Milena Glimbovski, uma força empreendedora por trás de várias empresas de sucesso, incluindo a loja "Original Unverpackt", revela como o diagnóstico de TDAH aos 22 anos foi um marco transformador na sua vida. Longe de ser um obstáculo, Milena abraça o TDAH como o seu "superpoder", partilhando as suas perspetivas sobre relações, trabalho e a maternidade, num mundo que nem sempre compreende a neurodiversidade. Este artigo explora as suas experiências e estratégias, oferecendo um olhar inspirador sobre a vida com TDAH.
O Diagnóstico: Um Alívio e Uma Nova Perspetiva
Milena descreve o momento do diagnóstico como um alívio avassalador. Após uma conversa casual em que um conhecido mencionou o TDAH, Milena mergulhou na pesquisa dos sintomas. "Acabei por chorar, porque é impressionante quando se lê algo e tudo se aplica a nós, e pensamos: 'Oh meu Deus, porque é que ninguém me disse isto antes?'" A revelação de que muitos dos seus desafios, outrora atribuídos a falhas pessoais como preguiça ou incapacidade, eram de facto manifestações do TDAH, foi libertadora. Esta compreensão permitiu-lhe reavaliar a sua vida sob uma nova luz e aceitar que há aspetos que não pode mudar, mas pode gerir. Por isso, recomenda vivamente que as pessoas procurem um diagnóstico oficial, pois "faz uma enorme diferença na vossa vida, não no dia a dia, mas na vossa própria autoavaliação."
TDAH e as Relações Interpessoais: Desafios e Adaptações
As relações sociais podem ser um campo minado para quem tem TDAH. Milena aborda a dificuldade em manter o foco em conversas, a tendência para interromper e o conceito de "permanência do objeto" – a dificuldade em manter pessoas nas suas memórias se não as vê com frequência. No entanto, ela aprendeu a comunicar abertamente sobre o seu TDAH com amigos próximos, colegas e parceiro. "Os meus amigos próximos, os meus colegas de trabalho e o meu parceiro conhecem-me, sabem que não tem nada a ver com eles pessoalmente, é só um problema meu, eles conseguem perceber isso." Com novas pessoas, Milena adota uma postura proativa: "Tenho sempre de explicar: 'Olha, tenho TDAH, desculpa se me comporto assim, é a minha maneira de ser.'" Para Milena, a aceitação e a paciência por parte dos outros são cruciais.
TDAH no Trabalho: Delegar para Prosperar
A carreira empreendedora de Milena é um testemunho da sua capacidade de transformar o TDAH numa vantagem. No entanto, ela reconhece os desafios inerentes à gestão, que exige consistência e rotina. "Eu era boa a montar a loja, mas quando me tornei gerente, fui um desastre." A solução? Delegar. Milena é mestre em identificar tarefas que outros podem executar com mais consistência e precisão. "Eu gosto de delegar coisas que acho que outra pessoa pode fazer melhor e com cuidado." Esta estratégia permitiu-lhe focar-se nas suas forças – a criatividade, a inovação e o pensamento pragmático – enquanto confia em equipas para as tarefas mais rotineiras. Um momento hilariante, mas revelador, ocorreu durante uma partilha de ecrã, onde, divagando, Milena abriu o Twitter, mostrando a todos a sua mente multifacetada.
Maternidade e TDAH: Uma Jornada de Aceitação e Apoio
Ser mãe com TDAH trouxe os seus próprios desafios e recompensas. Milena admite que, nos primeiros tempos do seu filho, a inatividade podia ser "muito aborrecida". Contudo, à medida que o filho cresce, a interação torna-se mais dinâmica e divertida. Consciente da hereditariedade do TDAH, Milena está preparada para apoiar o seu filho, caso ele também o manifeste. "Se eu vir que ele tem dificuldades, desafios, e ele já os tem em parte, eu tentaria arranjar-lhe apoio, que eu esteja aberta a isso, que eu saiba que não é culpa dele, mas que eu simplesmente o ajude a encontrar o seu caminho." Esta aceitação é complementada por um parceiro que não só compreende, mas também aceita o TDAH de Milena, criando um ambiente familiar de apoio mútuo.
Estratégias e Medicação: A Importância do Apoio
Milena partilha a sua experiência com esgotamento, que a levou a desenvolver um "bom plano" de exercícios e técnicas de autorregulação. Estes métodos, inicialmente concebidos para lidar com o esgotamento, tornaram-se ferramentas essenciais na sua vida. Quanto à medicação, Milena compara a Ritalina a óculos: "É um pouco como alguém que usa óculos e... vê tudo um pouco desfocado, e depois põe os óculos e vê nitidamente." Para Milena, a medicação não foi uma solução permanente, mas uma ferramenta para compreender como o cérebro neurotípico funciona, permitindo-lhe depois gerir a sua vida de forma mais eficaz sem ela.
Em síntese
A história de Milena Glimbovski é um poderoso lembrete de que o TDAH, embora apresente desafios, pode também ser uma fonte de força e criatividade. O diagnóstico e a autoaceitação são os primeiros passos para transformar uma condição muitas vezes mal interpretada num “superpoder”. Com o apoio certo, ferramentas adaptativas e uma comunicação aberta, é possível construir uma vida plena e bem-sucedida, abraçando a neurodiversidade e inspirando outros a fazer o mesmo.




