O BRASIL DEPOIS DA ABOLIÇÃO DA ESCRAVIDÃO - ft RAEL DA RIMA
Descrição
Entenda o que aconteceu com os negros no Brasil após a assinatura da lei que aboliu a escravidão em 1888. MEU INSTAGRAM: @fecastanhari - http://goo.gl/qdliIC ESCUTE [ou assista] DE GRAÇA NO SPOTIFY - https://spoti.fi/43GMZz5 Canal do Rael - http://youtube.com/raeldarima COMO VOCÊ PODE NOS AJUDAR? ▀▀▀▀▀▀▀▀▀▀▀▀▀▀▀▀▀▀▀▀▀▀▀▀▀▀▀ Dedicamos nossa vida ao Nostalgia, seria uma honra poder contar com sua ajuda. Faça parte do CLUBE NOSTÁLGICO - http://youtube.com/nostalgia/join QUER SE APROFUNDAR? NOSSAS FONTES: ▀▀▀▀▀▀▀▀▀▀▀▀▀▀▀▀▀▀▀▀▀▀▀▀▀▀▀▀ O Espetáculo Das Raças ‘’ - Lilia Moritz Schwarcz O Cativeiro da Terra ‘’ - José de Souza Martins Favelas - ABREU, Mauricio; VAZ, Lilian. Sobre as origens da favela. Anais do IV Encontro Nacional da ANPUR ALMEIDA, Silvio. O Racismo Estrutural. São Paulo: 2018 Sobre os Cortiços - CHALHOUB, Sidney. Cidade Febril: cortiços e epidemias na Corte imperial. São Paulo, Cia da Letras Florestan Fernandes ) FERNANDES, F. A Integração do Negro na Sociedade de Classes. São Paulo, Editora Globo 2008. ( Gilberto Freire ) FREYRE, G. Casa grande e senzala, Rio de Janeiro, Editora Nacional. 2003 MOURA, C A História do Negro Brasileiro , São Paulo ,1992 CRÉDITOS ▀▀▀▀▀▀▀▀▀▀▀▀▀▀▀▀▀▀▀▀▀▀▀▀▀▀▀ Roteiro - Rob Gordon , Felipe Castanhari Consultoria História - Dirceu Lima Jr e Caio Vinicius Godoy Revisão - Ale Santos Direção - Felipe Castanhari Ilustrações - Gabriel Infante e Juan Calvet Animação - Mariana Kadlec e Ana Paula Miranda de Sousa Edição - Mariana Kdlec Design - Bel Rainer Produção - Thed Oliveira
Transcrição completa
BRASIL - DÉCADA DE 1880
Na década de 1880, Mariano Pereira dos Santos vivia da única forma que conhecia.
Numa quinta do Paraná.
Tratado como objeto, ele trabalhava o dia inteiro.
E recebia apenas comida suficiente para não morrer de fome.
Só podia descansar à noite, quando dormia amontoado junto dos seus companheiros.
Mariano ou Marianinho, como era chamado pelos seus amigos, era uma das mais de 700 mil pessoas escravizadas que existiam no Brasil.
Quando a Princesa Isabel assinou a Lei Áurea, em maio de 1888.
A lei surgiu como uma resposta à luta insistente dos movimentos populares e da resistência dos escravizados.
Em várias cidades, aconteceram festas a celebrar o fim da escravidão.
Marianinho também comemorou.
Agora ele era um homem negro livre e podia ir para onde quisesse para recomeçar a sua vida.
O problema é que Mariano não tinha para onde ir, nem perspetiva de futuro.
Como ele poderia voltar para a terra dos seus antepassados sem dinheiro?
Onde ele iria morar se nem aluguer poderia pagar?
Essa era a situação que quase todos os escravizados libertos teriam que enfrentar a partir daquele 13 de maio de 1888.
Então, quero convidar-vos para ver o que aconteceu com essas pessoas depois da abolição.
E se puder, deixe o seu gosto aqui em baixo para ajudar a divulgar este vídeo.
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Este vídeo contou com a consultoria do historiador Dirceu Lima Júnior, professor de história da África e do negro no Brasil.
E também do já conhecido por vocês, Caio Vinícius Godoy, o nosso historiador aqui do canal.
E para ajudar a contar essa história, eu conto com a participação especial do meu querido amigo, o cantor Rael.
Salve, salve, seres do Nostalgia.
Demorou, Castanhari, vou ajudar a contar essa história.
Então, Rael, vamos dar um passeio pela história do Brasil?
Vamos!
NOSTALGIA ANIMADO
Depois do dia 13 de maio de 1888, milhares de negros começaram a andar livres pelo país.
Muitos afastaram-se dos locais onde tinham sido escravizados e tentaram encontrar os seus parentes que tinham sido vendidos para todos os cantos do Brasil.
Como deve imaginar, a vida dessas pessoas não era nada fácil.
Muitos mal tinham roupas ou itens de higiene.
E eram constantemente reprimidos pela polícia e acusados de vadiagem.
Muitos desses polícias eram filhos de brancos com negras, pois tinham a pele mais clara e jogavam ao lado do opressor para ter uma vida menos pior.
Arrarrumar um emprego também não era uma tarefa fácil para os negros que tinham sido escravizados.
Primeiro, porque o preconceito fazia com que eles fossem vistos como preguiçosos, malandros e até mesmo perigosos.
Segundo, que desde 1818, trabalhadores europeus imigraram para o Brasil.
Esse número começou a crescer a partir de 1850, porque o preço dos escravizados foi ficando tão alto que a mão de obra assalariada acabou por ficar mais barata para os grandes fazendeiros.
Mas a economia não foi o único motivo dessa imigração.
Nessa época, surgiram muitas teorias de eugenia sobre os brancos europeus serem uma raça superior.
Essa conversa também aconteceu no Brasil, com tentativas de branquear a população.
Uma delas foram os incentivos do governo para atrair imigrantes europeus para que os seus descendentes aumentassem o número de brancos na população.
Deixando o Brasil parecido com as nações europeias, vista na época como mais civilizada.
Os imigrantes que foram para o sul do país, por exemplo, receberam facilidades para adquirir terras, ferramentas agrícolas e sementes.
Claro que, nesse processo, muitos deles ficaram a dever dinheiro ao governo.
Mas, com o tempo, essas dívidas foram perdoadas.
E os negros que tinham sido escravizados? Estes não receberam ajuda nenhuma do governo e foram deixados à sua própria sorte.
Porque a ideia do projeto de branqueamento era fazê-los desaparecer no meio da miséria e da fome.
Assim, eles só podiam contar consigo próprios.
Aqueles que permaneceram no campo procuravam trabalho em quintas, mas muitos proprietários de terras recusavam-se a pagar-lhes salários.
Então, alguns simplesmente acampavam em locais desocupados para cultivar a terra.
Outros acabaram por ir para as cidades.
Trabalhavam como vendedores ambulantes, pedreiros ou em serviços domésticos.
Moravam com as pessoas mais pobres em cortiços, onde cada quarto era ocupado por uma família inteira.
O governo e as pessoas da elite não gostavam nada desses cortiços, diziam que eram locais repletos de doenças, depravação e que atrapalhavam a beleza das cidades.
Assim, o governo criou uma série de medidas jurídicas, disfarçadas de ações sanitárias, dando início a reformas urbanas que riscaram esses cortiços do mapa.
Fazendo com que os negros e as pessoas mais pobres se mudassem para locais onde não existia luz, água ou transporte.
Isso fez com que bairros inteiros mudassem completamente.
Com a cultura negra dessas paisagens a ser substituída pela dos novos moradores e, aos poucos, completamente esquecida.
Um exemplo é o bairro da Liberdade em São Paulo.
Cujo nome vem da luta contra a escravidão.
Hoje, é o lar da comunidade japonesa da cidade.
Mas, antigamente, era um bairro negro e todos os traços disso foram totalmente apagados das suas ruas.
Outro caso emblemático foi o gigantesco cortiço Cabeça de Porco no Rio de Janeiro.
Quando foi demolido por ordem do presidente da câmara em 1893, muitos dos seus 2.000 habitantes acabaram por construir casas no Morro da Providência.
Esta foi a origem de uma das primeiras favelas do país e, até hoje, existe ali uma das comunidades mais antigas do Brasil.
Então, os negros não tinham moradias dignas, nem empregos para melhorar as suas condições de vida.
O que poderia ter mudado esta história seria a educação de qualidade, mas, na altura, eles não tiveram acesso a isso.
Quando essas pessoas começaram a mudar-se para os morros e periferias, os seus filhos e netos foram diretamente impactados.
Pois não existiam escolas perto das suas casas e, em muitos casos, as crianças negras não podiam matricular-se porque nem sequer tinham documentos.
Era como se elas não existissem.
Ou seja, os negros foram excluídos economicamente, socialmente e intelectualmente do início da República.
É aí que vemos o racismo já presente na estrutura que sustenta a sociedade.
Este é o racismo estrutural.
É importante dizer que imigrantes, empregados e os mais pobres não aceitavam ser tratados como os ex-escravizados e exigiam direitos só para eles.
Com o tempo, esses direitos tornaram-se privilégios, ajudando o racismo a espalhar-se de vez pela classe média e até nas classes mais baixas.
Isso contou com a ajuda dos meios de comunicação, que ridicularizavam os negros e as suas culturas com textos e imagens racistas.
Quando era escravizado, Marianinho era proibido de conversar durante o trabalho e passava o dia inteiro em silêncio.
Após a abolição, ele finalmente pôde dizer o que pensava, mas continuou a ser ignorado até aos seus impressionantes 114 anos.
O Brasil nunca quis ouvir Marianninho ou qualquer outro negro que tinha sido libertado da escravatura.
Pelo contrário, o país preferiu varrer a história da escravatura para debaixo do tapete.
Um exemplo aconteceu em 1890, quando Rui Barbosa era o ministro das Finanças.
Ele estava a ser pressionado por fazendeiros que queriam ser indemnizados pelo governo por terem sido forçados a abdicar da sua mão de obra escrava.
Então mandou queimar todos os documentos que envolviam o comércio e a importação de escravos.
Só que a destruição desses documentos também acabou com as chances dos antigos escravizados entenderem as suas origens.
Pessoas de diversos lugares do mundo vieram para o Brasil, mas os negros foram os únicos que fizeram isso contra a sua vontade.
Os navios que os transportavam eram tão precários que muitos morriam na viagem.
Alguns até se suicidavam ou eram mortos em rebeliões durante o trajeto.
Eles tiveram o seu passado roubado e ainda perderam o seu futuro.
Precisamente por causa da forma como o governo lidou com os escravizados após a abolição.
Porque, como vimos, as coisas aconteceram de forma encadeada.
Após a libertação, negros e negras foram substituídos nas fazendas por imigrantes europeus que vieram para o Brasil por motivos económicos e como parte de um plano para branquear a população.
O tempo passou e pouca coisa mudou.
O preconceito fazia com que o negro continuasse a ser tratado como escravo em várias regiões.
Assim, muitos deles foram para as cidades, onde conseguiram subempregos e moravam em cortiços.
Isso durou até o governo acabar com esses cortiços com leis sanitárias que fortaleceram o racismo estrutural pelo próprio governo.
Então, expulsos das suas casas, negros e outras pessoas de classes mais baixas começaram a criar favelas.
E como os seus filhos e netos sequer tinham documentos, não podiam matricular-se nas escolas, que além disso, eram muito longe de onde eles moravam.
Isso fez com que a educação ficasse ainda mais longe deles.
Isto sem falar que o passado dos escravizados, incluindo os locais onde eles nasceram e os nomes e as localizações dos seus familiares, foram apagados quando os documentos da escravatura foram destruídos pelo governo.
Tudo isso deu início a um ciclo: quanto mais o racismo crescia, mais o negro era excluído da sociedade e mais o racismo crescia.
O Brasil libertou os escravizados, mas nunca quis resolver de verdade a herança da escravatura que tivemos aqui.
Como viram, a exclusão dos negros na nossa sociedade não foi resolvida com a abolição da escravatura.
Este problema foi ganhando novas caras com o passar do tempo, mas ele sempre existiu no Brasil.
Sim, a nossa sociedade avançou muito do final do século XIX para cá.
Hoje existem muitas leis e políticas públicas criadas para combater a desigualdade racial, mas isso não quer dizer que o racismo acabou, amigo.
Até porque a escravatura foi algo tão cruel que criou uma dívida histórica impagável.
E o mínimo que se faz em políticas públicas enfrenta resistência de muita gente até hoje.
O Brasil ainda é um país preconceituoso, acredite ou não.
E uma das soluções é a aplicação de uma lei que existe apenas no papel.
A Lei 10.639 determina o ensino de história da África e do negro no Brasil em todas as escolas.
O racismo começou como uma má educação e só pode ser combatido com um ensino justo e inclusivo.
A escravatura durou mais de 350 anos.
E de 1888 para cá passaram-se...
apenas 132 anos.
Esta é uma luta que deve continuar.
E não podemos ser neutros.
Fingir que o racismo não existe apenas colabora com esse racismo.
Porque não basta não ser racista, é preciso ser contra o racismo.
Inclusive, convido-te a combatê-lo agora.
Envia este vídeo para pelo menos três pessoas, vamos combater o preconceito com informação.
Exatamente, Rael, esta é a mensagem.
Partilhem este vídeo, é muito importante.
Inclusive, queria já agradecer ao meu querido amigo Rael que abrilhantou este vídeo com a sua incrível voz, muito obrigado.
Vamos dar uma força ao Rael lá no canal dele.
Está aqui no ecrã.
Vamos subscrever e também vou deixar aqui na descrição.
Muito obrigado, Rael.
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Um beijo para vocês.
Tchau.
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