Por Que Hitler Nunca Invadiu Portugal?
Descrição
Hitler conquistou meia Europa em poucos meses. Portugal, neutro e quase indefeso, estava a um passo da fronteira espanhola. Por que Hitler nunca invadiu Portugal na Segunda Guerra Mundial? A resposta envolve planos secretos, espiões em Lisboa, ouro nazista e um tratado assinado em 1373. Neste documentário, você vai descobrir como Salazar manteve Portugal fora da Segunda Guerra Mundial enquanto a Europa queimava. Os planos alemães para invadir Portugal (Operação Félix e Operação Isabella), o plano americano para ocupar os Açores (War Plan Gray), o encontro de Hitler e Franco em Hendaye e o papel decisivo da aliança luso-inglesa, a mais antiga do mundo. Você também vai conhecer a Lisboa dos espiões: os refugiados salvos por Aristides de Sousa Mendes, os hidroaviões Clipper no Tejo, o Duque de Windsor e a Operação Willi, e o Casino Estoril, onde o agente duplo Dusko Popov foi observado por Ian Fleming, o futuro criador de James Bond. E ainda: a febre do volfrâmio, o ouro do banco central alemão que chegou a Portugal, a invasão de Timor e o preço que o país pagou para sobreviver. 📌 CAPÍTULOS 0:00 Junho de 1940: a Europa cai, Lisboa celebra 1:50 Um país pequeno no meio do incêndio 3:05 Franco, o Pacto Ibérico e o encontro de Hendaye 4:44 Os planos secretos: Operação Félix, Isabella e War Plan Gray 7:03 Lisboa, a capital dos espiões 9:23 Casino Estoril: o espião que inspirou James Bond 10:21 O ouro negro: a febre do volfrâmio 11:59 1943: a aliança de 1373 acorda nos Açores 13:37 Timor: a neutralidade rasgada 14:34 O fim do jogo duplo 15:11 O preço da sobrevivência 🕵️ AGENTE, O SEU RELATÓRIO Salazar foi um estrategista que salvou Portugal da guerra ou um oportunista que lucrou com ela? Escreva o seu veredito nos comentários. O relatório mais bem argumentado vai ser fixado no topo. 📚 FONTES E REFERÊNCIAS • António Louçã e Ansgar Schäfer: estudo sobre o ouro do Reichsbank recebido por Portugal • U.S. National Archives: relatórios sobre o volfrâmio e as exportações para a Alemanha • Office of the Historian (Departamento de Estado dos EUA): acordo dos Açores de 1943 • Hansard (Parlamento britânico): discurso de Churchill de 12 de outubro de 1943 • Winston Churchill, "Closing the Ring" (memórias) • Larry Loftis, "Into the Lion's Mouth": a biografia de Dusko Popov 🇵🇹 PORTUGAL PARA TODOS: a história de Portugal contada para brasileiros. Inscreva-se e ative o sininho para não perder a próxima missão. #Hitler #Portugal #SegundaGuerraMundial #Salazar #HistóriaDePortugal #Lisboa #Espiões #JamesBond #Documentário
Transcrição completa
📺 Ver na TV VintageEm 1941, a Alemanha tinha um plano para ocupar Portugal.
Os Estados Unidos tinham um plano para tomar os Açores.
Nenhum dos dois aconteceu.
Esta é a história de como um país pequeno sobreviveu no meio da maior guerra da história.
E do preço que pagou por isso.
22 de junho de 1940.
Numa clareira da floresta de Compiègne, no norte da França, dentro de um velho vagão de comboio, representantes franceses assinam o armistício com a Alemanha.
Em seis semanas, o exército alemão atravessou a Holanda, a Bélgica e a França.
E o armistício entrega à Alemanha toda a costa atlântica francesa, até à fronteira com a Espanha.
As tropas de Hitler ficam a um passo da península.
Do outro lado da fronteira, começa a Espanha, e depois da Espanha, Portugal.
No dia seguinte, Lisboa está em festa.
Bandeiras, pavilhões brancos, multidões em Belém.
Portugal inaugura a Exposição do Mundo Português para celebrar 800 anos de nação.
E o único país independente convidado era o Brasil.
Enquanto a Europa desaba, Portugal comemora.
Parece loucura.
Mas não era.
Portugal era pequeno, pobre, com um exército fraco.
Mas tinha três coisas que os dois lados da guerra queriam: um porto aberto para o Atlântico, um arquipélago no meio do oceano e uma pedra negra escondida nas montanhas.
Então, por que ninguém invadiu Portugal?
E qual foi o preço que o país pagou para continuar de pé?
1 de setembro de 1939.
A Alemanha invade a Polónia.
Dois dias depois, o Reino Unido e a França declaram guerra.
Em Lisboa, um homem lê os telegramas em silêncio.
António de Oliveira Salazar, Presidente do Conselho de Ministros desde 1932.
Que também acumulava a pasta dos Negócios Estrangeiros.
Na prática, a política externa portuguesa passava por ele.
No mesmo dia da invasão, Salazar escreve uma nota que seria publicada logo em seguida.
A ideia central era simples.
Portugal mantém a sua aliança com a Inglaterra, mas essa aliança não o obriga a entrar na guerra.
E aqui está o primeiro segredo desta história.
Londres concordou.
Para os britânicos, uma península fora da guerra era mais útil do que um aliado fraco em combate.
Mas havia um perigo mais perto.
Do outro lado da fronteira, a Espanha acabava de sair de uma guerra civil e o General Franco tinha vencido com a ajuda de Hitler e de Mussolini. Franco devia favores a Berlim e a Roma.
Salazar já tinha-se antecipado.
Em 17 de março de 1939, ainda antes do fim da guerra civil, Portugal e Espanha assinam em Lisboa o Tratado de Amizade e Não Agressão.
Ficou conhecido como Pacto Ibérico.
No papel, os dois países prometiam respeitar as fronteiras um do outro.
Para Salazar, era uma tentativa de reduzir o risco de a guerra atravessar a fronteira portuguesa.
Mas em junho de 1940, com a França a cair, Franco muda o discurso.
A Espanha deixa de se dizer neutra e passa a declarar-se não beligerante.
Uma palavra perigosa, a um passo de entrar na guerra.
E em Madrid, setores da Falange falavam abertamente em anexar Portugal.
Salazar responde com diplomacia.
Em 29 de julho de 1940...
os dois países assinam um protocolo adicional ao tratado.
Portugal e Espanha comprometem-se a consultar um ao outro para defender a neutralidade da península.
A 23 de outubro de 1940, na estação de comboios de Hendaye, na fronteira entre a França e a Espanha, Hitler e Franco encontram-se cara a cara.
Foi a única vez. Hitler queria a Espanha na guerra.
Franco pediu tanto em troca: Gibraltar, territórios em África, comida, armas.
que o encontro terminou sem nenhuma data para a Espanha entrar no conflito. E Portugal ganhava tempo.
Em Berlim, os generais já tinham um plano. Chamava-se Operação Félix.
Atravessar a Espanha e tomar Gibraltar, a porta do Mediterrâneo.
A 12 de novembro de 1940, Hitler assina a diretiva número 18, que inclui o ataque a Gibraltar.
E nos meses seguintes, os planos alemães ganham outro nome, muito mais próximo de nós: Isabela.
Um plano que previa entrar na Espanha e ocupar Portugal para tirar aos britânicos qualquer base na península.
A 7 de dezembro de 1940, o almirante Canaris, chefe dos serviços secretos militares alemães, vai a Madrid pedir autorização para as tropas passarem. A resposta de Franco é não.
Hitler adia a Operação Félix, que nunca seria executada.
Sem o consentimento de Franco, uma ofensiva por terra contra Portugal ficava muito mais difícil, porque exigiria atravessar a Espanha.
Mas a ameaça não vinha só de Berlim. Em maio de 1941, chegam a Washington informações de que a Alemanha poderia tomar os Açores.
No dia 22 de maio, o presidente Roosevelt manda o exército e a marinha prepararem um plano para ocupar as ilhas. Chamou-se Plano de Guerra Cinzento.
28.000 homens, metade fuzileiros, metade exército.
Os britânicos também prepararam planos contra as ilhas atlânticas. Portugal estava entre dois fogos.
Ao mesmo tempo, Salazar reforça os Açores, envia tropas e aviões para as ilhas e chega a ser considerada uma hipótese extrema.
Se Portugal continental fosse invadido, o governo poderia mudar-se para as ilhas.
No início de junho de 1941, chegam a Washington informações de que Hitler prepara uma ofensiva contra a União Soviética e não contra a península.
A 7 de junho, Roosevelt suspende o plano dos Açores.
Duas semanas depois, a 22 de junho, a Alemanha invade a União Soviética.
Portugal tinha escapado das bombas.
Mas a guerra já estava dentro de Lisboa.
Em 1940, Lisboa torna-se a última porta aberta de uma Europa em chamas.
Dezenas de milhares de refugiados chegam à cidade.
Judeus a fugir do nazismo, famílias inteiras, artistas, nobres falidos, todos com o mesmo sonho: um lugar num navio para a América.
Muitos chegaram graças a um homem que já conhece deste canal.
O cônsul Aristides de Sousa Mendes, que em junho de 1940, em Bordéus, desobedeceu às ordens de Lisboa e assinou vistos sem parar.
O número exato ainda é debatido pelos historiadores. O castigo que ele recebeu, não.
Para quem tinha dinheiro, havia outra saída.
Os gigantescos hidroaviões Clipper da Pan Am, que pousavam no Tejo, em Cabo Ruivo, e ligavam Lisboa a Nova Iorque.
Nova Iorque.
Um bilhete custava uma pequena fortuna.
E nas margens, sempre havia alguém a observar quem chegava e quem partia.
Em 3 de julho de 1940, chega a Lisboa um hóspede muito especial.
O Duque de Windsor.
Até 1936, ele tinha sido o Rei Eduardo VIII do Reino Unido.
Abdicou do trono para se casar com uma americana divorciada.
Ele fica instalado em Cascais, numa casa junto à Boca do Inferno, que pertencia ao banqueiro Ricardo Espírito Santo.
E Berlim tem um plano: a Operação Willi.
Convencer ou até sequestrar o antigo rei para usá-lo como peça de propaganda, ou mesmo como rei fantoche se o Reino Unido caísse.
O plano falha.
Em 1º de agosto de 1940, o Duque embarca para as Bahamas.
Pare um segundo.
No Casino Estoril, para onde vamos agora, havia um agente que ninguém conseguiu identificar.
Ele estava em todas as mesas, ouvia todas as conversas e nunca foi descoberto.
Esse agente é você, que está a assistir sem estar inscrito.
Os alemães não te apanharam, os ingleses também não.
Mas nós sabemos que você está aí, inscreva-se e saia das sombras.
E à noite, todos os caminhos levavam ao Casino Estoril.
Alemães numa mesa, britânicos noutra, e ninguém sabia ao certo quem trabalhava para quem.
Segundo o biógrafo Larry Loftis, numa noite de agosto de 1941, um agente duplo iugoslavo chamado Dusko Popov fez uma aposta escandalosa no Bacará, só para humilhar o adversário.
Observando tudo, discretamente, estava um oficial da inteligência naval britânica chamado Ian Fleming.
Anos depois, Fleming escreveria o primeiro livro de James Bond: Casino Royale.
E Lisboa também teve as suas tragédias.
Em 22 de fevereiro de 1943, o hidroavião Yankee Clipper caiu no Tejo durante a manobra de aterragem.
Das 39 pessoas a bordo, 24 morreram.
Lembra-se da pedra negra escondida nas montanhas?
Chama-se volfrâmio, ou tungsténio.
É um metal extremamente duro, que resiste a temperaturas altíssimas.
Era essencial para ferramentas de corte de alto desempenho, aços especiais e munições perfurantes.
Para a indústria de guerra alemã, garantir esse abastecimento era prioridade.
E Portugal era um dos maiores produtores da Europa.
De repente, aldeias pobres do interior viram chegar compradores com malas cheias de dinheiro.
Alemães e britânicos disputavam cada quilo.
Os preços dispararam.
Na Panasqueira, junto à Serra da Estrela, a grande mina era de capital britânico.
Em outras regiões, como em Arouca, havia minas nas mãos de empresas alemãs.
Camponeses largaram a enxada e foram cavar a montanha.
Houve contrabando, roubos, gente que enriqueceu de repente e perdeu tudo pouco depois.
Os portugueses deram um nome a isso: a febre do volfrâmio.
Entre 1941 e meados de 1944,
Portugal exportou para a Alemanha, em média, mais de 2.000 toneladas de volfrâmio por ano.
Segundo os Arquivos Nacionais dos Estados Unidos, isso representava cerca de 60% das necessidades mínimas estimadas da indústria alemã.
E boa parte do pagamento vinha em ouro.
Em 1943, a guerra...
no Atlântico era decidida debaixo da água. Os submarinos alemães afundavam navios aliados no meio do oceano, numa zona que os aviões baseados em terra
não conseguiam cobrir.
Havia um lugar que fechava esse buraco: os Açores.
Em 1943, Londres tenta conseguir pela diplomacia o acesso às ilhas, enquanto a alternativa militar continua em estudo.
Para negociar com Salazar, os britânicos invocam a antiga aliança luso-inglesa, assinada em 1373.
Num acordo datado de 17 de agosto de 1943, Portugal autoriza os britânicos a usar as instalações nos Açores, incluindo a base das Lajes, na ilha Terceira.
Em 8 de outubro, chegam as primeiras forças britânicas.
Em 12 de outubro de 1943, Churchill anunciou o acordo na Câmara dos Comuns.
Ele começa citando o tratado assinado entre o rei Eduardo III de Inglaterra e o rei Dom Fernando e a rainha Dona Leonor de Portugal.
Ele próprio contou depois que fez uma pausa de propósito para que os deputados percebessem a data: 1373.
Um mês depois, em 9 de novembro de 1943, aviões operando dos Açores afundam o primeiro submarino alemão.
Mas há uma parte desta história que quase nunca se conta.
Do outro lado do mundo, a neutralidade portuguesa foi rasgada.
Em 17 de dezembro de 1941, 10 dias depois de Pearl Harbor, tropas australianas e holandesas desembarcam no Timor Português contra os protestos do governador.
Queriam impedir que o Japão usasse a ilha.
O Japão usou isso como pretexto.
Na noite de 19 para 20 de fevereiro de 1942, tropas japonesas desembarcam em Timor.
A ocupação durou até ao fim da guerra e custou a vida de dezenas de milhares de timorenses.
Por isso, a frase exata é esta: Durante a Segunda Guerra Mundial, Portugal Continental não foi invadido.
Em janeiro de 1944, os Aliados aumentam a pressão, querem o fim total das vendas de volfrâmio à Alemanha.
Salazar resiste durante meses, defendendo o direito de um país neutro e temendo represálias alemãs.
Até que, em junho de 1944, nos mesmos dias do desembarque aliado na Normandia, Portugal anuncia o embargo total.
Não sai mais volfrâmio, nem para a Alemanha, nem para os Aliados.
A febre acabou quase de um dia para o outro. Nas montanhas, as minas foram fechadas.
Então, por que Hitler nunca invadiu Portugal?
Porque Franco recusou entrar na guerra.
Porque Hitler virou o exército para o Leste.
Porque os britânicos preferiam um Portugal neutro a um Portugal ocupado, e porque Salazar equilibrou concessões e interesses dos dois lados, aproximando-se dos Aliados à medida que a guerra avançava.
Mas a sobrevivência teve um preço.
Segundo o estudo de António Louçã e Ansgar Schäfer, Portugal recebeu pelo menos 123,8 toneladas de ouro, direta ou indiretamente, do Banco Central Alemão, incluindo ouro saqueado nos países ocupados.
Os Aliados exigiram a devolução de 44 toneladas.
Depois de anos de negociação, o acordo de 1953
Estipulou a restituição de 4 toneladas de ouro e o pagamento de 175 milhões de escudos.
O cônsul que desobedeceu para salvar vidas, morreu na pobreza em 1954.
E o regime que atravessou a guerra, durou quase mais 30 anos.
Até uma madrugada de abril de 1974.
A gente.
Chegou até ao fim.
Agora conhece os planos secretos, os espiões do casino e o ouro escondido nos cofres.
Falta só uma coisa: o seu relatório.
Salazar foi um estratega que salvou Portugal da guerra, ou um oportunista que lucrou com ela?
Escreva o seu veredito nos comentários. O relatório mais bem argumentado vai ser fixado no topo.
E se quer descobrir como nasceu o tratado de 1373,
o mesmo que Churchill usou para abrir os Açores, a sua próxima missão está aqui no ecrã.
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