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(sem título)

Transcrição completa

A luz da manhã entra devagar pela janela.

Lisboa ainda dorme, quase sem som.

O café esfria na mesa pequena.

E o tempo passa como se não tivesse nome.

Os passos na rua ecoam distantes.

Um elétrico cruza o silêncio do ar.

E no vidro antigo eu vejo o teu rosto.

Como algo que nunca quis ficar.

Guardo palavras que não disse ontem.

Ficaram presas na dobra do dia.

O mundo gira sem nos perguntar.

Mas o meu coração ainda espera por ti.

Sei que a cidade aprende a esquecer, pintar.

De luz aquilo que dói.

Mas cada esquina conhece o meu nome.

Quando a saudade volta depois.

À tarde as sombras crescem nos muros.

As roupas dançam nas varandas vazias.

As vozes antigas presas nas paredes, histórias que o vento não deixa ir.

Penso em ti sem pedir resposta.

Como quem olha o rio passar.

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