editorial noturno

A nova tática da Ucrânia é BRUTAL.... 100.000 russos fora de combate

Descrição

Entenda como a guerra de drones na Ucrânia atingiu a marca histórica de 100 mil baixas russas utilizando tecnologia de satélites comerciais e drones de longo alcance. Analisamos a estratégia por trás do sistema Delta e como a inteligência militar ucraniana superou o exército russo em tecnologia e doutrina de combate. Torne-se membro e obtenha benefícios: https://www.youtube.com/channel/UCkCL7bCuLgg5PBzivCoebjA/join Nosso grupo de Whatsapp: https://whatsapp.com/channel/0029Va6ohnQ0lwgqOuKjes1G 00:00 Introdução 01:46 Como os drones ucranianos eliminaram 100 mil soldados russos 06:06 O que fez a zona de morte da Ucrânia chegar tão longe 09:45 Como imagens de satélite viraram a arma mais letal da guerra 14:16 Por que o avanço do exército russo está travado 17:16 Conclusão Siga o Realidade Militar no: Twitter - https://x.com/realmilitar Facebook - https://www.facebook.com/realidademilitartv Telegram - https://t.me/realidademilitar #realidademilitar

Transcrição completa

Preste atenção ao que vai acontecer agora. Madrugada de 30 de maio.

Está a ver o que um operador de drone ucraniano vê. Câmara térmica, preto e branco, e lá em baixo, soldados russos a dormir a 100 km da linha da frente.

Longe de qualquer trincheira, bem no fundo do território ocupado. Eles achavam-se seguros ali, mas não estavam.

Estes homens são da 64ª brigada.

Este nome sozinho não diz nada, mas o nome de uma pequena cidade perto de Kiev diz tudo: Bucha.

No início da invasão, em 2022, os russos ocuparam Bucha. E quando recuaram, o mundo viu o horror que tinham deixado para trás.

Civis executados com as mãos amarradas, valas comuns.

E a brigada apontada como responsável por estes crimes era exatamente essa.

Putin, em vez de punir, condecorou-a por heroísmo.

Quatro anos depois, foi esta brigada que os drones da Ucrânia encontraram a dormir e atacaram 21 vezes numa única noite.

Sem um único soldado ucraniano pisar o solo. A vingança tinha sido feita.

Mas esta é a parte menos importante desta história. Porque há uma pergunta que ninguém está a fazer.

Como é que a Ucrânia conseguiu encontrar estes homens? Como é que um drone chega ao ponto exato, na noite exata, 100 km para dentro?

E a resposta para estas perguntas mudou a guerra inteira.

Porque o que eles usaram não foi uma arma, foi algo inesperado que, até há pouco tempo, era usado para atualizar o Google Maps.

O ataque que acabou de ver não foi um golpe de sorte. Não foi uma operação especial planeada durante meses.

Foi rotina, mais uma noite de trabalho de uma força que acaba de apresentar um número que nenhum exército da história moderna divulgou.

No dia 4 de junho, o comandante das forças de drones da Ucrânia, Robert Brovdi, publicou o balanço de um ano de operações.

Segundo a contagem ucraniana, registada missão por missão num sistema digital chamado Delta, que guarda vídeo e evidência de cada ataque, esta força sozinha tirou de combate 100.082 soldados russos em 358 dias.

Para entender a dimensão disto, quando Putin invadiu a Ucrânia em 2022, dedicou cerca de 190.000 homens à operação. Ele achava que isso bastava para tomar o país inteiro em três dias.

Pois uma única força ucraniana, num ano, eliminou mais de metade desse número.

Mas há um detalhe nestes dados que é ainda mais perturbador que o total.

Dos 100.000, 53.000 morreram. 46.000 ficaram feridos. Mais mortos do que feridos.

Pode parecer estatística. Não é. Em toda a guerra do século XX aconteceu o contrário.

Na Segunda Guerra Mundial, foram cerca de três feridos para cada morto.

No Vietname, mais de três. No Afeganistão, quase 10 feridos para cada morte.

Na frente russa de hoje, a conta inverteu.

E a leitura mais provável para isso é assustadora.

Quem ataca não está a espalhar estilhaços ao acaso. Está a escolher onde acerta.

É verdade que estes

Os números vêm de um dos lados da guerra e neste canal rotulamos sempre a origem.

Mas a tendência tem confirmação independente.

A Mediazona, um grupo russo de jornalismo investigativo que conta os mortos um por um, usando obituários e avisos de funeral,

confirmou pelo nome mais de 156.000 militares russos mortos desde o início da invasão.

E aponta 2025 como o ano mais sangrento de toda a guerra.

Com 40% mais obituários publicados do que no ano anterior.

E a pergunta torna-se inevitável.

Porque a força responsável por esses 100.000 representa apenas 2% do exército ucraniano.

Como é que 2% de um exército produz um terço de tudo o que a Ucrânia destrói nesta guerra?

A resposta que parece óbvia é: drones.

Sim, a Ucrânia tem drones, muitos deles.

Só que essa resposta não explica nada.

Porque a Rússia também tem, os dois países produzem milhões de drones por ano.

Hoje os drones causam cerca de 80% das baixas dos dois lados.

A Rússia levou isso tão a sério que criou um centro inteiro dedicado à guerra de drones, o Rubicon,

com a missão de alcançar a Ucrânia em tecnologia e doutrina.

A mesma arma nos dois lados, em quantidades parecidas.

E mesmo assim, só um lado transformou essa arma numa máquina de 100.000 baixas.

Quando dois exércitos têm a mesma ferramenta e resultados opostos, a explicação não está na ferramenta.

Está no que se faz com ela, e o que a Ucrânia fez é o que vamos destrinçar agora.

E se gosta de entender a guerra neste nível, em vez de só repetir manchetes, inscreva-se já no canal,

porque é exatamente isso que fazemos aqui.

A transformação ucraniana aconteceu em três movimentos e cada um apertou o cerco um pouco mais.

O primeiro movimento foi organização.

Em junho de 2025, a Ucrânia pegou as suas unidades de drones que já existiam,

mas operavam cada uma por conta própria.

E amarrou tudo num agrupamento único sob o comando de Brovdy.

12 unidades tornaram-se uma máquina só.

Cada missão passou a ser registada e verificada no Delta.

Ou seja, nada de número inflacionado no grito.

Cada alvo destruído tem imagem arquivada.

E sabe qual o resultado desta máquina a funcionar?

5.000 missões por dia, 1.650.000 missões de combate num ano.

E uma lista de equipamento destruído que parece um inventário de exército inteiro.

817 tanques.

1.379 blindados.

4.890 sistemas de artilharia.

Preste atenção neste último número.

A artilharia é o guarda-costas da infantaria, é ela que abre caminho para o soldado avançar.

Sem artilharia, a infantaria avança sozinha.

E a infantaria que avança sozinha nesta guerra, morre.

Mas a organização sozinha não explica o que viu na abertura deste vídeo.

Drones organizados ainda precisam de uma coisa: alcançar o alvo.

E foi aí que veio o segundo movimento, o que redesenhou o mapa da guerra.

Durante anos, existiu na Ucrânia o que os militares chamam de Zona de Morte, a zona de morte.

Uma faixa de uns 15, 20 km depois da linha da frente, onde qualquer coisa que se move,

pode ser destruída por drone.

Era brutal, mas era estreita.

Quem a atravessasse rápido, sobrevivia.

Agora, uma nova geração de drones de média distância esticou essa faixa para cerca de 100 km.

100 km.

Em Luhansk, ocupada desde o início da guerra, o terceiro corpo de exército ucraniano afirma que quem controla o céu agora são os drones deles.

com ataques a atingir mais de 200 km de profundidade.

A inteligência militar ucraniana anunciou controlo de fogo sobre o corredor que liga Donetsk à Crimeia e a estrada R-280, a principal artéria de abastecimento da Rússia para o sul.

tornou-se o que a imprensa já chama de Estrada da Morte.

Fechada ao tráfego civil desde o final de maio.

O efeito fez-se sentir longe.

Em Sevastopol, na Crimeia, as autoridades de ocupação limitaram o combustível a 20 litros por pessoa.

E só de veículos de logística, os camiões de comida, munições e combustível foram 26.430 destruídos num ano.

E aqui chegamos a um ponto que pouca gente entende sobre guerra: ela não é vencida no tiroteio, é vencida no camião.

Frente sem abastecimento apodrece.

O ataque à brigada de Bucha, que abriu este vídeo, aconteceu exatamente nessa faixa.

100 km para dentro, onde a Rússia achava que podia dormir.

Mas agora presta atenção a um problema.

Para matar a 100 km, é preciso ver a 100 km.

E rápido.

Porque o alvo move-se. Um drone a caçar às cegas é bateria desperdiçada.

A Ucrânia precisava de olhos, e foi aqui que entrou a peça que prometi no início.

A peça do Google Maps.

E para entender como funciona,

deixa-me contar-te uma operação real revelada pelo Wall Street Journal.

Os russos esconderam um depósito de munições dentro de um antigo silo de grãos.

Para qualquer drone a passar por cima, aquilo parecia apenas um silo.

Mas no telemóvel dos soldados ucranianos chegavam imagens de satélite.

E bastou comparar a foto nova com uma foto antiga do mesmo lugar para tudo aparecer: estruturas que não existiam antes.

E marcas frescas de pneus de camião militar.

Confirmado, o drone descola.

E o que está a ver agora é um depósito de munições russo a deixar de existir.

Essas imagens vêm de satélites comerciais privados.

A principal empresa é a Vantor, do estado do Colorado, a operar com parceiros dos Estados Unidos, da Holanda e da própria Ucrânia.

E aqui está a parte que parece ficção.

São os mesmos satélites que atualizavam o Google Maps e monitorizavam a pesca ilegal.

Esta rede fotografa 7 milhões de quilómetros quadrados por dia.

E passa sobre o mesmo ponto até 15 vezes ao dia.

Antes, uma imagem destas ia para análise num quartel-general em Kiev.

Demorava horas, às vezes dias.

Quando a informação chegava à frente, o alvo já tinha ido embora.

Agora, a foto cai no telemóvel do soldado em 15 minutos.

O tempo entre encontrar e destruir um alvo caiu 90%.

Segundo o Wall Street Journal, é a primeira vez conhecida na história que uma imagem de satélite comercial vai diretamente para o soldado guiar decisões de combate em tempo real.

Pensa no que isso significa na prática.

Cada pequena equipa ucraniana virou duas coisas ao mesmo tempo.

Um olho no espaço e um martelo no ar.

O drone é só o martelo.

Quem diz onde pregar é o satélite.

E agora deve estar a perguntar-se: se isto é comercial, se está à venda,

porque é que a Rússia simplesmente não compra também?

Ela tentou de tudo e cada porta se fechou na cara dela.

Comprar imagem de satélite ocidental não é possível por causa das sanções.

Nenhuma empresa ocidental vende para a Rússia.

E que tal improvisar com Starlink?

Os russos usavam terminais contrabandeados para se comunicar e para esticar o alcance dos próprios drones.

Até que, em fevereiro de 2026, o bloqueio desses terminais ficou sistemático.

Segundo o Instituto para o Estudo da Guerra, um dos centros de análise mais respeitados do Ocidente,

isso travou na hora a capacidade russa de atacar em profundidade.

Apostar em drones de fibra ótica que são imunes a bloqueio?

A Rússia apostou.

Mas a única fábrica de fibra ótica do país, na cidade de Saransk,

está parada desde que drones ucranianos a atingiram em maio de 2025.

Quatro milhões de quilómetros de fibra por ano parados.

A Rússia ficou dependente da China até para o cabo.

E o golpe mais irónico veio do próprio Kremlin ao estrangular o Telegram dentro da Rússia por medo de informação descontrolada,

quebrou a comunicação informal que as próprias unidades russas usavam para se coordenar na frente.

Percebe o padrão?

A vantagem da Ucrânia não é uma tecnologia que se rouba ou se copia.

É um ecossistema.

Satélites privados, empresas aliadas, programas, dados a fluir em minutos.

E um ecossistema não se compra no meio de uma guerra.

O Rubicon, aquele centro russo de guerra de drones que eu mencionei lá atrás,

corre atrás, mas corre atrás de uma coisa que se move mais rápido do que ele.

E o resultado disso tudo já está desenhado no mapa.

Abril de 2026.

Pela primeira vez desde agosto de 2024, a Rússia teve perda líquida de território.

Recuou mais do que avançou.

O ritmo do avanço russo despencou de quase 10 quilómetros quadrados por dia no ano passado para menos de 3 neste ano.

O próprio Instituto pondera com honestidade que parte da queda de abril pode ser sazonal.

A lama da primavera trava qualquer ofensiva.

Mas a tendência vem caindo mês após mês desde novembro.

E não são só analistas a dizer isso.

Anton Gerashchenko, assessor do governo ucraniano,

resumiu o quadro assim:

O avanço russo praticamente parou na maior parte da linha da frente.

Só um punhado de setores ainda regista ganhos.

E as baixas russas só aumentam.

Empurradas, segundo ele, exatamente pela vantagem tecnológica que você acabou de conhecer.

Aquela grande ofensiva de primavera que o Kremlin prometeu foi contida.

Certo, rapazes? Não há pás,

sem drones.

E ali tem muita artilharia.

O inimigo está tendo um dia duro. Eles estão a queimar, e vão continuar a queimar.

Enquanto isso, os ataques profundos viraram rotina.

A corveta Boiky a queimar no dique seco de São Petersburgo.

O desfile da vitória em Moscovo sem um único blindado nas ruas.

Você já viu essas cenas.

Agora você sabe o sistema que existe por trás delas.

E segundo o mesmo Instituto, Putin opera hoje.

com uma imagem falsa da própria frente, alimentada pelos relatórios inflacionados que o seu alto comando entrega.

O homem que comanda a guerra é o que menos entende o que está a acontecer nela.

Mas o número mais importante de todo este balanço ainda não foi dito.

E é uma conta simples.

Segundo Brovdi, os drones ucranianos já eliminam entre 33 e 35 mil soldados russos por mês.

E sabe quantos soldados o Kremlin consegue recrutar por mês?

Entre 33 e 35 mil.

Ou seja, a Rússia agora perde soldados à mesma velocidade com que consegue repor.

Pense no que isto significa: cada homem novo que entra no exército russo está apenas a repor um que saiu.

O exército parou de crescer, e um exército que não cresce não sustenta a ofensiva, apenas sangra no mesmo sítio.

Se estes números se sustentarem, e esta é a aposta declarada do comando ucraniano,

a guerra deixou de ser uma disputa de vontade política.

Tornou-se uma equação.

E hoje esta equação fecha contra a Rússia.

É por isso que a vingança contra a brigada de Bucha é a parte menos importante desta história.

O que viu naquela câmara térmica não foi um ataque.

Foi um sistema a funcionar: o satélite encontrou, o dado desceu em minutos, o drone executou.

A Ucrânia não venceu uma corrida de drones, fechou uma equação.

E o que a fechou não foi uma arma, foi a velocidade da informação.

Isto vale para muito além desta guerra.

Pela primeira vez está provado em campo de batalha que a massa não vence a informação.

Que um país menor pode travar a ofensiva de uma potência nuclear se vir mais rápido do que ela.

Quer a maior prova de que o mundo entendeu a mensagem? O comando de operações especiais dos Estados Unidos já está a integrar o mesmo tipo de sistema para os próprios soldados.

O exército mais poderoso do planeta a copiar a Ucrânia.

O aluno tornou-se o professor.

E esta história está apenas a começar, a força de Brovdi promete duplicar a contagem no segundo ano: 200 mil baixas.

Os russos, bem, têm um trabalho difícil pela frente.

Esta equação vai ser testada nos próximos meses e cada movimento dela vai passar por aqui no canal.

Então, já se inscreva para acompanhar tudo connosco.

E responda-me nos comentários: acha que a Rússia ainda consegue quebrar esta equação ou o jogo já mudou de vez?

Até ao próximo vídeo.