3 condições para o diagnóstico do Autismo [DSM-5-TR]
Descrição
Conheça a nossa Pós-Graduação em ABA, agora reformulada, com novos Professores (100% Mestres e Doutores): https://www.cbiofmiami.com/pos-aba Plataforma de cursos Luna ABA: https://lunaeducacao.com.br/ Relativamente ao diagnóstico do Perturbação do Espetro do Autismo - PEA, existem 2 critérios que o indivíduo necessita de apresentar para concluir um diagnóstico. De acordo com o manual revisto de 2022 do DSM, existem 3 condições para fechar com certeza um diagnóstico de Autismo. O Professor Lucelmo Lacerda esclarece e explica as condições que influenciam os 2 critérios de diagnóstico. Confira o vídeo para saber mais! DSM-5 https://amzn.to/3o496x8 Lucelmo Lacerda é Professor, Doutor em Educação pela PUC-SP com estágio pós-doutoral em Psicologia na UFSCar, Psicopedagogo, Professor da Especialização em ABA do CBI of Miami e da Especialização em Autismo da Universidade Federal de Tocantins; atuou como especialista no Grupo de Trabalho do Conselho Nacional de Educação Especial - CNE para a elaboração de novas Diretrizes Nacionais de Educação Especial. Para adquirir o livro Transtorno do Espectro Autista: uma brevíssima introdução, do Prof. Lucelmo Lacerda: https://produto.mercadolivre.com.br/MLB-2009174918-transtorno-do-espectro-autista-uma-brevissima-introduco-_JM Email para contacto: lucelmolacerda@gmail.com Clínica de Intervenção Luna ABA: http://lunaaba.com.br/ Redes sociais Instagram: www.instagram.com/lucelmo.lacerda/ www.instagram.com/aba.luna.autismo/ Facebook: www.facebook.com/prof.lucelmo/ www.facebook.com/lunaabaBR/ Endereço para correspondência: Av. Alfredo Ignácio Nogueira Penido, nº 335, Sala 401, Parque Residencial Aquarius, São José dos Campos/SP, CEP: 12246-000
Transcrição completa
Olá, pessoal, tudo bem? Já deve ter ouvido falar,
e até eu já fiz muitos vídeos aqui, sobre os dois critérios de diagnóstico básicos para autismo, que é
o prejuízo persistente na comunicação social e na interação,
e os interesses e comportamentos fixos e restritos.
Bom, estes dois aqui, de verdade, têm de estar presentes, este primeiro tem três partes, o segundo tem quatro partes, já expliquei isso noutro vídeo que vou colocar aqui para vocês, mas existem três condições, três condições, segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, 5ª edição, inclusive na versão revisada, que é a que estou a usar aqui como referência de 2022.
Estas três condições precisam de estar atendidas para que se feche o diagnóstico, e eu vou explicar estas condições aqui para vocês ficarem ligadíssimos e atualizados no transtorno do espectro do autismo.
O meu nome é Lucelmo Lacerda, sou doutor pela PUC São Paulo, fiz o meu pós-doutoramento na Universidade Federal de São Carlos.
E eu pesquiso autismo e práticas baseadas em evidências, e a gente precisa que os diagnósticos sejam bons, sejam bem feitos, para que a gente possa, de facto, garantir o direito dos indivíduos, né, com esse diagnóstico, e garantir intervenções bem feitas, baseadas em evidências.
Pois bem, para fechar um diagnóstico de autismo, o indivíduo tem de ter o critério A, esse défice persistente em comunicação e interação social, e isso é caracterizado por défice na reciprocidade socioemocional, no prejuízo na linguagem verbal, não verbal ou na integração entre elas, e na iniciação e manutenção de relações de amizade, intimidade e todas as outras.
Estes três têm de estar presentes. E no critério B, tem de estar presente dois desses critérios: estereotipias vocais ou motoras, adesão inflexível a temas e ou objetos, adesão inflexível a rotinas e rituais, né, aspetos fixos do ambiente e alterações sensoriais de hiper ou hiporreatividade ou quaisquer outras alterações significativas sensoriais.
Beleza. Mas isso aqui depende de três condições. Primeira delas: precisa de apresentar na primeira infância.
Não pode ser um conjunto de coisas que apareça depois.
Veja, é diferente você ter esses traços na primeira infância e você reconhecer na primeira infância.
Pode ser que em alguns casos, principalmente os mais leves, o indivíduo é pequeno, você não liga, não percebe nada, ele vai crescendo, crescendo.
Quando as demandas sociais vão ficando mais importantes, mais significativas,
e vão demonstrando certos prejuízos no indivíduo, você fala: "Ih, caramba!"
Aquele negócio lá quando ele era pequeno, eu sabia que estava diferente.
Você pode reconhecer depois, mas você precisa de olhar para trás e reconhecer que aquilo estava presente lá na primeira infância.
Todos os protocolos padrão ouro de avaliação diagnóstica, eles vão fazer todo um período de lembrar, de trazer factos da primeira infância, porque precisa de atender a isso.
Isso é um condicionante do diagnóstico, entendeu?
Você pode perceber na primeira infância ou atrasar essa perceção,
mas você precisa de ter a clareza que aquilo apareceu naquele momento.
Eu assisto a uma série chamada The Boys, muito legal,
que tem um personagem que é o Leitinho.
Esse personagem, em vários momentos, ele mostra uma série de rituais que ele tem, e eu falei: "Pô, será que esse cara, né, eles estão a querer representar esse cara como sendo um personagem com autismo?"
Aí você tem outro episódio, o último episódio que eu assisti agora neste momento que estou a gravar,
em que ele conta quando é que ele desenvolveu esses rituais,
que é no momento em que a família dele foi morta e ele não tinha checado algumas coisas, e aí ele começou a desenvolver uma série de rituais para tudo.
Então, veja, é uma questão psicológica, decorrente de um certo evento na vida dele,
que fez com que se desenvolvessem certos padrões comportamentais.
Este caso não tem relação com autismo.
O autismo, ele é uma condição diferente, que tem uma causalidade específica,
que eu já falei noutro vídeo aqui que vou colocar aqui para vocês,
e que, portanto, ele precisa de aparecer na primeira infância.
Sem isso, não é um caso de transtorno do espectro do autismo.
Vamos lá para a segunda condicionante.
Não, eu só continuo o vídeo se o pessoal aqui curtir, se inscrever, ativar o sininho aqui.
Se estiver todo o mundo inscrito, senão, não. Isso é que é uma condicionante, né?
É a condição, sem isso, você não, você não, não pode fechar.
Então, claramente, essa não é uma condicionante, porque não tem como saber, estou a gravar antes.
Mas eu vou falar da segunda condição. A segunda é a seguinte:
O prejuízo precisa de ser clinicamente significativo.
E o que é que isso quer dizer?
Eu fiz um vídeo aqui muito, muito, muito, muito legal, eu acho que é um dos melhores vídeos que eu já fiz aqui,
que é sobre a natureza do autismo, porque eu acho que tem muito erro nessa interpretação.
O autismo, ele é um conjunto de traços, você tem um conjunto de traços, eu posso dividir de várias formas, né?
Mas esses traços não são coisas que estão presentes em pessoas com autismo e ausentes em pessoas que não têm esse diagnóstico.
Não é assim. Na população geral, geral, você consegue ver que esses traços estão distribuídos numa curva estatisticamente normal.
Esses traços, portanto, todo o mundo tem.
O problema não é ter ou não ter os traços de autismo.
O problema é tê-los em uma proporção, em uma dimensão,
que te traz prejuízo significativo na sua qualidade de vida.
Isto é que define, isto é que é a linha de limite para você simplesmente ter traços e ser diferente das maiorias das pessoas.
Tem um tanto de traço aqui e ter aí condições individuais específicas,
ou você atravessar essa barreira e ter o transtorno do espectro do autismo e ter o diagnóstico.
Então, é preciso que ele traga um prejuízo significativo na sua qualidade de vida.
Porque o diagnóstico não é uma classificação científica.
Você tem isso, isso é tal coisa ou isso é aquilo outro.
Não é isso. O diagnóstico é um documento médico, clínico, é uma decisão clínica,
que é contextual, depende de todas as coisas que eu já expliquei aqui,
em que o médico diz assim: "Ó, esse indivíduo tem esses traços aqui numa quantidade tal,
que ele precisa que a gente apoie." Inclusive, essa é a definição do próprio DSM dos níveis, né?
Nível 1 precisa de apoio, nível 2 apoio substancial, nível 3 apoio muito substancial.
Vou até colocar um vídeo aqui também sobre os níveis de autismo que eu já fiz.
Então, o diagnóstico é uma afirmação de um profissional que nós, enquanto sociedade, atribuímos a ele esse papel,
para dizer que alguém precisa de apoio e aí a gente vai oferecer, em tese, né, porque no Brasil está difícil,
os apoios que esse indivíduo precisa.
Portanto, precisa de ter prejuízo clinicamente significativo.
Se alguém disser assim: "Eu tenho autismo, mas eu não preciso de apoio nenhum", então não é autismo.
Já não entra dentro do critério diagnóstico de autismo.
Ele é um indivíduo com muitos traços, é um indivíduo que pode até ter a identidade de autismo,
né, de uma pessoa com autismo, tudo bem, né, é uma afirmação de identidade,
mas ele não configura os critérios diagnósticos de autismo.
O terceiro condicionante é que essas características todas que eu já expliquei,
não podem ser melhor explicadas por atraso global do desenvolvimento ou deficiência intelectual.
Então, isso pode acontecer, esses prejuízos, porque o indivíduo está atrasado o seu desenvolvimento.
Pode acontecer. E pode acontecer, principalmente, por uma deficiência intelectual.
Então, vamos imaginar que uma pessoa tem uma deficiência intelectual profunda, né?
Porque deficiência intelectual é dividida em quatro níveis: leve, moderado, grave e profundo.
Digamos que ela tenha uma deficiência intelectual profunda, com um, uma inteligência realmente muito baixa,
e por conta disso, ele não conseguiu entender as outras pessoas.
Ele não conseguiu desenvolver, entender a linguagem.
Ele tem ali uma dificuldade muito grande de estimulação do ambiente,
porque ele não consegue entender as estimulações sociais, e aí isso pode gerar comportamentos autoestimulatórios.
Então, esse quadro, se ele for um quadro realmente muito acentuado,
ele pode trazer um prejuízo tão grande para o indivíduo que ele limita drasticamente as comunicações sociais,
e impõe certos comportamentos mais restritos para o indivíduo.
Mas não por falta de certos componentes ali especificamente sociais,
que estão relacionados ao autismo, né, esses défices sociais relacionados ao autismo,
mas por uma outra questão, outro caminho de explicação.
Não é fácil fazer, de facto, essa distinção, por isso que a gente precisa de profissionais muito qualificados para fazerem os processos de avaliação diagnóstica.
Aliás, eu vou colocar aqui para vocês agora dois vídeos para vocês poderem, quem quiser, assistir.
Um sobre diagnóstico em adultos e outro sobre diagnóstico em crianças, como é que é todo esse processo de avaliação diagnóstica, está bom?
Um grande abraço, gente, tchau para vocês.