

O resgatador não se sente valorizado. Fica com raiva e, de repente, muda de máscara. Larga aquela máscara, vai para o outro lado do triângulo, e agora usa a máscara de perseguidor.

É um tipo de controlador que critica, que fica a acusar, que fica a julgar, e isto acontece geralmente depois de uma coisa insignificante, aquela gota de água,

uma tarefa doméstica a cuidar da casa, uma frase dita ou não dita, uma tontice, um pormenor. Foi a gota de água.

Ou então, segunda situação: o resgatador começa a ficar estressado, fica mais calado, fica mais fechado, já não interage com aquela doçura de antigamente com a vítima, e agora começa a isolar-se.

Sai, não dá satisfações, vai gastar dinheiro, vai torrar dinheiro em compras, vai para a noite, apanha uma bebedeira, salta a cerca, arranja sarilhos, em suma, começa a fazer coisas muito estranhas para poder extravasar.

São ações que parecem um certo tipo de desforra merecida. Existe um sentimento de merecimento muito claro aqui. O resgatador pensa: 'Ora, eu aguento cada uma em casa... mereço mais do que ninguém descontrair agora, a minha vida está muito complicada.'

Em ambos os cenários, o que está a acontecer aqui com o resgatador é um tipo de raiva acumulada em que ele sente que o relacionamento não é justo, que se esforça mais do que a vítima, que a vítima não reconhece todos os sacrifícios que ele tem feito.

O resgatador agora está num momento muito delicado porque sabe que está a ser agressivo, ofensivo, abusivo, raivoso, estúpido. Isto não é coerente com o amor que existe na base do relacionamento.

O resgatador começa a odiar-se, e aí, cedo ou tarde, vai pegar na máscara de vítima.

Nesse momento, a pessoa que antes estava com a máscara de vítima muda, vai para a parte de cima do triângulo e pega na máscara de resgatador e diz algo como: 'Poxa... desculpa-me, não tinha noção de que te estavas a sentir deste jeito... amo-te! Vou fazer de tudo para te sentires melhor, desculpa-me.'

E daí a outra pessoa, que agora está com a máscara de vítima, também vai pedir desculpa, vai admitir todos os abusos que cometeu enquanto estava a usar a máscara de perseguidor, vai chorar, vai ficar deprimida, toda aquela cena que faz parte deste triângulo.

Depois de passar este drama de novela, eles reajustam-se para as posições iniciais, é o ponto normal para eles.

Mas lembra-se de eu ter dito que há dois tipos de zanga? Lembra-se de ter dito isso no início? Vimos aqui o que acontece quando o resgatador fica com raiva. Só que há outro caso. Vamos ver agora o que acontece quando a vítima é quem fica com raiva.

Segundo tipo de zanga: chega um dia em que a vítima fica farta de ser tratada como vítima, de ser tratada como uma pessoa incapaz de cuidar da própria vida, do seu próprio nariz. Começa a ficar sufocada, sente-se infantilizada, não está a ser levada a sério.

E daí vai abandonar a máscara de vítima, sobe e pega na máscara de perseguidor, queixando-se de que não tem independência, de que não aguenta mais tanta intervenção na vida, já não quer este tipo de controlo.

E daí o resgatador tem de descer e pegar na máscara de vítima, geralmente com algum choramigado do tipo: 'Ah, mas eu só quero ajudar-te! Porque te amo!'

Está a acompanhar? O que vai acontecer aqui? Onde existe vítima, há resgatador. Então a outra pessoa vai deixar a máscara de perseguidor de lado, vai pegar agora na máscara de resgatador e vai pedir desculpa. Vão fazer as pazes e retornar às posições originais.

É que, apesar de serem papéis, máscaras que se vão alternando, existem alguns papéis que são mais recorrentes para cada pessoa, dependendo da personalidade, do histórico dessa pessoa e de vários outros fatores.

Consegue ver como este relacionamento dentro do triângulo é carregado de problemas? Tanto a pessoa que está com a máscara de vítima ou de resgatador tem de ter um poder sobrenatural de ler as mentes de toda a gente para se poder comportar. Tem de saber o que tem de fazer mesmo perante o silêncio da outra pessoa. Quando a outra pessoa não está a dizer nada, ela tem de conseguir ler a mente do outro.

E o resgatador sente-se demasiadamente responsável. Eles misturam os problemas. Aquele pensamento do tipo: 'Se tu tens um problema, então eu tenho um problema. Vou sofrer contigo até conseguir resolver o teu problema.'

E a vítima, por sua vez, não se sente ouvida, sente uma falta de empatia, porque, em vez de ser compreendida, que era o que queria, parece que está a ouvir um monte de sugestões, críticas... não é isso que quer.

Aí pergunta-me: 'Mas Seiti, o que é que eu faço? Como é que saio deste triângulo? Isto não me está a agradar.' A solução está em parar de usar máscaras e sair do triângulo.

A posição fora do triângulo é uma posição de adulto. Veja que aqui temos duas letras A, representando dois adultos em posição de igualdade. Em relacionamentos adultos, está muito claro quem é que tem um problema. Por isso é que traçamos uma linha vertical de divisão.

Se você está a sentir algo, então o problema é seu. É você que tem de decidir o que vai fazer a respeito.

Caso precise da minha ajuda, então você é que tem de me dizer, usando palavras, verbalizando especificamente o que é que espera do meu lado.

Porque, se não falar, se não verbalizar, não tenho como adivinhar, não tenho como ler pensamentos. Repito: se não falar, não tenho como adivinhar.

Na posição adulta, percebemos que as máscaras não são reais, são apenas máscaras. A vítima não é indefesa, tem capacidade de resolver os problemas, de conseguir soluções de forma independente.

O perseguidor não é mau, está a tentar ajudar quando critica, quer contribuir de alguma maneira, quer trazer o seu ponto de vista para os outros.

O resgatador não é boazinho. Também tem necessidades, tem carências, tem inseguranças, e o mundo não vai acabar se ele não conseguir exercitar essa sua bondade.

São máscaras que escondem pessoas muito mais completas por trás. Entender isto vai dar-nos muito mais opções.

Quem está com a máscara de resgatador pode aprender a soltar essa máscara, deixando de ajudar quem não está a pedir ajuda, parar de andar a intrometer-se na vida dos outros.

Quem usa a máscara de resgatador também tem de encontrar formas de encontrar a felicidade, de se sentir bem, sem precisar de agir como um super-herói que compra amor através de atos de bondade. Em suma, vá divertir-se, cuide de si, cuide da sua vida.

Para largar a máscara de perseguidor, a dica é também parar de se intrometer na vida dos outros. Tente entender o todo das pessoas, não fique focado apenas nas falhas, nos erros dos outros. Ninguém é perfeito. Tente sentir-se bem sem ter de humilhar os outros, sem se julgar o dono da verdade, sem ficar a julgar e a rotular.

Para largar a máscara de vítima, a pessoa pode exercitar o pensamento lógico: 'Como posso cuidar de mim? O que posso fazer por mim? De que maneira posso resolver os meus problemas sozinho? Como posso enfrentar o medo de viver sem muletas, sem ter de ficar dependente de pessoas boazinhas?'

Bem, esta conversa toda está muito boa, mas vamos agora então resumir tudo. Lógico que a vida não é assim tão simples, cada caso é um caso. E se tem participado no triângulo durante muito tempo, é importante que a outra pessoa também entenda, da mesma maneira que acabou de entender agora, como funciona este triângulo e que ela queira de verdade mudar para um relacionamento adulto.

Porque, se ela não perceber e você começar a parar de usar essas máscaras do triângulo, é muito provável que ela tenha uma resistência tentando puxá-lo para dentro do triângulo novamente.

Atenção aqui, porque é neste momento que pode morar um relacionamento abusivo. Já viu: é a vítima a querer tornar-se mais independente e daí acaba por ser oprimida pelo resgatador que vai virar perseguidor.

O que é que o perseguidor começa a dizer? 'Tu não tens capacidade, vais magoar-te, baixa lá a bola.' Em alguns casos, pode até espancar, perseguir, invadir a privacidade mexendo no telemóvel, gritar e abusar de todas as maneiras, física e moralmente. Por isso, cuidado.

E se o resgatador também começa a sair do triângulo, há vítimas que ameaçam suicidar-se, entrar em depressão, atiram um monte de acusações do tipo: 'Ai, como podes abandonar-me depois de tudo o que fizemos juntos?' e usam vários tipos de chantagem emocional para prender a pessoa dentro do triângulo. Portanto, muito cuidado.

A vida fora do triângulo é uma vida de relacionamentos adultos sem drama. Espero muito que possa viver uma vida plena sem máscaras.

Era isto que queria partilhar hoje consigo. Eu sou o Seiti Arata, da Arata Academy, e o meu trabalho é produzir cursos online que o ajudam a refletir e a continuar sempre a melhorar. Para isso, por favor, conte-me usando os comentários qual foi a utilidade para si deste modelo de relacionamento sem drama, tanto para si como para pessoas que conhece,

e assim conseguimos continuar a preparar mais vídeos sobre comunicação e relacionamentos, e sempre que tiver novidades, mando-lhe por e-mail se já fez o registo no nosso site ArataAcademy.com.

E o futuro? Há três tipos de resultados possíveis. Número um: quem tentou sair do triângulo para ficar na posição de adulto e não aguenta, acaba por voltar ao triângulo.

Há as pessoas que saem do triângulo, conseguem manter-se na posição adulta e recusam-se a voltar ao triângulo. Aqui o relacionamento pode ir ao ar, porque a outra pessoa que continua no triângulo vai ter de procurar outra pessoa que a substitua e continue a jogar dentro do triângulo.

E o terceiro caso é quem ficou no triângulo e percebe que também tem de sair, também tem de assumir uma posição adulta. Esta é a forma mais difícil porque vai exigir um empenho mútuo. Ambas as pessoas têm de crescer, têm de aprender novas formas de expressar amor.